Postura

Postura

 

Postura não se improvisa: ou você tem, ou você finge

Eu tenho orgulho de ser esquerdista.

E não é por partido.

É por postura.

Postura quando a coisa aperta.

Postura quando a liberdade acaba.

Postura quando o microfone some, quando o aplauso acaba e sobra só você, sua consciência e a cela.

Quando acusaram Lula, ele fez algo que pouca gente entende hoje em dia:

compareceu.

olhou no olho.

não pediu favor.

Disse, repetiu e sustentou até o último dia:

“Não quero prisão domiciliar.

Não quero acordo.

Não negocio dignidade.

Eu só saio daqui quando provar minha inocência.”

E ficou.

Preso.

Isolado.

Sem velório do irmão.

Sem despedida do neto.

Sem choro em rede social.

Sem live.

Sem drama.

Saiu do mesmo jeito que entrou:

de pé, falando firme, debatendo de igual pra igual com juiz, com promotor, com o próprio Sérgio Moro — sem abaixar a cabeça, sem pedir colo, sem virar vítima profissional.

Agora corta a cena.

Entra Bolsonaro.

O homem que dizia que preso “tem que sofrer”.

Que não merece água.

Que tortura é método.

Que exaltava Ustra com sorriso no rosto.

Que se vendia como militar treinado sob pressão, atleta, durão, quase um Rambo de Taubaté.

Esse mesmo.

Bastou ser julgado, não preso — julgado, e o personagem desmorona.

Audiência vira teatro.

Juiz vira perseguidor.

Ar-condicionado vira tortura psicológica.

Tornozeleira vira opressão.

Soluço vira tragédia nacional.

Cama vira arma do sistema quando ele se joga no chão.

O penico cai e… pronto: nasce o mártir.

O cara que dizia que cadeia não é lugar de conforto agora não aguenta o barulhinho do vento gelado.

Tentou violar tornozeleira.

Tentou forçar fuga.

Perdeu benefício.

E ainda se vende como vítima.

O torturador virou o torturado.

O valentão virou criança assustada.

O “mito” virou meme.

E aí entra o ponto mais dolorido pra quem gosta de fingir que caráter é discurso:

👉 Erika Hilton demonstra mais firmeza, coragem, coerência e postura do que Jair Bolsonaro jamais teve.

Não é sobre gênero.

É sobre caráter.

Lula foi perseguido, preso, isolado — e nunca pediu piedade.

Bolsonaro só foi confrontado — e implodiu.

Reflexão final (daquelas que não dá pra fugir)

Postura não se ensaia.

Não se improvisa.

Não se compra com patente, arma, Bíblia ou slogan.

Ela aparece quando a porta da cela fecha.

Ali você descobre quem é líder…

e quem só gritava enquanto estava solto.

Lula saiu da prisão maior do que entrou.

Bolsonaro entrou no julgamento menor do que sempre fingiu ser.

No fim, não foi a esquerda que expôs Bolsonaro.

Foi o próprio discurso dele, voltando como espelho.

E espelho não mente.

Ass : André Luiz Thiago também conhecido por André negrão.

 




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