Mercado de Educação Física

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Mercado de Educação Física exige escolhas já na graduação: licenciatura ou bacharelado?

Enquanto um curso habilita para atuar em escolas, o outro foca no trabalho em academias, clubes e serviços de saúde

Isabella Sander

Camila Hermes / Agencia RBS
Profissionais salientam a importância de estimular o gosto pelo exercício desde o colégio.
Camila Hermes / Agencia RBS

 

 

De um lado, a preocupação com a saúde e com a estética em alta tem ampliado o leque de possibilidades para profissionais de Educação Física. Do outro, a redução da carga horária da disciplina nas escolas gera uma redução na demanda por professores.

Em meio a um cenário de mudanças na profissão, paira a dúvida sobre quais as oportunidades e os limites no mercado de trabalho em cada uma das modalidades de graduação: bacharel e licenciatura.

Antigamente, a graduação em Educação Física envolvia uma formação mais ampla que permitia que o profissional, depois de formado, atuasse tanto em escolas de Educação Básica quanto em espaços como academias e centros de treinamento.

Desde 2002, contudo, bacharel e licenciatura se tornaram oficialmente cursos diferentes, de modo a fortalecer a Educação Física como componente curricular nas escolas. Hoje, a licenciatura e o bacharelado têm perfis bem distintos.

Licenciatura:

  • Forma profissionais para atuar dentro da Educação Básica

  • Formação dá mais possibilidades de contratos celetistas e concursos públicos

Bacharel:

  • Forma profissionais para atuar em espaços externos à escola, como clubes, academias e hospitais

  • Bacharéis costumam trabalhar de forma autônoma ou com contratos em diferentes espaços

Neste formato, licenciados não podem atuar em clubes e academias, enquanto bacharéis não podem atuar em escolas. Por isso, é frequente que um estudante que se formou em uma modalidade acabe ingressando na outra, para ampliar as suas possibilidades.

  

 

Segundo a coordenadora dos cursos de Educação Física da Universidade Feevale, Magale Konrath, especialmente no bacharelado é possível ver que os próprios acadêmicos identificam uma mudança no mercado de trabalho em potencial:

— Antes eles entravam muito focados em serem personal trainers, trabalharem rendimento, hipertrofia. Só que, ao longo do curso, eles conseguem perceber que o público 50 e 60 mais está em busca de saúde e de um envelhecimento saudável, e que aquele aluno que busca ficar com o corpo sarado é alguém que não fideliza: ele faz o treino, compra a assessoria, mas não continua. Já o público 60 mais quer alguém junto com ele, e é um público com maior poder aquisitivo.

Currículo

Para capacitar os futuros profissionais nas duas áreas de atuação, os dois cursos têm currículos distintos. Na licenciatura, para além de disciplinas específicas de Educação Física, há componentes focados em didática, metodologias e voltadas para a Educação Infantil. 

Já no bacharelado, há um enfoque maior na avaliação física, na prestação de exercícios, no atendimento a populações especiais e em diferentes abordagens de métodos ginásticos.

Para entender o que faz uma boa formação, Zero Hora conversou com coordenadores de duas instituições com cursos de Educação Física considerados de excelência (com conceitos 4 ou 5) pelos critérios do Ministério da Educação: a Universidade Feevale e a Universidade do Vale do Taquari (Univates).

— O curso de Educação Física da Feevale completa 53 anos em agosto. Temos professores altamente qualificados, laboratórios, ginásio, academia, piscina e projetos de extensão e de pesquisa nos quais os alunos podem se inserir. Tudo isso faz com que tenhamos essa pontuação expressiva e consigamos atrair a comunidade — observa Magale.

 

 

Na Univates, o bom resultado se deve a uma combinação de infraestruturavivências voltadas práticas para o estudante e contato humano:

— Acreditamos que as habilidades necessárias para trabalhar com pessoas precisam ser construídas a partir do contato humano. Aprender a prescrever exercícios e orientar pessoas é muito complexo quando não existe a presença do outro e a diversidade que isso implica — pontua Leonardo de Ross Rosa, coordenador dos cursos de Educação Física da Univates.

Ambas as modalidades de graduação têm carga horária mínima de 3,2 mil horas ao longo dos quatro anos de curso. Até 2024, era possível cursar Educação Física à distância. 

Desde o ano passado, no entanto, um decreto estabeleceu que essa graduação precisa ser, no mínimo, semipresencial. No caso do bacharelado, pelo menos 60% da carga horária precisa ser presencial. Já na licenciatura, o mínimo é 50%.

Em consulta ao Sistema do Ministério da Educação (e-MEC), foi possível verificar que 80 cursos de educação a distância (EAD) que eram oferecidos no Rio Grande do Sul estão em processo de extinção em virtude da nova regra. 

Seguem em atividade 97 cursos (em diferentes modalidades e turnos) oferecidos por 35 instituições, sendo 71 presenciais e 26 semipresenciais.

Entre 11 dessas 35 instituições consultadas pela reportagem, as mensalidades de Educação Física variaram de cerca de R$ 300 em cursos semipresenciais a R$ 2,2 mil em cursos presenciais. Também há opções gratuitas nas universidades federais.

Licenciatura em baixa

A presença da Educação Física sofreu mudanças no currículo das escolas nos últimos anos, especialmente do Ensino Médio. Em 2022, com a implementação de uma reforma nacional nessa etapa, a disciplina chegou a ter uma redução de cinco para um período obrigatório ao longo do Ensino Médio. 

No ano seguinte, aumentou de novo: passou para três períodos, um em cada ano. Atualmente, voltou a ter cinco – um na 1ª série, dois na 2ª e dois na 3ª série desta etapa de ensino.

Segundo Magale, essas transformações geraram “certo estigma” em relação à licenciatura, mas a categoria tem batalhado para que a carga horária aumente nas escolas. Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que propõe a obrigatoriedade da oferta de três períodos por semana de Educação Física ao longo da Educação Básica, sendo a carga horária o dobro disso em instituições de tempo integral. 

A proposta foi aprovada pela Comissão do Esporte da Casa em janeiro. Agora, precisa passar pelas comissões Finanças de e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, ainda precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

— Sempre falamos para os estudantes do bacharelado que, se o interesse pelo exercício físico não for despertado em crianças e adolescentes na escola, no futuro não vai ter aluno para os bacharéis. Além disso, se a coordenação motora não for desenvolvida na Educação Física escolar, como teremos bons médicos, dentistas e profissionais de outras áreas que exijam essa coordenação? — questiona a coordenadora da Feevale.

O coordenador da Univates ressalta que tem havido uma redução de pessoas interessadas em fazer licenciatura, o que pode gerar a impressão de que há menos campo de trabalho para os formados nessa modalidade, mas isso não é verdade.

— Nos próximos anos muitos profissionais que já estão há mais tempo no mercado devem se aposentar. Isso, somado à redução de pessoas cursando licenciatura em Educação Física, deve gerar alta demanda pelos profissionais que se formarem — avalia Rosa, reiterando que a redução da disciplina nas escolas é um fator de redução do interesse dos adultos pelos esportes.

FONTE:

https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao/ensino-superior/noticia/2026/06/mercado-de-educacao-fisica-exige-escolhas-ja-na-graduacao-licenciatura-ou-bacharelado-cmqbbl8wk026i016tshboeog3.html 




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