O novo PNE

O novo PNE

O novo PNE e os desafios da educação integral

A educação pública brasileira precisa de sonhos, mas também de planejamento. Precisa de metas, mas também de investimento

Greice Franco (*) 

 

Há décadas a educação integral ocupa um lugar importante no debate educacional brasileiro. E não por acaso. Quando Leonel Brizola e Darcy Ribeiro defendiam a educação integral, não estavam falando apenas em aumentar o tempo de permanência dos estudantes na escola. Falavam em garantir acesso à cultura, ao esporte, às artes, à ciência, à alimentação de qualidade e à proteção social. Falavam em oportunidades.

Por isso, vejo com preocupação algumas discussões em torno do novo Plano Nacional de Educação (PNE).

Antes de tudo, é preciso dizer: sou favorável à educação integral. Como pedagoga e como trabalhista, acredito que ela pode ser uma ferramenta importante no enfrentamento das desigualdades sociais e educacionais do nosso país. Mas justamente por acreditar nela, considero necessário discutir os desafios concretos para sua implementação.

A principal pergunta é simples: como vamos ampliar a educação em tempo integral quando ainda não conseguimos garantir plenamente o acesso à educação infantil?

Milhares de crianças brasileiras seguem aguardando uma vaga em creches e pré-escolas. Enquanto isso, municípios enfrentam dificuldades para ampliar a oferta de atendimento, manter estruturas adequadas e contratar profissionais suficientes para atender à demanda existente.

Ao mesmo tempo, diferentes redes de ensino convivem com a falta de professores, contratos temporários, adoecimento profissional e dificuldades crescentes para atrair novos docentes para a carreira.

Diante desse cenário, é impossível não questionar: como será implementada a educação integral? Onde estão os investimentos necessários para a ampliação da infraestrutura? Como serão construídas novas escolas? Como serão ampliadas as vagas na educação infantil? E, sobretudo, como será enfrentada a escassez de professores?

São perguntas que não representam uma crítica à educação integral. Pelo contrário. Representam a preocupação de quem acredita que políticas públicas precisam sair do papel e alcançar a realidade das escolas.

Existe uma diferença importante entre educação integral e educação em tempo integral. Muitas vezes os termos são tratados como sinônimos, mas não são.

Educação integral não significa apenas passar mais horas na escola. Significa oferecer experiências educativas diversificadas, envolvendo arte, cultura, esporte, leitura, ciência, tecnologia, participação comunitária e desenvolvimento humano. Significa olhar para o estudante em sua totalidade.

Mas para isso são necessários espaços adequados, profissionais qualificados, recursos pedagógicos e investimento contínuo.

Brizola e Darcy Ribeiro compreendiam isso. O projeto dos CIEPs não foi pensado apenas para aumentar a carga horária escolar. Foi pensado para ampliar oportunidades e garantir direitos, especialmente para as crianças das camadas populares.

Por isso, acredito que o debate sobre o novo PNE não deve se limitar às metas que desejamos alcançar. Deve incluir, sobretudo, os caminhos para torná-las possíveis.

A educação integral continua sendo uma proposta necessária e atual. No entanto, para que ela cumpra sua função social, precisamos enfrentar os problemas estruturais que ainda persistem na educação brasileira.

Porque não basta ampliar o tempo na escola se ainda existem crianças sem acesso a ela. Não basta estabelecer metas ambiciosas se não houver condições concretas para realizá-las.

A educação pública brasileira precisa de sonhos, mas também de planejamento. Precisa de metas, mas também de investimento. E, acima de tudo, precisa que o debate educacional continue conectado à realidade vivida diariamente por estudantes, famílias e educadores.

(*) Pedagoga

FONTE:

https://sul21.com.br/opiniao/2026/06/o-novo-pne-e-os-desafios-da-educacao-integral-por-greice-franco/ 




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