O voto da direita

O voto da direita

 

 

 

Éric Vargas

 

O voto da direita em 2022 foi barulhento, de verde e amarelo na rua, buzinaço e camiseta da CBF. Em 2024, não. Virou voto envergonhado, silencioso, do "brasileiro comum" que não faz mais estardalhaço, mas vota pesado no anti-Lula. É o mesmo voto, só que agora com vergonha de ter que explicar o que defendeu. Um voto que finge não ver os escândalos de Flávio com Vorcaro no caso Banco Master, o início do esquema de desvio dos aposentados do INSS ainda no governo do pai, o tal Jaime Bolsonaro, e que já esqueceu da fila do osso, da carcaça e do pé de galinha enquanto vivíamos a maior inflação de alimentos de toda a história do Plano Real.

Esquece também que Paulo Guedes estourou as contas públicas de um jeito tão criminoso, com calote em precatórios, orçamento secreto e o fundão eleitoral turbinado para tentar comprar a eleição, que foi preciso aprovar uma PEC da Transição ainda em novembro de 2022 só para o país voltar a funcionar. Esse voto ignora os dados melhores do governo Lula porque não é um voto racional. Com Lula o desemprego na mínima histórica, inflação de alimentos sob controle, aumento real do salário mínimo e o Brasil voltando a crescer. Mas nada disso penetra, porque é o voto do frustrado.

É exatamente o que Jessé Souza define em "Pobre de Direita": o ressentido que aprendeu a odiar quem está embaixo e a proteger quem está em cima. No Rio Grande do Sul isso tem nome e sobrenome. É o chacreiro de 5 hectares em Alegrete que se acha estancieiro e vota como se fosse dono da metade do pampa, e é o estancieiro que reclama, saudosista, que "hoje ninguém mais quer trabalhar por um prato de comida e uns pelegos num galpão". No fundo não é sobre trabalho, é sobre mando. É o velho escravismo que mora na memória afetiva do gaúcho, o prazer de humilhar o peão, que prefere ver o país quebrar do que ver o vizinho comendo picanha.




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