Resistir à evidência

Resistir à evidência

 

 

 

O ÓDIO PODE RESISTIR À EVIDÊNCIA - MESMO COM TANTAS CONQUISTAS ELES NÃO CONSEGUEM ENXERGAR

Por que os fatos nem sempre conseguem mudar uma convicção política?

A psicanálise oferece uma explicação: quando uma crença se transforma em parte da identidade de alguém, questioná-la pode significar muito mais do que mudar de opinião.

Indicadores econômicos, redução da pobreza e resultados de políticas públicas podem ser apresentados, documentados e discutidos. Mas nem sempre serão suficientes - pois a pessoa construiu sua identidade em oposição a Lula e reconhecer uma realização positiva desse adversário pode representar uma ameaça à própria imagem e ao pertencimento ao grupo.

Por isso a informação deixa de ser recebida apenas como evidência e é uma AMEAÇA (Freud, em Psicologia das Massas e Análise do Eu, de 1921, ajuda a compreender como a identificação com um líder e com um grupo pode interferir na autonomia do julgamento).

Isso não significa que toda crítica a Lula seja irracional. Há divergências legítimas, assim como os resultados atribuídos a qualquer governo precisam ser comprovados. A questão é outra: quando o ódio se torna parte da identidade, reconhecer um fato pode parecer mais ameaçador do que continuar negando sua existência.

E COMO fazer alguém reconsiderar uma convicção quando ela se tornou parte de sua identidade?

1. Não atacar a identidade do sujeito

Quando alguém escuta que é ignorante, manipulado ou incapaz de pensar, tende a defender-se, não a refletir. A alternativa é questionar uma ideia sem desqualificar a pessoa.

O objetivo é permitir que alguém mude de opinião sem sentir que precisa renunciar a quem é.

2. Substituir a confrontação pela pergunta

Em vez de apresentar dez indicadores econômicos para provar que o interlocutor está errado, podemos perguntar: “O que precisaria acontecer para você reconhecer uma realização positiva de um político de quem não gosta?”

A pergunta é importante porque investiga se existe algum critério pelo qual a convicção poderia ser revista. Se nenhuma evidência concebível puder modificá-la, talvez a discussão não esteja mais ocorrendo no terreno dos fatos.

3. Romper a lógica do pertencimento absoluto

Freud ajuda a compreender a força das identificações coletivas. Uma possibilidade é mostrar que reconhecer um acerto do adversário não significa aderir ao grupo dele.

É possível criticar Lula e reconhecer resultados positivos de seu governo. Da mesma forma, é possível apoiá-lo e reconhecer seus erros.

Essa separação entre avaliação política e lealdade grupal é fundamental.

4. Compreender a satisfação envolvida no conflito

A perspectiva lacaniana permite formular uma hipótese adicional: a hostilidade repetida pode proporcionar satisfação, reconhecimento e pertencimento. Nesse caso, não basta demonstrar que determinada crença está equivocada. É necessário compreender o que a pessoa obtém ao sustentá-la. Entretanto, ninguém consegue simplesmente retirar do outro essa satisfação por meio de argumentos.

5. Criar condições para que a dúvida seja tolerável

A psicologia social contemporânea oferece contribuições práticas: conversas respeitosas, escuta genuína, vínculos de confiança e informações provenientes de fontes que o interlocutor considera confiáveis podem favorecer a abertura à revisão.

Isso não garante mudanças. E, em algumas situações, o diálogo simplesmente não avança.

A conclusão mais importante é que não se combate uma identificação afetiva apenas com informações e dados - a pessoa sente medo e ameaça. É preciso criar condições para que o sujeito possa questioná-la sem experimentar a dúvida como uma ameaça à própria identidade.

SUBVERSAR

FONTE:

Subversar Angel

  




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