Risco do esquecimento

Risco do esquecimento

Hoje não é apenas um texto.

Hoje é quase uma aula de memória coletiva — porque o maior risco de um povo não é a pobreza… é o esquecimento.

Vou te contar uma história que quase ninguém ensina direito.

A HISTÓRIA QUE COMEÇA ANTES DE VOCÊ NASCER

O trabalhador brasileiro não nasceu com direitos.

Durante mais de 400 anos, desde o período colonial até o início do século XX, o trabalho no Brasil foi marcado por exploração brutal. Primeiro com a escravidão. Depois com o que muitos historiadores chamam de “escravidão salarial informal”: jornadas de 14, 16 horas, trabalho infantil normalizado, acidentes sem indenização e demissão sem explicação.

Não existia:

férias

descanso semanal garantido

limite de jornada

aposentadoria

licença médica

carteira assinada

Se você quebrasse a perna trabalhando… o problema era seu.

O patrão substituía você no dia seguinte.

OS DIREITOS NÃO NASCERAM — FORAM ARRANCADOS

Entre 1917 e 1930, o Brasil começou a ferver. Greves operárias explodiram em São Paulo, Rio de Janeiro e regiões industriais. Trabalhadores morreram, foram presos, perseguidos.

Gente comum. Operário igual você.

Essas lutas pressionaram o Estado e, em 1943, surgiu a CLT — Consolidação das Leis do Trabalho.

Mas entenda uma coisa importante:

A CLT não foi presente.

Foi consequência do medo das elites diante da organização da classe trabalhadora.

Ali nasceram direitos que hoje parecem óbvios:

jornada de 8 horas

férias remuneradas

salário mínimo

descanso semanal

proteção contra abusos

Depois vieram outras conquistas, ao longo de décadas:

FGTS (1966)

13º salário (1962)

Seguro-desemprego (1986)

Constituição de 1988, chamada de Constituição Cidadã, ampliando direitos sociais, saúde pública e previdência.

Percebe o tempo?

Foram quase 100 anos de luta organizada para construir o mínimo de proteção.

Um século.

O ERRO QUE O TRABALHADOR COMETE HOJE

Agora entra o André Negrão falando sem freio.

O trabalhador brasileiro passa décadas lutando por direitos…

e às vezes leva 5 minutos dentro da cabine eleitoral para votar em alguém que promete “modernizar”, “flexibilizar”, “reduzir custos”.

Palavras bonitas.

Mas na prática muitas vezes significam:

menos proteção

contratos mais frágeis

negociação desigual entre patrão forte e trabalhador sozinho

Direito trabalhista não desaparece de uma vez.

Ele vai sendo cortado em pedaços pequenos… até você perceber que voltou a negociar sozinho contra quem tem dinheiro, advogado e poder.

A história mostra isso no mundo inteiro.

Direitos sociais não morrem com explosão.

Morrem em silêncio administrativo.

O TEMPO DA CONQUISTA VS O TEMPO DA PERDA

Pensa comigo:

80, 90, 100 anos para conquistar.

Uma votação no Congresso para mudar.

Uma eleição mal pensada para acelerar.

Seu avô talvez trabalhou sem proteção.

Seu pai viu direitos nascerem.

E você pode ser a geração que assiste eles desaparecerem achando que é progresso.

A LIÇÃO DE VIDA QUE QUASE NINGUÉM CONTA

O maior erro do trabalhador é achar que direito é permanente.

Não é.

Direito é como músculo:

se não exercita consciência, ele atrofia.

Político não perde sono pensando no operário desorganizado.

Mas treme quando percebe trabalhador informado.

Porque quem entende história… vota diferente.

REFLEXÃO FINAL — O MOMENTO DO SILÊNCIO

Imagina um operário saindo do turno da madrugada.

Mão calejada.

Coluna cansada.

Ônibus lotado às 5h da manhã em São Paulo.

Ele olha pro filho dormindo em casa e pensa que tudo aquilo — férias, descanso, SUS, aposentadoria — sempre existiu.

Mas não existiu.

Teve gente apanhando em greve para isso existir.

Agora imagina esse mesmo filho, daqui a 20 anos, perguntando:

“Pai… por que você deixou acabar?”

E talvez a resposta seja a mais pesada que um trabalhador pode carregar:

“Porque eu não prestei atenção.”

Direitos trabalhistas são como uma ponte construída por gerações.

Levaram décadas para levantar cada pilar.

Mas basta uma geração distraída…

para atravessar a última vez sem perceber que a ponte já está sendo desmontada atrás dela.

E quando o trabalhador percebe…

não é raiva que vem primeiro.

É medo.

E depois… silêncio.

Porque nada dói mais do que descobrir tarde demais

que aquilo que seus avós lutaram para conquistar

foi perdido sem luta nenhuma.

Ass : André Luiz Thiago também conhecido por André negrão.

 

FONTE:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100002807573028&locale=pt_BR

 

 

 

Talvez uma das mudanças mais silenciosas — e ao mesmo tempo mais profundas — que aconteceram no Brasil nos últimos anos não tenha sido econômica, nem jurídica, nem sequer institucional. Foi emocional. Foi social. Foi humana.

Houve um tempo, não tão distante assim, em que política era assunto de mesa de bar, de fila de padaria, de churrasco de domingo. As pessoas discordavam, sim — e às vezes discordavam com paixão —, mas o desacordo não era visto como uma ameaça existencial. O vizinho votava diferente, o tio defendia outro partido, o colega de trabalho tinha outra visão de mundo… e ainda assim todos dividiam a mesma cerveja, o mesmo prato, o mesmo riso.

Dia de eleição parecia quase um ritual coletivo. Gente com camiseta de candidato, piadas na fila, brincadeiras, provocações leves. A democracia era vivida como convivência — não como guerra.

Então algo mudou.

Quando a política deixou de ser debate e virou identidade

O problema não começou quando as pessoas passaram a se interessar mais por política. Isso, na verdade, é saudável numa democracia. O ponto de ruptura veio quando a política deixou de ser opinião e passou a ser identidade moral.

Antes:

você votava em alguém.

Hoje:

você é alguém por causa do voto.

Essa mudança parece pequena, mas é gigantesca. Porque quando a opinião vira identidade, discordar deixa de ser diálogo e passa a ser ataque pessoal.

A lógica passou a ser:

Se você pensa diferente, você não está apenas errado — você é inimigo.

Se discorda, não merece ser ouvido.

Se questiona, deve ser cancelado.

E aí nasce o terreno perfeito para a polarização.

O slogan que simplifica o mundo

Expressões como “Deus, pátria e família” — assim como outros slogans políticos de qualquer lado — funcionam porque simplificam uma realidade complexa. Elas oferecem algo psicologicamente confortável: pertencimento.

O ser humano tem medo do caos. Quando a vida econômica aperta, quando o futuro parece incerto, quando o trabalhador está cansado e inseguro, ele busca certezas simples. Slogans viram abrigo emocional.

Mas existe um efeito colateral perigoso.

Quando valores universais — Deus, família, nação — são apropriados politicamente, quem discorda da política passa a ser visto como alguém contra esses próprios valores. O debate deixa de ser sobre políticas públicas e vira julgamento moral.

Não é mais:

“qual modelo econômico funciona melhor?”

Passa a ser:

“quem é do bem e quem é do mal.”

E quando a política vira moral absoluta, o diálogo morre.

O algoritmo entrou na conversa

Outro fator silencioso foi a internet — especialmente as redes sociais.

Antigamente você discutia política com quem estava fisicamente perto: família, colegas, vizinhos. Pessoas diferentes, com histórias diferentes. Isso equilibrava o debate.

Hoje, os algoritmos fazem o contrário: mostram apenas quem pensa parecido com você. Criam bolhas emocionais.

Você começa a acreditar que:

todo mundo concorda com você,

quem discorda é minoria ignorante,

o outro lado é uma ameaça real.

A indignação gera engajamento. E engajamento gera lucro para plataformas digitais.

Ou seja: quanto mais raiva você sente, mais o sistema funciona.

E sem perceber, o brasileiro deixou de conversar para começar a reagir.

O resultado no cotidiano

O efeito disso aparece nas pequenas coisas:

famílias que evitam reuniões para não discutir política;

amizades de décadas rompidas por eleição;

colegas de trabalho que se silenciam por medo;

pessoas que preferem esconder opiniões para evitar conflito.

O assunto que antes aproximava virou campo minado.

Não porque o brasileiro ficou mais político — mas porque ficou mais amedrontado emocionalmente.

O que perdemos sem perceber

Talvez o maior prejuízo não tenha sido escolher A ou B nas urnas.

Foi perder a capacidade de ouvir.

Uma democracia não morre apenas quando acaba o voto. Ela começa a adoecer quando acaba a conversa.

Quando ninguém muda de ideia porque ninguém mais escuta, a sociedade entra em modo permanente de tensão. Cada eleição vira uma batalha final. Cada governo parece o fim do mundo.

E viver assim cansa.

Cansa o trabalhador, cansa a família, cansa a mente.

Reflexão final — o pensamento que incomoda

Talvez a pergunta mais importante não seja quem está certo politicamente.

Talvez seja outra:

Quem ganhou quando brasileiros começaram a se odiar?

Porque enquanto nós brigamos na mesa do almoço, alguém continua decidindo orçamento, salário, imposto, preço da comida e futuro do país longe do barulho.

O cidadão comum perdeu amigos.

Perdeu paz.

Perdeu diálogo.

E o mais assustador é perceber que muita gente já acha normal não poder conversar.

Uma democracia forte não é aquela onde todos concordam.

É aquela onde pessoas que discordam ainda conseguem rir juntas depois.

Se chegou ao ponto em que falar de política virou risco… talvez o problema já não esteja apenas nos políticos.

Talvez esteja no dia em que deixamos de enxergar o outro como vizinho — e passamos a enxergar como inimigo.

E quando uma sociedade começa a ter medo de conversar…

ela já começou, lentamente, a esquecer como ser livre.

Ass : André Luiz Thiago também conhecido por André negrão.

FONTE:

https://www.facebook.com/profile.php?id=100002807573028&locale=pt_BR 




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