Regras para doação de sangue
Novas regras para doação de sangue mudam prazos de inaptidão temporária
As mudanças acompanham avanços nos métodos de avaliação e rastreamento do sangue, desde a coleta até a transfusão. Bancos de sangue ainda registram demanda maior que o volume de doações

As novas regras do Ministério da Saúde para doação de sangue já estão em vigor em todo o país e alteram critérios de inaptidão temporária. A medida flexibiliza prazos para pessoas que passaram por procedimentos estéticos, usam determinados medicamentos ou têm histórico de algumas doenças.Segundo a bióloga Patrícia Paim Ferreira Seltenreich, gestora da Captação de Doadores de Sangue do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), a mudança acompanha avanços nos métodos de avaliação e rastreamento do sangue.“Os novos critérios de seleção são mais individualizados, com métodos laboratoriais e de rastreabilidade mais sensíveis”, afirma Patrícia. Entre os avanços, ela destaca a ampliação do NAT Plus, exame desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, que passou a incluir a detecção de malária na triagem obrigatória.A adoção do padrão internacional ISBT 128, usado na identificação de bolsas e amostras, também permite rastrear o sangue desde a coleta até a transfusão.
Procedimentos estéticos
Tatuagens, maquiagem permanente, botox, preenchimentos e microagulhamento podem resultar em inaptidão de sete dias, desde que o serviço de hemoterapia consiga avaliar que o procedimento foi realizado em condições adequadas de segurança sanitária. Se essa avaliação não for possível, o prazo passa a ser de quatro meses.Para Patrícia, a redução dos prazos foi possível porque os serviços têm hoje melhores condições para avaliar o risco de cada situação. Segundo ela, os critérios anteriores foram definidos em um cenário tecnológico e epidemiológico diferente.Piercings orais ou genitais também passam por nova regra. O candidato pode voltar a doar quatro meses após a retirada do piercing.
Câncer, tireoide e idade
A avaliação também ficou mais específica para pessoas com histórico de câncer. Melanoma e neoplasias do sistema hematopoético, como leucemias e linfomas, continuam entre as situações que impedem definitivamente a doação.Para os demais tipos de câncer, a inaptidão passa a ser temporária por cinco anos após o fim do tratamento. O candidato precisa estar em remissão e sem doença ativa.Carcinoma basocelular de pele e carcinoma in situ do colo do útero não impedem a doação, segundo Patrícia.As regras para doenças da tireoide também mudaram. O hipertireoidismo deixou de ser um impedimento automático. A avaliação deve considerar o diagnóstico, o tratamento, os medicamentos utilizados e as condições clínicas do candidato.Outra mudança envolve doadores com mais de 70 anos. A idade deixa de ser um limite máximo para quem já é doador de repetição, desde que esteja em boas condições de saúde e seja considerado apto na avaliação médica.
Canetas emagrecedoras
A nova norma também trata de forma individualizada o uso de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Saxenda.Segundo Patrícia, o uso desses medicamentos, por si só, não impede a doação. O candidato deve informar o medicamento utilizado e passar pela avaliação clínica durante a triagem.A principal preocupação, segundo ela, está relacionada ao compartilhamento de dispositivos para aplicação de medicamentos injetáveis. Essa situação é considerada de risco e deve ser investigada pelo serviço de hemoterapia.“É importante essa avaliação na triagem. O uso individual não impede, desde que o candidato a doador esteja em boas condições de saúde”, explica Patrícia.
Rede Estadual de Sangue e Hemoderivados registra baixo volume de doações
Segundo Daniella Canabarro, assistente social da Captação do Hemocentro do Estado do Rio Grande do Sul (Hemorgs), o aumento da complexidade dos hospitais e do número de agências transfusionais, somado à realização de mais cirurgias pelo SUS, elevou a demanda por hemocomponentes.Ao mesmo tempo, a falta de divulgação sobre a importância da doação voluntária contribui para o baixo volume de doadores.“Ainda persistem dúvidas e mitos, como o medo de agulhas, de contrair doenças ou de que doar sangue possa alterar o peso ou engrossar o sangue. Muitos também associam a doação apenas a situações em que um familiar ou amigo precisa de transfusão”, explica Daniella.
Onde doar
Para reforçar os estoques, o Hemorgs terá atendimento neste sábado, 10, das 8h às 12h, em Porto Alegre (Avenida Bento Gonçalves, 3.722).Para doar, é necessário apresentar documento com foto, pesar pelo menos 50 quilos, estar alimentado e ter dormido ao menos seis horas nas últimas 24 horas. Também é preciso evitar bebida alcoólica por 12 horas e cigarro por duas horas antes da doação.
Informações: WhatsApp (51) 98405-4260 ou telefones (51) 3336-6755, (51) 3339-7323 e (51) 3339-7330.
Luigi Pinzetta é estagiário de jornalismo, sob supervisão de Valéria Ochôa.
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