O jantar acabou
O JANTAR ACABOU. AGORA VEM A CONTA
Pedro Parente foi jantar com Flávio Bolsonaro. João Moreira Salles viu no encontro um capítulo da normalização do bolsonarismo. Parente respondeu: foi para ouvir, saiu com impressão ainda pior e não votaria nele.
E aqui está a sutileza que vale mais que o cardápio inteiro.
Moreira Salles talvez tenha errado o CPF e acertado o fenômeno.
Ir a um jantar não transforma ninguém em apoiador. Parente é a prova: ouviu o candidato e gostou menos dele depois.
Mas elites não precisam aderir a um projeto autoritário para ajudá-lo a parecer normal. Às vezes basta oferecer mesa, fotografia, interlocução e respeitabilidade.
Democracias raramente começam a morrer quando alguém anuncia solenemente: “Vamos destruir a democracia”. Elas começam a adoecer quando gente perfeitamente respeitável diz “Calma, vamos ouvi-los.”
Até aí, Parente tem uma resposta forte: ouvi e rejeitei.
Só que o primeiro turno acabou.
Em 3 de outubro, exigir dele apoio a Lula seria transformar uma preferência política em teste de pureza democrática. Havia outros candidatos.
Hoje não há. Agora existem Lula e Flávio Bolsonaro.
E a pergunta deixou de ser sociológica; virou aritmética eleitoral.
Se Parente acha Flávio pior depois de conhecê-lo de perto, dizer apenas “não voto nele” já não encerra a questão, porque, no segundo turno, não existe terceira cadeira à mesa.
O jantar acabou. Chegou a conta.
- Julio Benchimol Pinto
FONTE:
https://www.facebook.com/juliorobertopinto?locale=pt_BR






