Protesto na escola sem luz
Sem luz há mais de 50 dias, pais protestam em escola estadual no Partenon
Moradores reclamam falta de prazo para solução e por aulas encurtadas, que afetam a rotina das famílias
Aulas ocorrem mesmo sem a iluminação adequada no local. Foto : Mauro Schaefer
A falta de energia elétrica há mais de 50 dias na Escola Estadual de Ensino Fundamental Aparício Borges, no bairro Partenon, em Porto Alegre, levou pais, professores e alunos a realizarem uma manifestação na tarde de terça-feira. O ato ocorreu em frente à instituição, no mesmo dia em que foram realizados os Conselhos Participativos nas escolas estaduais.
O problema se iniciou em 15 de março, após furtos de fios que atingiram diferentes prédios da escola. Desde então, a situação se agravou com novos episódios e, até o momento, não há prazo definido para a normalização do serviço.
Segundo a diretora, Denise Nunes Neves, o impacto atinge diretamente o funcionamento da escola. “Nós estamos sem luz e consequentemente sem internet. Também danificaram alguns aparelhos de ar-condicionado e ficamos sem sistema de monitoramento”, relata.
Sem energia, a rotina foi adaptada, mas com limitações. “De manhã a gente ainda consegue contornar, mas à tarde é inviável. Em dias nublados ou de chuva, os alunos estão saindo por volta das 15h30min, por não ter iluminação para as aulas”, explica.
A diretora também afirma que não foi disponibilizado gerador e que a comunidade já está no limite. “Não tem prazo. Enquanto gestora, fiz tudo que cabia, comunicamos todos os órgãos, fizemos boletins de ocorrência e enviamos orçamentos”, lamenta.
Além das dificuldades estruturais, professores e alunos relatam prejuízos no dia a dia. Há queixas de dores de cabeça e nos olhos, enquanto docentes utilizam internet própria para manter atividades básicas.
O caso também mobilizou o sindicato dos trabalhadores em Educação (Cpers). A diretora do 39º núcleo do sindicato, Neiva Lazzarotto, considerou a situação como um descaso. “É um tremendo desrespeito. Professores dando aula no escuro, funcionários preparando merenda no escuro. Estamos no século XXI com uma escola há 51 dias sem luz”, critica.
Ela afirma que o problema foi levado à Coordenadoria Regional de Educação no fim de abril, mas segue sem solução concreta. “Depois que foi para a imprensa, começaram a dizer que está em encaminhamento, mas até agora não tem prazo. Nós queremos solução imediata”, cobra.
Enquanto segue convivendo com a precariedade, pais cobram rapidez na solução do problema. “Estamos pedindo luz, pois queremos que o governo acorde para essa situação, que já vai chegar a dois meses. Tem gente que está no limite. Não tem água nos bebedouros, as geladeiras não funcionam, não tem luz na sala de aula. A sensação que temos é que este colégio voltou à idade das pedras”, critica a dona de casa Ianaí Chaves da Silveira, de 53 anos, vó de duas alunas 53 anos.
Em nota conjunta, a Secretaria de Obras Públicas informou que a recuperação da rede elétrica está com atendimento emergencial em andamento e que a empresa responsável deve iniciar os serviços nos próximos dias. Já a Secretaria da Educação informou que será destinado o valor de R$ 50 mil, por meio do programa Agiliza Educação, para reparos no telhado da escola.
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