Muitos Kelmons contra Lula

Muitos Kelmons contra Lula

 

 

Eu já li uns três ou quatro livros de Augusto Cury, assim como li a mesma quantidade de Paulo Coelho. Não gosto de um nem de outro.

Li, porque considero EXTREMAMENTE DESONESTO se criticar aquilo que não se leu, não se assistiu. Considero muito grave a DESONESTIDADE CRISTÃ (EVANGÉLICA E CATÓLCIA), que critica Marx sem jamais ter lido uma linha do que ele escreveu; que demoniza Freud, sem nunca ter posto a mão em um escrito dele; que vomita dessaberes sobre o Manifesto Comunista, sem jamais ter tocado nele.

Então eu li o rei da autoajuda e o rei do esoterismo, para, na época, ter o direito, concedido pelas minhas leituras, de criticar a produção deles. E tudo bem gostar deles. Só estou emitindo uma opinião, que é baseada na produção deles e no meu desgosto literário em relação aos estilos.

Eu já repeti, em muitas aulas e palestras, que um livro de autoajuda só ajuda quem o escreve. E como ajuda! Depois das leituras, não queimei os livros deles não. Estão aqui, na minha biblioteca. Aqui, no meu espaço literário, tenho livros dos mais amados e dos mais odiados, porque a vida não é somente sobre o que a gente ama.

Dito isso, vamos falar de drones. Não desista ainda, leitora/leitor. Logo você entenderá que drones tem tudo a ver, afinal de contas, “o mundo está se transformando numa velocidade tão grande, que daqui a quatro anos, talvez já nem sejam vocês me entrevistando nessa mesa, e sim um robô, uma IA.”

Essa fala do Augusto Cury, que é um médico, psiquiatra, um sujeito bem formado, mostra que a autoajuda quando entra na corrente sanguínea de quem escreve e de que quem só lê isso, é capaz de corroer neurônios.

Não que eu discorde sobre a velocidade em que o mundo muda, mas que correria é essa que em um mandato presidencial pode já nem ter apresentadores humanos de um show de entrevistas?

Já na autoapresentação, o escritor renomado, de quase 80 livros publicados e MUITO bem vendidos, resolve fazer uma conexão com o público evangélico e católico, dedicando a sua presença ali ao Jesus Cristo, que ele descreve, mas não compreende, na prática, as ideias dele.

O Jesus Cristo, para ele, representa a mesma coisa que para evangélicos e católicos: UM PRODUTO que vende fácil, que enriquece. Pouco depois, se apresenta como UM CAPITALISTA, e o faz com orgulho. Tudo bem alguém ser capitalista. “Somos todos”, de alguma forma, até os de ideia socialista, comunista, uma vez que nascemos e vivemos num sistema capitalista. Não dá pra gente ser hipócrita. O que nos diferencia é que mesmo vivendo nesse sistema capitalista, acreditamos e defendemos que as pessoas não podem ser vistas como coisas, produtos, máquinas de produzir. Elas precisam comer, beber, se vestir, ter acesso a médicos, exames, cirurgias, remédios; elas precisam ter o direito de viver com dignidade.

E isso faz de nós, nesse sistema capitalista monstruoso, comunistas extremados.

Os declarados capitalistas, com orgulho, chegam a pensar que queremos tomar as propriedades deles, quando na verdade, só queremos que TODAS as pessoas tenham trabalho, salário, escolas, hospitais, liberdade de viver aquilo que são, comida.... E isso faz de nós uns “comunistas do infernos”. E eu sou um COMUNISTA DOS INFERNOS com orgulho.

O Cury não se candidatou para ganhar. Ele sabe que não tem chance. Ele se candidatou para vender mais livros, divulgar ideias, métodos, essas coisas. Possivelmente, na próxima, se candidate a deputado e ganhe com facilidade. É um direito dele. Ele sacou essa forma perfeita de divulgação, e ainda recebe dinheiro nosso, do DESGRACENTO fundo eleitoral, para divulgar suas ideias. É mesmo perfeito.

Divulgação em rede nacional sem custos de propaganda. Mas e os drones, do que seria um parágrafo anterior, se eu não escrevesse em monobloco? Pois bem, os drones.

Você, mulher, aqui de Tamoios, onde os índices de violência doméstica são altíssimos (lembrando que a maioria da nossa população é de crentes) sofre uma violência doméstica ou se sente prestes a sofrer; então você pega o celular, aperta um botão de pânico, que aciona a delegacia que nos atende; no caso, a de Cabo Frio, na sede do município, que está a quarenta quilômetros de nós; imediatamente um drone é acionado, por INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, e parte pra cá, para atender seu S.O.S.

Esse drone não vem com a solução definitiva ainda não; ele é somente um drone-sirene, cuja missão é fazer barulho perto de você, tipo alarme de carro. Enquanto isso, uma esquipe policial se desloca para fazer o seu atendimento. No caso, nesse percurso do drone, torça para uma outra mulher não acionar o drone ali em Botafogo ou no Jardim Esperança, porque se isso acontecer, sinto muito, ele vai fazer barulho lá perto dela primeiro, antes de chegar a Tamoios.

Ninguém que apresente isso (e não estou exagerando não) como uma proposta de redução da violência contra as mulheres está querendo ganhar eleição.

O Cury é o padre Kelmon da vez, com função de dividir votos. Aliás, dessa vez a fábrica de padres Kelmon exagerou na produção: Augusto Cury, o sepulcro Caiado, o BoZema, o BozoRenan. E todos estão focados em cumprir a missão Kelmosa: um cita o outro, faz brincadeira com o outro. A diferença é que os Kelmons da vez não usam batina. Todos guiarão seus rebanhos para o jairzinho num provável segundo turno.

Para mim, o eleitor MAIS HIPÓCRITA não é o do rachadinho, dos quais já sabemos o comportamento e do que são capazes. Me assustam os eleitores “isentões”, que vão votar num Kelmon, porque não querem saber desse “negoço” de esquerda ou direita, mesmo sabendo que o seu voto favorece o capirotinho.

O eleitor isentão, murista, que depois vai passar quatro anos repetindo que não vez o L nem o B, é, para mim, o mais perigoso, o mais hipócrita, o mais asqueroso, o mais Pilatos, que lava as mãos e passa quatro anos dormindo um sono tranquilo.

Assim como a anterior, essa eleição não é sobre direita e esquerda, é sobre civilização e barbárie. É como se você tivesse que decidir, numa cédula, entre o direito de todos continuarem comendo ou sobre garantir o SEU direito de comer; sobre direitos do trabalhador e fechamento do Ministério do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho; sobre a continuidade do programa de cisternas no sertão nordestino ou “vai procurar água na casa da tua mãe”.

O partido do Cury vai levar a sua parte, mas a editora dos livros dele, essa sim vai ficar muito “mais bem” ainda depois dessa eleição. São muitos Kelmons contra um Lula, e um Lula só pelo nosso povo mais vulnerável.

Fato é, parafraseando a Carolina Maria de Jesus, que quem come todo dia se preocupa muito pouco com quem não come, com quem precisa de alguma política pública para garantir a comida mínima.

FONTE:

 




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