RS, menor crescimento econômico

Rio Grande do Sul perde ritmo e registra o menor crescimento econômico do país em duas décadas, aponta estudo
Por Felipe Vieira
O Rio Grande do Sul foi o estado brasileiro que menos expandiu sua economia entre 2002 e 2023. A conclusão faz parte da primeira edição da série "Estudos em Crescimento Econômico e Produtividade", elaborada pelo Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (IFEP-RS), que analisa as razões da perda de dinamismo da economia gaúcha e busca identificar os desafios para a retomada do crescimento sustentável.
O levantamento mostra que, ao longo de 21 anos, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado avançou 34%, desempenho inferior ao da média nacional, que alcançou 58% no mesmo período. Entre os estados do Sul, a diferença também chama atenção: o Paraná registrou crescimento de 55%, enquanto Santa Catarina liderou a região com expansão de 65%.
A pesquisa aponta que o desempenho abaixo da média não se limita ao tamanho da economia. Quando o indicador analisado é o PIB per capita — que mede a renda gerada por habitante — o Rio Grande do Sul também aparece entre os resultados mais modestos do país. O avanço foi de 24% entre 2002 e 2023, abaixo do Paraná (31%) e apenas superior ao registrado por Santa Catarina (19%), cuja dinâmica populacional alterou significativamente essa comparação.
Segundo os pesquisadores, os três estados seguiram trajetórias bastante diferentes. Santa Catarina ampliou sua economia apoiada no crescimento populacional e na expansão do mercado de trabalho. O Paraná combinou crescimento econômico com expressivos ganhos de produtividade, elevando a renda média da população. Já o Rio Grande do Sul não conseguiu se destacar em nenhuma dessas frentes, o que contribuiu para sua perda relativa de competitividade.
O estudo também analisa quais fatores impulsionaram a evolução da renda por habitante. No Paraná, aproximadamente três quartos desse avanço foram explicados pelo aumento da produtividade do trabalho. Em Santa Catarina, o crescimento ocorreu de forma mais equilibrada entre ganhos de produtividade e ampliação da população ocupada. No caso gaúcho, embora a produtividade tenha exercido papel importante, a expansão do emprego teve peso relativamente maior, um modelo que tende a enfrentar limitações diante do envelhecimento da população e do baixo crescimento demográfico.
Outro dado destacado pelo IFEP-RS mostra que a vantagem histórica do Rio Grande do Sul em produtividade praticamente desapareceu ao longo das últimas duas décadas. Entre 2002 e 2023, a produtividade do trabalho no Estado cresceu, em média, 0,65% ao ano, ritmo inferior à média brasileira, estimada em 0,94% ao ano.
Para o diretor-executivo do IFEP-RS, Lucas Schifino, o diagnóstico revela que o principal desafio gaúcho vai além da simples retomada do crescimento econômico. Segundo ele, o Estado deixou de contar tanto com o impulso demográfico observado em Santa Catarina quanto com os ganhos de eficiência registrados pelo Paraná, tornando a produtividade o principal fator capaz de sustentar aumentos de renda e competitividade nos próximos anos.
Na avaliação do presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e do IFEP-RS, Luiz Carlos Bohn, compreender as razões dessa perda de desempenho é essencial para orientar políticas públicas e estratégias de desenvolvimento. Para ele, a construção de um ambiente mais favorável aos investimentos e ao aumento da produtividade será determinante para recuperar a capacidade de crescimento da economia gaúcha.
Esta é a primeira publicação de uma série de estudos que serão divulgados pelo IFEP-RS nos próximos meses.
As próximas análises deverão aprofundar temas como os impactos das mudanças demográficas sobre o mercado de trabalho, os fatores que influenciam a produtividade e a forma como a estrutura econômica do Estado interfere em sua capacidade de crescer. O objetivo é identificar os obstáculos que reduziram o dinamismo da economia gaúcha e apontar caminhos para que o Rio Grande do Sul volte a ampliar sua renda e sua competitividade de forma consistente.
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