Negacionismo boçalnarista

Negacionismo boçalnarista

 

O NEGACIONISMO BOÇALNARISTA É A ARMA QUE RESTOU À EXTREMA-DIREITA...

ELES VÃO USÁ-LO ATÉ AS ELEIÇÕES.

É incrível, mas depois de uma pandemia que matou milhões de pessoas, ainda há quem trate a vacinação como uma questão de opinião. O recente depoimento envolvendo Anthony Fauci no Senado norte-americano reacendeu um velho roteiro: acusações espetaculares, teorias conspiratórias e uma enxurrada de desinformação que, mais uma vez, tenta colocar sob suspeita um dos maiores triunfos da ciência moderna.

É evidente que autoridades públicas devem prestar contas de seus atos. A ciência não é uma religião e cientistas não são infalíveis e, portanto, debater decisões governamentais tomadas durante a pandemia é legítimo. O que não é legítimo é transformar disputas políticas em licença para reescrever fatos científicos consolidados. Questionar estratégias de gestão é uma coisa, mas negar a eficácia das vacinas é outra completamente diferente.

As vacinas contra a covid-19 passaram por rigorosos testes clínicos, tiveram sua segurança monitorada continuamente e salvaram milhões de vidas ao reduzir drasticamente hospitalizações, casos graves e mortes. Isso não é uma narrativa de governos, laboratórios ou partidos, é o resultado de milhares de pesquisas independentes, publicadas, revisadas e reproduzidas em diferentes países. O consenso científico existe precisamente porque as evidências convergem na mesma direção.

O negacionismo prospera quando compreende uma regra simples: basta produzir dúvida onde antes havia conhecimento. Não precisa provar que a Terra é plana, basta convencer algumas pessoas de que a gravidade talvez seja uma opinião. Não precisa demonstrar que vacinas não funcionam, basta espalhar a impressão de que "ninguém sabe ao certo". A desinformação não vence pela qualidade dos seus argumentos, mas pela quantidade de ruído que produz.

O problema é que esse ruído cobra vidas. Quando campanhas antivacina ganham espaço, reaparecem doenças que a humanidade já havia aprendido a controlar. Crianças deixam de ser imunizadas, surtos voltam a acontecer e o preço da ignorância deixa de ser apenas intelectual para tornar-se humano.

Vivemos uma época em que o conhecimento científico é tratado, por alguns setores políticos, como adversário ideológico. É uma inversão perigosa, menos pelo fato de que a ciência não deva ser poupada de críticas, mas sim porque críticas honestas exigem evidências e não teorias conspiratórias embaladas para consumo nas redes sociais.

A democracia depende do direito ao debate. A saúde pública, porém, depende também do compromisso coletivo com a realidade. Quando a mentira passa a disputar espaço com fatos estabelecidos, deixa de existir apenas um conflito de opiniões e instala-se um projeto político de corrosão da confiança pública. Sociedades que deixam de confiar na ciência costumam descobrir, tarde demais, que vírus não votam, não fazem campanha e tampouco distinguem entre conservadores e progressistas. Eles apenas encontram terreno fértil onde a razão foi substituída pela desinformação.

O aspecto mais doloroso de tudo isso é perceber que o negacionismo já não habita apenas os extremos da internet. Ele passou a frequentar nossas mesas, nossas famílias, nossos grupos de amigos. A desinformação deixou de ser um fenômeno distante para tornar-se um problema íntimo. Quando alcança esse nível, revela toda a sua capacidade de destruir não apenas consensos científicos, mas também os vínculos de confiança que sustentam uma sociedade.

-Georgino Neto-

FONTE:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100000752233556&locale=pt_BR 




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