Para corromper o Judiciário

CASO VORCARO: COMO A EXTREMA-DIREITA E A MÍDIA CORPORATIVA ATUAM PARA CORROMPER O JUDICIÁRIO
Por Walter Falceta
Em êxtase, frênesi, total arrebatamento, a imprensa corporativa tenta apear do cargo o ministro Alexandre de Moraes.
Você terá uma ideia plena do que se trata ao ler o texto do arrogantíssimo "sabe-tudo" Wálter Maierovitch, no portal UOL.
Ele diz que Xandão deveria largar a toga, mas que a única "saída" é o impeachment. Diz como se fosse o demiurgo máximo, a divindade encarregada de julgar os juízes.
Até os seres inanimados, como diria o saudoso Mino Carta, sabem o porquê desse ataque frequente, virulento e desesperado contra o calvo magistrado.
Foi quem, com valentia ímpar, segurou o avanço do neofascismo e impediu um novo golpe contra o Estado Democrático de Direito. O anterior fora aquele que roubou a presidência de Dilma Rousseff.
Esse xará, com esquisito e deselegante acento normativo no "a", segue apenas a tradição golpista da Folha de São Paulo. Trata-se de um jornal-panfleto que finge ser "liberal" ou "progressista", mas que nutre horror primal a qualquer governo progressista.
De novo, para manter viva a memória: a Folha não foi apenas apoiadora da repressão assassina durante a Ditadura Militar. Foi força coadjuvante de relevo nesse trabalho sujo.
Não acredito que Xandão e seus colegas sejam vestais. Mas é certo que são fustigados não por seus vícios, mas justamente por suas virtudes.
Se não é pelo prêmio, é pela ameaça que as forças do atraso amansam, adestram e controlam a magistratura. Vide o caso do guitarrista togado e sua performance como rábula do capitão.
A fúria contra Xandão não tem lastro na ética de barro dos fariseus incorruptíveis do Centrão. A bronca é por ter condenado os vândalos do 8 de janeiro e levado o genocida misógino e seus sequazes à Papudinha.
Esse tipo de ação coordenada, entre políticos e mídia, tem sido o modus operandi na direita neofascista mundial.
Desde seu primeiro mandato como presidente dos EUA, Donald Trump investe duramente contra o judiciário divergente.
Chamou juízes de “ativistas” ou “juízes de Obama”, por exemplo, quando barraram suas políticas carregadas de ilegalidades.
Criticou decisões sobre imigração e eleições. Após perder a eleição de 2020, tentou desacreditar tribunais que rejeitaram suas alegações de fraude.
O desprezo pela lei culminou com a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, quando a tropa de meliantes tentou impedir a certificação eleitoral do candidato democrata.
O bozo húngaro, Viktor Orbán, por sua vez, interferiu escandalosamente no judiciário. Alterou a Constituição, ampliou o número de magistrados da corte constitucional e nomeou aliados políticos para cadeiras estratégicas no tribunal.
Na Polônia, o partido nacional-conservador Lei e Justiça (PiS) entrou nessa onda. Forçou uma reforma judicial que permitiu ao governo controlar nomeações. Ao mesmo tempo, criou uma câmara disciplinar inquisitória para punir juízes com viés progressista.
Depois da tentativa de golpe de 2016, o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan promoveu uma brutal intervenção no Judiciário. Afastou inúmeros promotores e juízes. Seu governo passou a exercer influência pesada sobre os tribunais.
O exterminador de crianças Benjamin Netanyahu também tentou aprovar reformas para limitar o poder da Suprema Corte de Israel.
A coalizão neofascista apresentou em 2023 um pacote de mudanças para permitir que o Parlamento anulasse decisões da Corte por maioria simples.
A proposta também era dar ao governo maior controle sobre a escolha de juízes e limitar o uso do princípio jurídico da “razoabilidade”, usado pelos togados para revisar decisões do governo.
A sociedade reagiu negativamente. A oposição realizou fortes protestos. No meio de 2023, o Parlamento aprovou uma parte da reforma, abolindo o uso do critério de “razoabilidade” para revisar decisões do governo.
Em janeiro de 2024, no entanto, a própria Suprema Corte de Israel anulou essa "lei", argumentando que ela feria a estrutura democrática do país. A polêmica lá segue acesa.
Aqui, além do bolsonarismo, a Rede Globo, a Folha/UOL, o Estadão, a Gazeta do Povo, a Rede Bandeirantes, o SBT e a revista Veja, entre outras tropas do reacionarismo, trabalham diuturnamente para deslegitimar o STF.
É a mesma mídia sonsa que, sem pestanejar, aceitou, reverberou e comemorou todas as trambicagens explícitas dos picaretas da Lava Jato.
Discursos políticos e textos dos articulistas agora falam em "ditadores da toga", em "agentes da censura", em "corruptos contumazes", em "vigilantes da ditadura de esquerda".
Um discurso ácido, aliás, que também ecoa desde os púlpitos de muitas "igrejas evangélicas", caça-níqueis disfarçados de centros de fé e espiritualidade. É o caso da empresa de manipulação dirigida pelo "pastor" Malafaia, um Vorcaro da indústria religiosa.
Essa estratégia busca criar três certezas "circunstanciais" na opinião pública: que o STF estaria usurpando poderes do Congresso, que os julgamentos seriam politicamente motivados, que haveria perseguição ao bolsonarismo.
A quarta, que é basilar e paradoxal, é que o Banco Master, o mesmo que tentou eleger Bolsonaro e que sustenta elementos como Nikolas Ferreira, suborna o STF e sustenta negócios ilícitos do governo Lula.
Tudo isso está sendo realizado de maneira coordenada, com infiltrados no "prato feito", na própria suprema corte e no Banco Central.
A indústria de vazamentos seletivos age de maneira célere, abastecendo livremente, ao arrepio da lei, escribas como a própria Malu Gaspar, funcionária dos interesses da família Marinho.
O mais interessante é que os vazamentos já aperecem de maneira editada, para atribuir suspeita de crime aos opositores do bolsonarismo.
Joga-se para debaixo do tapete a teia de relações íntimas entre Vorcaro, seu bandido de aluguel (o suicidado Sicário) e figuras graúdas do conservadorismo mequetrefe, como Nogueira, Rueda e Nikolas Ferreira.
Ao mesmo tempo, centra-se fogo pesado no STF e, de quebra, procura-se desesperadamente associar o caso do banco farialimer à tramoia do INSS, com o intuito de envolver Lulinha no escândalo.
Enquanto isso, nenhuma palavra mais sobre o candidato presidencial de Globo e Folha, o indigitado Flavio Bolsonaro.
Nenhuma linha mais sobre sua lavanderia de bufunfa na loja de chocolate, sobre a compra de imóveis em dinheiro vivo, sobre seus negócios com o Escritório do Crime, sobre suas homenagens a milicianos assassinos, sobre os empregos oferecidos à mãe e à ex-mulher do matador Adriano Nóbrega.
E também, nada mais, sobre a execução do dito cujo, arquivo queimado.
Agora, são todos Flavio, o fascista "moderado". Dia após dia, compram-se consultas enviesadas, como aquelas da Paraná Pesquisas, base de prestidigitação para justificar as distorções do Datafolha.
E é assim que caminha 2026, no vale das sombras espessas. A democracia em corredor estreito, sob fogo cerrado.
FONTE:
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