Mentiras, escudo das falcatruas

Mentiras, escudo das falcatruas

 

A MENTIRA COMO ESCUDO DAS FALCATRUAS

 

 

O Havengate é um fundo sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto.

Criado em 2020 para um empreendimento imobiliário que nunca saiu do papel, permaneceu praticamente inativo por quase quatro anos.

Só voltou a movimentar dinheiro em 2025, quando recebeu US$ 2 milhões de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, numa operação relacionada a Dark Horse, o filme sobre o ex-capitão.

É aí que a versão de Flávio Bolsonaro começa a desmoronar.

Em maio, o senador afirmou à GloboNews que o Havengate era um fundo exclusivo criado para realizar o filme. Não era. O fundo já existia havia anos e estava inoperante.

A informação consta de relatório da Polícia Federal tornado público por determinação do ministro Edson Fachin. Não é a primeira vez que ele mente.

Quando surgiram as mensagens com Vorcaro, Flávio negou ter pedido dinheiro ao ex-banqueiro. Depois, diante das evidências, admitiu que havia feito o pedido.

Nas rachadinhas, a estratégia foi semelhante. Flávio negou envolvimento nas irregularidades investigadas em seu antigo gabinete.

O Ministério Público apontou movimentações suspeitas envolvendo Fabrício Queiroz. O caso acabou inviabilizado por decisões judiciais que anularam provas consideradas essenciais.

Agora, no caso Master, a resposta é novamente política. Em vez de explicar as relações com Vorcaro e a origem e destino dos recursos, Flávio quer responsabilizar o governo Lula, ataca a investigação, o STF e seus adversários.

Não é apenas uma questão de verdade ou mentira. É método político.

A negativa serve para ganhar tempo. A mudança de versão vem quando surgem provas. O ataque às instituições transforma o investigado em vítima. E a polarização impede que o debate chegue ao ponto central: o que, afinal, aconteceu?

É assim que o escândalo deixa de ser sobre os fatos e passa a ser sobre “nós contra eles”.

Flávio sabe que sua principal proteção não está numa explicação convincente. Está na força política do sobrenome Bolsonaro e na capacidade de transformar qualquer investigação em batalha eleitoral.

Por isso, talvez seja um erro perguntar apenas por que o Zero Um mente tanto. A pergunta mais importante é outra: até quando o STF, principalmente o “terrivelmente evangélico” André Mendonça, irá permitir que suas mentiras continuem sendo uma estratégia eleitoral eficiente?

Quando um político nega os fatos, muda a versão quando é desmentido e ataca quem investiga sem perder o apoio de seus eleitores, o problema não está apenas nele.

Está também no eleitor que vê as contradições, conhece os fatos e, ainda assim, prefere fingir que não está vendo.

reneruschel

 

FONTE

https://www.facebook.com/rene.ruschel.79?locale=pt_BR 

 

 

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A VERDADE PRECISA VIR À LUZ

O caso Master chegou a um ponto em que não há mais espaço para meias-verdades, versões seletivas ou vazamentos convenientes.

Se existe uma forma objetiva de desmontar a crise institucional que atingiu o Supremo Tribunal Federal, ela passa pela quebra completa do sigilo das investigações. O Brasil precisa saber tudo. E precisa saber agora.

A posição defendida pelo presidente Lula em suas redes sociais está correta. É urgente abrir os dados e documentos do caso, identificar todos os envolvidos e permitir que a sociedade conheça os fatos, “seja quem for, doa a quem doer”.

Não é admissível que informações de uma investigação da Polícia Federal sejam reveladas de maneira seletiva para alimentar interesses partidários e atingir determinadas pessoas, enquanto outras permanecem protegidas pela sombra do sigilo. Isso se chama instrumentalização política.

A consequência dessa sucessão de descalabros é uma crise que começou com suspeitas envolvendo o sistema financeiro, alcançou o centro do Poder Judiciário e colocou ministros do STF sob escrutínio público.

Se a quebra do sigilo tivesse sido adotada dificilmente teríamos chegado a esse nível de tensão.

Com os fatos integralmente conhecidos, não haveria tanto espaço para versões fabricadas, ilações, manipulações e vazamentos interessados.

A verdade, quando é conhecida por todos, perde seu valor como arma política.

Não se trata de condenar antecipadamente ninguém. Tampouco de transformar uma investigação criminal em espetáculo.

Trata-se exatamente do contrário: dar aos fatos a oportunidade de falar mais alto que as narrativas.

A Operação Spoofing mostrou que documentos e informações mantidos em segredo podem mudar completamente a compreensão de um episódio político e institucional.

O mesmo princípio deve prevalecer agora. O cidadão não pode depender de informações escolhidas por quem tem acesso privilegiado aos autos.

Sigilo é instrumento de investigação, não escudo para autoridades, empresários, políticos ou qualquer outro cidadão do andar de cima. Diligências que dependam de segredo devem ser preservadas.

Mas, concluída essa necessidade, o interesse público precisa prevalecer.

Cada envolvido deve responder por seus atos e ninguém pode ser condenado por aquilo que não fez. Doa a quem doer.

O caso Master, maior escândalo financeiro da história verde-amarela, envolve figuras da ilustre confraria dos que nunca perdem quando privilégios e benesses estão em jogo.

Por isso, é preciso transparência. Sem blindagem, sem proteção. O poder político não pode continuar sendo salvo-conduto para quem se julga intocável.

#reneruschel

Imagem: Reprodução/Redes Sociais 

FONTE:

https://www.facebook.com/rene.ruschel.79?locale=pt_BR 

 




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