POA, pior índice de alfabetização

POA, pior índice de alfabetização

Porto Alegre é a capital com pior índice de alfabetização na idade certa, mostram dados do MEC

Especialista e Prefeitura avaliam que resultado reflete enchente de 2024. Número está distante da meta estabelecida pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, do governo federal

Sofia Lungui

Jefferson Botega / Agencia RBS
Em 2025, Porto Alegre alcançou percentual de 27% das crianças alfabetizadas na
idade certa.    
Jefferson Botega / Agencia RBS

 

 

Porto Alegre é uma das capitais que não atingiram a meta de alfabetização na idade certa em 2025, revelam dados do Ministério da Educação (MEC). O levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostra que a Capital foi a que ficou mais distante da meta estabelecida pelo cronograma do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, do governo federal.

No ano passado, Porto Alegre alcançou percentual de 27% das crianças alfabetizadas na idade certao pior entre as capitais. O índice ficou 26 pontos percentuais abaixo da meta prevista para o município, que era de 53%. Também ficou abaixo da meta estadual do Rio Grande do Sul em 2025, de 69%. 

No interior do RS, outros municípios ficaram abaixo da meta, como Pelotas (29%), Rio Grande (36%), Santa Maria (48%), Passo Fundo (39%), Santa Cruz do Sul (54%), Caxias do Sul (53%), Muçum (53%), Novo Hamburgo (47%), Gravataí (46%) e Canoas (42%).

 

 

O resultado insatisfatório pode ser explicado por fatores como os impactos da enchente de 2024, segundo a educadora Carolina Campos, CEO da consultoria Vozes da Educação.

A escola fechada representa não só uma perda de aprendizagem. As crianças, quando ficam muito tempo longe da escola, desaprendem habilidades que já tinham desenvolvido anteriormente, habilidades que estavam em consolidação. Outro ponto é a questão emocional, que não pode ser dissociada da aprendizagem
CAROLINA CAMPOS -  CEO da consultoria Vozes da Educação

A especialista destaca ainda que, historicamente, a alfabetização é um problema no país. Agora, com novas políticas públicas, como o próprio Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, esse cenário vem sendo enfrentado. 

— Enquanto país, aprendemos muito com a pandemia, mas ainda estamos consolidando esse trabalho de recomposição das aprendizagens. Recentemente, o Ministério da Educação lançou também o Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens, que precisa ser aplicado por todas as redes para que possamos avançar — ressalta Carolina. 

Acima da meta 

De acordo com levantamento da reportagem de Zero Hora, no total, 190 municípios gaúchos alcançaram 69% ou mais, meta estadual prevista para 2025. Considerando a meta de cada cidade, 126 municípios gaúchos atingiram ou superaram o índice esperado. Outros 337 ficaram abaixo da meta por município. 

Herveiras, Ilópolis, Mato Queimado, Nova Roma do Sul, São Pedro do Butiá, Três Arroios, Vespasiano Corrêa e Vista Alegre do Prata foram os únicos municípios do RS que alcançaram 100% das crianças alfabetizadas na idade certa, conforme os dados do Inep.  

Nova Petrópolis (82%), Carlos Barbosa (76%) e Venâncio Aires (70%) também se destacaram, além de Encantado (78%), mesmo sendo uma das cidades mais atingidas pela enchente. 

O que diz o governo 

Na avaliação da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre (Smed), o resultado da Capital foi insatisfatório e os dados refletem os efeitos da enchente. Além disso, os resultados são anteriores à implementação do Pacto pela Alfabetização e à criação do programa Alfabetiza+POA, instituído pela Lei Municipal nº 14.225/2025.  

As iniciativas “representam uma mudança profunda na forma como o município enfrenta esse desafio”, afirma a pasta, em nota. Para 2026, a expectativa é de um avanço mais consistente, segundo a secretaria. A meta estabelecida no programa Porto da Educação é alcançar, até 2028, pelo menos 75% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do Ensino Fundamental. 

A pasta também problematiza os critérios de avaliação do governo federal, destacando a importância do Sistema de Avaliação Municipal da Educação Básica de Porto Alegre (Sameb-POA):

“Paralelamente, a Secretaria tem apontado preocupações técnicas relevantes quanto à composição do ICA. Há indícios consistentes de problemas de aplicação e de parametrização das avaliações utilizadas, especialmente no contexto do Rio Grande do Sul, que adota uma banca avaliadora distinta da maioria dos estados. Esses fatores podem impactar a comparabilidade dos resultados”, afirma a secretaria. 

Já a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) avaliou, em nota, que os resultados revelam um cenário de avanços desiguais entre as cidades gaúchas. “Há municípios que conseguiram evoluir de forma consistente, enquanto outros ainda enfrentam dificuldades estruturais e pedagógicas”, diz a entidade. 

Na visão da Famurs, enfrentar esse cenário exige um compromisso coletivo da sociedade gaúcha e, mesmo diante de limitações financeiras, as prefeituras têm mantido esse esforço. “O desafio educacional do Rio Grande do Sul também está relacionado à redução das disparidades entre os municípios e à garantia de equidade no acesso à aprendizagem”, completa o comunicado. 

Segundo a federação, que diz defender o fortalecimento da cooperação entre municípios, Estado e governo federal, “os dados são essenciais para orientar políticas públicas, mas o que realmente fará a diferença é a capacidade de transformá-los em ações concretas nas escolas”. 

FONTE:

https://gauchazh.clicrbs.com.br/educacao/educacao-basica/noticia/2026/04/porto-alegre-e-a-capital-com-pior-indice-de-alfabetizacao-na-idade-certa-mostram-dados-do-mec-cmnos5wxd00j6013omvbx0xbb.html 




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