O Brasil vai perder

NO “FUBETOL” O BRASIL VAI PERDER
Sérgio Rodrigues, competente estudioso da língua portuguesa, foi quem bolou o neologismo. Bastou trocar duas letras de lugar. A sonoridade segue a mesma, bem como o sufixo funcional (ol). No coração da palavra, “teb “vira “bet”. E o prefixo (fu) deu o rumo da paixão nacional para o precipício da jogatina.
Em artigo brilhante (FSP-18/6), ele afirma que “vivendo no Brasil, é impossível interagir minimamente com a Copa do Mundo da América do Norte sem ser bombardeado por anúncio de casas de aposta on-line”. E lamenta a oferta insistente de um produto que será danoso, “podendo em casos extremos levar ao desespero e à morte”.
Embora tenha triplicado e envolvido 34,7% da população, a praga das apostas não se limita à Copa do Mundo. O malefício se espalhou geral, em cassinos abertos 24 horas. Camisas de times famosos, horário nobre de todos os canais de TV e rádio, telas dos celulares, tudo invadido pela propaganda massiva e envolvente.
Ídolos do esporte, medalhistas olímpicos, influencers poderosos faturam alto com a propaganda do desatino. O absurdo excesso de anúncios e a venda da ilusão do ganho fácil faz vista grossa para o relato de vidas arruinadas e para o tamanho do impacto do caça-níquel on-line sobre a vida dos brasileiros.
Qual a razão para que tamanho descalabro permaneça no limbo regulatório? Um pequeno episódio ilustra e ajuda a explicar. O caso da entrada no Brasil de bagagens não fiscalizadas, em voo onde estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PA), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e mais os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). O voo vinha de um paraíso fiscal no Caribe e o jatinho pertencia a um empresário do ramo das apostas on-line.
O futebol é uma paixão nacional dos brasileiros, que torcem pela vitória em campo da nossa seleção. Esse sentimento legítimo não pode ser aprisionado pela máfia dos “tigrinhos”. Temos que separar uma coisa da outra, pois no “fubetol” o Brasil vai perder."
CHICO ALENCAR
FONTE:

" E ACABOU A COPA pro Brasil...
Os vikings, guerreiros organizados, foram beneficiados por pênalti e gol na cara perdidos por nós. Num jogo mata-mata isso mata!
A canoa virou e a Noruega remou por cima de nós, náufragos da desorganização e dos esquemas nebulosos e corrompidos da CBF.
O futebol brasileiro já não está entre os melhores do mundo. Potencial temos, mas isso exige treino, continuidade, e atletas com sentido de pertença ao Brasil e a seu povo, que tem na paixão pelo futebol uma das suas poucas alegrias genuínas. A mercantilização total do futebol (ou fuBETol?) não ajuda.
Daqui a quatro anos tem mais. Espero que com um ciclo preparatório diferente (foram cinco comissões técnicas desde 2022).
Lamento sobretudo por aquele/as que nunca viram o Brasil ser campeão. 24 anos de secura."
Chico Alencar
https://www.facebook.com/chicoalencar?locale=pt_BR
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A SELEÇÃO SE DESFEZ ANTES DE EXPLICAR A DERROTA
O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo dentro de campo. Isso faz parte do futebol. O que chama atenção é o que aconteceu depois.
Horas após a derrota, a seleção simplesmente se desfez. Jogadores seguiram para férias ou compromissos particulares. Carlo Ancelotti embarcou para o Canadá.
Quando o avião da delegação pousou no Rio de Janeiro, havia apenas um atleta a bordo. Pode parecer um detalhe, mas não é. Os símbolos também contam.
Enquanto outras seleções derrotadas voltaram para casa unidas, compartilhando o peso da eliminação, o Brasil transmitiu a sensação de que o compromisso terminava no apito final.
Ao longo da Copa, outro aspecto também chamou atenção. Depois de cada jogo, havia dois dias de folga. O descanso é indispensável no esporte de alto rendimento.
Mas em um torneio de apenas 39 dias talvez houvesse espaço para mais treinamentos, análises dos adversários e correções de uma equipe que nunca convenceu.
O ambiente da delegação reforçou essa impressão. Muitos jogadores permaneceram acompanhados de familiares hospedados em mansões alugadas.
Nada há de errado nisso. Mas a imagem parecia mais próxima de férias do que da maior competição do futebol mundial.
Dois dias após a eliminação, as manchetes destacavam a compra de um iate de R$ 120 milhões e de um relógio de US$ 1 milhão por Neymar. São escolhas pessoais. O problema não é o patrimônio, mas o contraste.
Enquanto o torcedor ainda tentava entender mais um fracasso, as principais notícias mostravam um universo completamente distante da realidade de quem sofre pela seleção.
A CBF também falhou. Nenhum dirigente apareceu para explicar a eliminação. Não houve entrevista coletiva, nem prestação de contas.
Curiosamente, a convocação havia sido transformada em um espetáculo, com palco, convidados e discursos. Para anunciar o sonho, festa. Para explicar o fracasso, silêncio.
Trocar técnico ou renovar jogadores pode ser parte da solução. Mas o problema parece maior.
A seleção brasileira precisa recuperar a cultura de compromisso que fez da camisa verde-amarela muito mais do que um uniforme.
Ela representa um país. E quem tem o privilégio de vesti-la precisa honrá-la até o último minuto dentro e fora de campo.
Foto: Andersen/AFP
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