Reabertura do Instituto de Educação
Comunidade escolar celebra a reabertura do Instituto de Educação Flores da Cunha, após oito anos
Fundada em 1869, escola recebe, em 2024, 1.014 alunos de turmas do quinto ano do Fundamental ao final do Médio
Isabella Sander 19/02/2024
Vazios desde 2016, nesta segunda-feira (19) os corredores do Instituto de Educação General Flores da Cunha, em Porto Alegre, foram preenchidos pela presença de seus ocupantes por direito: crianças e adolescentes. No total, 1.014 estudantes de turmas do quinto ano do Ensino Fundamental ao final do Ensino Médio iniciaram suas aulas no local, muitos deles, pela primeira vez.
A conclusão de parte das obras de restauração do colégio, fundado em 1869, foi celebrada com uma cerimônia de reinauguração, com direito a carrocinha de pipocas, artistas circenses usando pernas de pau, plataforma 360 graus, para fazer vídeos e apresentação da rapper Cristal. Ainda falta a conclusão dos espaços que receberão um centro de formação de professores e o Museu da Escola do Amanhã.
Curiosos para ver o resultado da obra e felizes com a volta das operações no IE – apelido da escola –, ex-alunos, pais de estudantes e outros moradores da Capital tentavam passar pelo portão, mas eram impedidos. Foi o caso de Silvia Regina Pinto, 49 anos, cujos quatro filhos estudaram ou estudam no local.
— Minha mais velha tem 30 anos, a outra tem 26, a outra tem 17 e o outro tem 10 anos. Minha mãe, de 82 anos, também estudou aqui. Queria vir também pra frente da escola, para ver a escola inaugurada, mas a gente fica aqui de coração partido, louca para entrar. Estou esperando eles (os filhos) saírem agora, para ver se vão deixar a gente entrar ou não — contava a mãe.
Silvia acompanhou de perto toda a mudança na vida das famílias dos alunos, que foram remanejados para quatro escolas diferentes, e a luta para que a restauração saísse do papel. Na época em que o fechamento do colégio para reformas foi anunciado, em 2016, parte da comunidade escolar tinha medo de que a reabertura das portas como colégio nunca mais acontecesse.
— Já chorei, já me diverti, já brinquei, já tirei foto com todo mundo, já abracei tudo que foi do professor. Tô adorando estar aqui hoje. Eu acredito tanto no Instituto de Educação, a luta que eles tiveram para vir para cá é muito grande. Então, é isso que eu quero para eles — revela Silvia.
paredes do saguão.. Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Diretora do IE, Alessandra Lemes estava visivelmente emocionada durante a cerimônia. A diretora diz que, apesar dos recorrentes atrasos e interrupções nas obras, nunca achou que a escola não voltaria a funcionar lá.
— Desde o início, sempre estivemos em contato com a Secretaria de Educação, que dizia que, sim, aqui era uma escola e ia continuar sendo, só que de uma forma renovada. Claro que as especulações sempre aconteceram, de que nunca mais voltaria a ser uma escola, e a parte mais triste era ouvir “ah, quando tinha o Instituto de Educação”. Ele sempre teve, só não estava na sua casa de origem. Nunca deixamos de fazer educação e continuar sendo uma escola de referência. Depois de todo esse tempo, continuamos firmes e fortes enquanto escola — celebra Alessandra.
Das quatro instituições que receberam alunos do IE, apenas uma segue com uma parte dos estudantes, das turmas do primeiro ao quarto ano do Fundamental: a Escola Estadual Dinah Neri Pereira, no bairro Bom Fim. Segundo a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), essas etapas devem voltar para o Flores da Cunha em um segundo momento.
Atrasos e interrupções
A restauração do Flores da Cunha foi permeada por atrasos e interrupções nas obras. Iniciada em agosto de 2016, a execução do projeto tinha previsão de terminar em julho de 2017. Em agosto de 2017, o contrato com a empreiteira foi rescindido pelo governo. A retomada só aconteceria mais de um ano depois, com a seleção de outra empresa, que, em setembro de 2019, voltou a paralisar as atividades. O impasse só se resolveu em janeiro de 2022, com um novo anúncio de retorno ao canteiro de obras que se manteve, ainda que com o registro de novos atrasos.
Izabel Matte, secretária estadual de Obras Públicas, relata que o principal desafio foi dar um ritmo mais acelerado à execução, para que a escola pudesse reabrir para o ano letivo de 2024.
— A chuva sempre atrapalha, ainda mais em uma obra de restauro. O processo todo é delicado, porque não é um prédio com uma identificação comum: é cheio de detalhes, de requinte, então, tem que ter muita técnica de restauração. Além do quê, tínhamos que fazer toda uma readaptação às necessidades atuais, como acessibilidade, ar-condicionado, plano de proteção contra incêndio. Mas acho que ficou um ambiente belíssimo e tenho certeza de que as crianças vão usufruir demais desse prédio — observa Izabel.
Apesar de inaugurada, a obra no Instituto de Educação não foi finalizada – ainda falta concluir o centro de formação de professores, o que deve acontecer entre março e abril, e o espaço que receberá o Museu da Escola do Amanhã, previsto para ser entregue em dezembro.
— O Museu da Escola do Amanhã vai ser um espaço de inspiração e de projeção do futuro da educação, não apenas para o Instituto de Educação, mas para toda a educação que há hoje. Então, (a destinação desse espaço) não é para que ele seja menos escola, mas para que seja uma escola de escolas. Vai receber visitas de outras escolas, outros estudantes, professores, outras redes, que virão se inspirar aqui — pontuou o governador Eduardo Leite, durante o evento.
A instituição, historicamente ligada à formação de professores no Rio Grande do Sul, recebeu investimento de R$ 23,4 milhões do governo do Estado, para a restauração.
FONTE:
Mesmo após reabertura, Instituto de Educação seguirá em obras
São quase dez anos para realizar uma reforma
19/02/2024 JOCIMAR FARINA
(19), as obras do restauro. Ronaldo Bernardi / Agencia RBS