Mistério negro

Mistério negro

Mistério negro

20/11/2025

 

 

 

Por PAULO TIMM*

À Abdias Nascimento (1914-2011)

Meu país negro,

Tão cheio de cores,

Totalmente negro

Desde a estupidez flutuante tenazes de ferro

Inspirando os salsos brancos

Das montanhas de açúcar,

Dos fardos de algodão,

Dos punhos engomados da sociedade ser-vil

Meu país negro

Tão cheio de dores

Totalmente negro

Na insensatez hiante

Sobre espirais de fumo

Delirando ternuras brandas

No auge de abolição

No mito da integração

Nos sulcos magoados da república sutil

Meu país negro,

Tão cheio de amores.

Totalmente negro

Na tez dominante

Sobre os corpos gemidos

Inspirando suaves mentiras

Sobre a cordialidade

Sobre a maldade

Nos falsos argumentos de uma democracia senil

Meu país negro,

Sorrisos negros, negras em flor

Tão cheio deles por todas partes

Tão cheio deles por todas as artes

Cheio de negros em fétidas prisões

Cheio de negras na branca perdição

Cheio de meninos negros à espera da maldição

E só um carnaval para redimi-los.

Cumpri-los em sua impenetrável ambição

*Paulo Timm – Passo de Torres SC – 2011


Ilustração da capa: Dia da Consciência Negra – Fonte: Redes Sociais

FONTE:

https://red.org.br/noticias/misterio-negro/




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