Reprovação cai pela metade
Censo Escolar: reprovação cai pela metade na rede estadual do RS no primeiro ano da nova regra de aprovação parcial
Com a entrada em vigor de portaria que permite avançar de ano mesmo com repetência em até quatro disciplinas, rede estadual teve impacto nos Ensinos Fundamental e Médio

disciplinas em que reprovaram. Bruno Todeschini / Agencia RBS
A taxa de reprovação nas escolas estaduais do Rio Grande do Sul caiu quase pela metade em 2025, primeiro ano de vigência da regra do governo do Estado que passou a permitir a progressão parcial de estudantes reprovados em até quatro disciplinas.
Os dados do Censo Escolar, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) nesta sexta-feira (26), mostram que a redução foi mais intensa na rede estadual do que no conjunto das escolas gaúchas.
No Ensino Fundamental, a reprovação na rede estadual caiu de 6,1%, em 2024, para 2,9% em 2025. No Ensino Médio, passou de 11,1% para 5,8%.
Considerando todas as redes de ensino do Estado – estaduais, municipais, federais e privadas — a redução foi menor: de 5,5% para 4% no Fundamental e de 9,9% para 5,6% no Médio.
A mudança coincide com o primeiro ano de vigência da Portaria nº 924/2024, que passou a permitir a progressão parcial de estudantes reprovados em até quatro disciplinas, desde que distribuídas em, no máximo, duas áreas do conhecimento.
Nas disciplinas em que o estudante obtiver média inferior a 6 e reprovar, ele passa de ano, mas deve realizar estudos complementares no ano seguinte.
O objetivo da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) era reduzir a retenção e evitar o abandono escolar. Os dados do Censo, porém, não permitem atribuir a queda exclusivamente à mudança na regra, já que outros fatores também podem ter influenciado os resultados.
Outro dado chama a atenção. Considerando o período pós-pandemia de covid-19, a rede estadual registrou, entre 2022 e 2024, taxas de reprovação iguais ou superiores às do conjunto das redes gaúchas. Em 2025, esse cenário mudou: no Ensino Fundamental, pela primeira vez na série analisada, a reprovação nas escolas estaduais ficou abaixo da média do Estado.
Gargalos
Se as taxas de reprovação mudaram, o mesmo não aconteceu com os momentos em que elas mais se concentram. A análise dos dados por série escolar mostra que os maiores índices continuam aparecendo nas mesmas etapas: no fim do ciclo de alfabetização, na passagem para os anos finais do Ensino Fundamental e na entrada no Ensino Médio.
Em 2025, a taxa de reprovação no RS foi de apenas 0,2% no 1º ano e de 0,3% no 2º ano do Ensino Fundamental. No 3º ano, porém, ela sobe para 6,5%. Depois de recuar no 4º e no 5º anos, volta a crescer para 6,5% no 6º ano e 6,7% no 7º.
O principal gargalo aparece na 1ª série do Ensino Médio. Nessa etapa, 9% dos estudantes gaúchos foram reprovados. Na sequência, a taxa cai para 4,7% na 2ª série e para 1,7% na 3ª.
A série histórica de 2022 a 2025 mostra que esses três períodos críticos permanecem praticamente os mesmos ao longo do tempo. O que mudou em 2025 foi a intensidade desses picos, que diminuíram de forma significativa.
Comparação
Apesar da melhora registrada em 2025, o Rio Grande do Sul continua com taxas de reprovação superiores às médias brasileiras. No Ensino Fundamental, a taxa de reprovação foi, em média, de 4% no Estado, contra 2,1% no país. No Ensino Médio, a média do índice ficou em 5,6%, enquanto a nacional foi de 3%.
A diferença aparece também quando se analisam as séries individualmente. Na 1ª série do Ensino Médio, por exemplo, a taxa de reprovação no RS chegou a 9%, mais que o dobro da média nacional, de 4,4%.
No ranking nacional, o Estado segue entre os piores desempenhos. No Ensino Fundamental, apenas quatro Estados registraram taxas de reprovação piores do que as gaúchas. No Ensino Médio, o Rio Grande do Sul também figura entre os seis piores índices do país.
Por sua vez, as taxas de abandono escolar – quando um estudante não conclui o ano letivo – continuaram em queda. No Ensino Fundamental, o abandono recuou de 1%, em 2022, para 0,4%, em 2025, no Rio Grande do Sul. No Ensino Médio, caiu de 9,5% para 2,5%, aproximando-se da média nacional, de 2,2%.
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Quatro estados brasileiros encerraram o último ano letivo com taxas de aprovação no ensino médio próximas de 100%, os maiores índices registrados desde o início da série histórica, em 2015. No Piauí, 99,5% dos mais de 103 mil estudantes da rede estadual foram aprovados. Isso significa que apenas 103 alunos foram reprovados em todo o estado.
No Pará, a taxa de aprovação chegou a 99,3%, com um dado que chamou a atenção de especialistas: não houve nenhuma reprovação no 1º e no 2º ano do ensino médio estadual. O resultado nunca havia sido registrado em uma rede pública dessa dimensão no Brasil.
Parte desse avanço está relacionada à adoção da chamada progressão parcial, mecanismo que permite ao estudante avançar para a série seguinte mesmo tendo sido reprovado em algumas disciplinas, desde que participe de atividades de recuperação. Estados como Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro também adotaram regras semelhantes recentemente.
O debate ganhou força porque a taxa de aprovação é um dos componentes utilizados no cálculo do Ideb, índice que mede a qualidade da educação básica brasileira. Especialistas apontam que aumentar o fluxo escolar pode elevar o indicador, mas destacam que a aprovação, por si só, não mede necessariamente o nível de aprendizagem dos estudantes.
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