Novo cálculo da jornada professores

A Câmara dos Deputados do Brasil deu mais um passo em direção à regulamentação da jornada de trabalho docente ao aprovar, na Comissão de Educação, o Projeto de Lei 4.332/2024. A proposta estabelece a hora-aula como referência para o cálculo da carga horária dos profissionais do magistério, mesmo quando a duração das aulas for inferior a 60 minutos.
De autoria do deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ), o projeto altera a Lei do Piso do Magistério com o objetivo de eliminar brechas na interpretação da legislação atual, que, segundo especialistas, vêm sendo utilizadas por gestores públicos para ampliar o tempo de aula sem a devida compensação.
Entenda o que muda com a proposta
O texto aprovado determina que a carga horária docente deve ser calculada com base na hora-aula, independentemente de sua duração. Na prática, isso significa que aulas com menos de 60 minutos continuarão sendo contabilizadas integralmente como tempo de interação com os estudantes.
A medida busca garantir o cumprimento da regra que limita a dois terços da jornada para atividades em sala de aula, reservando ao menos um terço para atividades extraclasse, como planejamento, correção de avaliações e formação continuada.
Brechas na legislação atual geram controvérsia
Atualmente, a legislação permite interpretações divergentes sobre o cálculo da jornada. Em muitos casos, estados e municípios consideram os minutos restantes fora da aula como tempo extraclasse, o que, na prática, aumenta a carga de trabalho em sala e reduz o tempo destinado ao planejamento pedagógico.
Embora o Superior Tribunal de Justiça tenha rejeitado essa interpretação em 2024, o projeto busca incluir um dispositivo explícito na lei para evitar novas distorções.
Segundo o autor da proposta, a ausência de clareza na legislação tem levado professores a assumirem mais turmas, com menos tempo para organização das aulas e sem aumento proporcional na remuneração.
Entidades defendem manutenção do tempo extraclasse
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação manifestou apoio ao projeto e reforçou a importância do cumprimento do um terço da jornada destinado a atividades fora da sala de aula.
De acordo com a entidade, esse período é essencial para o planejamento pedagógico, avaliação dos estudantes e formação continuada dos docentes. A redução desse tempo, ainda que indireta, pode comprometer a qualidade do ensino.
Especialistas também apontam que o excesso de carga em sala de aula contribui para o aumento do estresse e da sobrecarga profissional, fatores que impactam diretamente a permanência de professores na carreira.
Tramitação segue para a CCJ
O texto aprovado é um substitutivo apresentado pela deputada Lídice da Mata (PSB-BA), que consolidou os pontos centrais da proposta original. Agora, o projeto segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Como tramita em caráter conclusivo, a proposta pode ser aprovada sem necessidade de votação em plenário. Para se tornar lei, ainda precisa passar pela Câmara e pelo Senado.
Acesse o projeto completo
Os detalhes da tramitação e o texto integral da proposta podem ser consultados no portal oficial da Câmara dos Deputados:
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2468146
Impacto direto na rotina docente
A possível mudança na forma de cálculo da jornada pode trazer impactos relevantes para a rotina dos professores da educação básica. Ao garantir maior clareza na legislação, o projeto busca assegurar o equilíbrio entre tempo em sala de aula e atividades pedagógicas essenciais fora dela.
O avanço da proposta reacende o debate sobre valorização docente, condições de trabalho e qualidade da educação pública no Brasil, temas que permanecem no centro das discussões educacionais no país.
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