Ranking de Salários de Professores

Ranking de Salários de Professores

 

Estudo revela Ranking de Salários de Professores nas 26 Capitais do Brasil

11 de maio de 2026

Veja o ranking completo de salário inicial dos professores nas 26 capitais em 2025. Dados do Movimento Profissão Docente!

Os professores das redes municipais das 26 capitais brasileiras recebem, em 2025, remunerações iniciais que variam de R$ 3.195,00 a R$ 10.000,00 — uma diferença de mais de três vezes entre o menor e o maior valor. O levantamento é do Movimento Profissão Docente, com dados validados pelas próprias secretarias municipais de educação.

Remuneração inicial de professores nas capitais vai de R$ 3.195 a R$ 10.000, mostra pesquisa

O estudo considerou o salário de ingresso de um professor com licenciatura plena em jornada de 40 horas semanais — padrão adotado para permitir a comparação entre todas as redes. Os valores foram analisados em dois cenários: sem gratificações (apenas o vencimento base) e com gratificações extensíveis a todos os professores em regência de classe.

A diferença entre os dois cenários revela uma característica estrutural do magistério público brasileiro: boa parte da remuneração real dos professores está fora do vencimento base — e, por isso, não entra na aposentadoria após a Reforma da Previdência de 2019.

O que o estudo analisou

O relatório Planos de Carreira e Remuneração do Magistério — Redes Públicas das Capitais 2025, publicado em janeiro de 2026 pelo Movimento Profissão Docente, mapeou a estrutura remuneratória das redes municipais de todas as 26 capitais estaduais. Os dados foram coletados por pesquisa legislativa e validados com 21 das 26 secretarias municipais de educação.

Para fins de comparação, todos os valores foram ajustados para a jornada de 40 horas semanais em hora-relógio. O valor de referência é o da primeira posição da tabela de vencimentos — ou seja, o salário de quem acabou de ingressar na rede com licenciatura plena, sem contar anuênios, triênios ou adicionais individuais.

Em 2025, o Piso Nacional do Magistério está fixado em R$ 4.867,77 para 40 horas semanais. Três capitais não atingem esse valor apenas com o vencimento base: Aracaju (R$ 3.195), Macapá (R$ 4.442) e Belém (R$ 3.986).

Maior salário inicial (sem gratif.)

R$ 8.851

Campo Grande (MS)

Menor salário inicial (sem gratif.)

R$ 3.195

Aracaju (SE)

Média nacional (sem gratif.)

R$ 5.576

115% do Piso Nacional


Ranking completo — remuneração inicial sem gratificações (2025)

A tabela abaixo apresenta os valores do vencimento base de ingresso nas 26 capitais, ajustados para 40 horas semanais, organizados por região e em ordem decrescente dentro de cada uma.

Centro-Oeste

Capital Vencimento inicial (sem gratif.)

Em relação ao Piso Nacional

Campo Grande (MS) R$ 8.851 182%

Cuiabá (MT) R$ 7.982 164%

Goiânia (GO) R$ 5.266 108%

Nordeste

Capital Vencimento inicial (sem gratif.)

Em relação ao Piso Nacional

João Pessoa (PB) R$ 7.692 158%

São Luís (MA) R$ 6.648 137%

Fortaleza (CE) R$ 5.912 121%

Recife (PE) R$ 5.851 120%

Teresina (PI) R$ 5.252 108%

Maceió (AL) R$ 5.006 103%

Salvador (BA) R$ 4.868 100%

Natal (RN) R$ 4.868 100%

Aracaju (SE) R$ 3.195 66% ⚠

Norte

Capital Vencimento inicial (sem gratif.)

Em relação ao Piso Nacional

Rio Branco (AC) R$ 5.525 113%

Manaus (AM) R$ 5.356 110%

Boa Vista (RR) R$ 4.934 101%

Porto Velho (RO) R$ 4.868 100%

Palmas (TO) R$ 4.868 100%

Macapá (AP) R$ 4.442 91% ⚠

Belém (PA) R$ 3.986 82% ⚠

Sudeste

Capital Vencimento inicial (sem gratif.)

Em relação ao Piso Nacional

Belo Horizonte (MG) R$ 6.356 131%

Rio de Janeiro (RJ) R$ 6.335 130%

São Paulo (SP) R$ 5.906 121%

Vitória (ES) R$ 5.001 103%

Sul

Capital Vencimento inicial (sem gratif.)

Em relação ao Piso Nacional

Curitiba (PR) R$ 5.474 112%

Porto Alegre (RS) R$ 5.419 111%

Florianópolis (SC) R$ 5.127 105%

⚠ Capitais abaixo do Piso Nacional do Magistério (R$ 4.867,77 em 2025), considerando apenas o vencimento base. Fonte: Movimento Profissão Docente, jan./2026.

O que muda quando entram as gratificações

O cenário se transforma quando são incluídas as gratificações extensíveis a todos os professores em regência de classe — como Gratificação de Incentivo à Docência, Gratificação de Regência de Classe e similares. A remuneração inicial média nacional sobe de R$ 5.576 para R$ 6.461, uma diferença de quase R$ 900.

Com gratificações, João Pessoa assume a liderança absoluta com R$ 10.000 — valor que inclui uma gratificação de incentivo expressiva. Já Belém aparece com R$ 8.769, saltando de penúltimo para terceiro lugar, o que revela uma dependência muito alta de rubricas extras para compor a remuneração dos professores na capital paraense.

1º lugar com gratificações

R$ 10.000

João Pessoa (PB)

Último lugar com gratificações

R$ 4.868

Natal (RN) e Porto Velho (RO)

Média nacional (com gratif.)

R$ 6.461

133% do Piso Nacional

O problema por trás dos números: gratificações não entram na aposentadoria

Há uma armadilha silenciosa nessa estrutura. Desde a Reforma da Previdência de 2019, as gratificações e adicionais não podem mais ser incorporados à remuneração para fins previdenciários. Na prática, isso significa que o professor que recebe R$ 8.769 de Belém — sendo a maior parte composta por gratificações — vai se aposentar com um valor muito inferior ao que recebia na ativa.

O estudo mapeou 131 tipos diferentes de vantagens pecuniárias pagas pelas 26 capitais. Em 54% das redes, há cinco ou mais dessas rubricas. A profusão de parcelas extras torna os contracheques opacos e, do ponto de vista previdenciário, prejudica diretamente o professor.

A exceção fica com Cuiabá, única capital que adota o regime de subsídio — modelo em que a remuneração é paga em parcela única, sem gratificações acrescidas, e pode ser integralmente levada à aposentadoria. Para o professor, é o formato mais vantajoso no longo prazo.

O que explica a diferença entre as capitais

A variação salarial entre capitais não segue uma lógica regional simples. Campo Grande lidera o ranking de vencimento base — acima de São Paulo, Rio de Janeiro e das capitais do Norte — por conta de uma política municipal que priorizou o salário-base em detrimento de gratificações. João Pessoa, por sua vez, ocupa o topo quando as gratificações entram, mas parte de um vencimento base de R$ 7.692 — já elevado por si só.

No extremo oposto, Aracaju registra o menor vencimento base do país entre as capitais: R$ 3.195, valor que corresponde a apenas 66% do Piso Nacional para jornada de 40 horas. A capital sergipana precisa, portanto, de gratificações para sequer alcançar o piso legal — situação que fragiliza a transparência e a segurança remuneratória dos professores da rede.

A média nacional de R$ 5.576 sem gratificações equivale a 3,67 salários mínimos — um avanço real em relação a 2009, quando o Piso Nacional correspondia a pouco mais de dois salários mínimos. Mas o crescimento foi desigual, e os professores de capitais do Norte e Nordeste seguem recebendo, em sua maioria, próximo ao piso mínimo legal, sem folga real de negociação.

📋 Sobre os dados

Fonte: Movimento Profissão Docente — Planos de Carreira e Remuneração do Magistério: Redes Públicas das Capitais 2025, publicado em janeiro de 2026.

Metodologia: valores ajustados para jornada de 40 horas semanais (hora-relógio), com base na primeira referência da tabela de vencimentos para professores com licenciatura plena. Dados validados com 21 das 26 secretarias municipais de educação.

⚠ Os valores com gratificações não são incorporados à aposentadoria após a Reforma da Previdência de 2019 (art. 39, § 9º, CF).

O ranking revela avanços reais na remuneração inicial dos professores das capitais brasileiras — a média nacional supera o Piso Nacional em 15% mesmo sem gratificações. Mas os números também expõem desigualdades que o valor médio esconde: três capitais ainda não cumprem o mínimo legal, e a estrutura de gratificações que infla os salários em várias cidades cobra seu preço na aposentadoria.

Para o professor que está avaliando uma rede municipal para prestar concurso, os dois números importam — o vencimento base e o total com gratificações — mas é o primeiro que vai definir o provento de aposentadoria no futuro.

🔗 PEBSP

FONTE:

União Nacional dos Professores do Brasil




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