Sobre a Venezuela

Sobre a Venezuela

 

Sobre a Venezuela

Conceição Paludo

Se o Brasil se alinha aos EUA, e ao grupo de Lima, para intervir na Venezuela, atenção, não é a Venezuela que está equivocada! Sobre soberania, aprofundamento da democracia, a lei do desenvolvimento desigual e combinado e conflitos. Essa lei, do desenvolvimento da sociedade capitalista, que se deve a Trotsky, anuncia que para existir a acumulação, concentração e centralização de capitais, tanto na relações entre paises, como nas relações no interior de um país, aos nichos de opulência e o dito desenvolvimento econômico e tecnológico, ao mesmo tempo, corresponde o seu oposto, a pobreza e o dito subdesenvolvimento. Isso ocorre, como já foi escrito, no capitalismo, cuja a lógica é incorrigível, como diz Meszaros. E é essa lei do desenvolvimento, na perspectiva do capital, ainda que não exclusivamente, a que contribui para o entendimento da problemática da soberania que, por sua vez, tem implicações nos aspectos acima citados. Cada vez que um estado capitalista possui um governo que tenta implementar um projeto de nação de dentro para fora e de baixo para cima, que busque aprofundar a democracia substantiva, põe em risco essa lei, e os mecanismos que a sustentam: no mínimo, a exploração do trabalho, a expropriação das riquezas e o controle das mentes e subjetividades. Aí, instaura-se o conflito. E não há alternativas: ou cede, ou luta. A Venezuela luta! De um lado a burguesia interna, aliada com a Internacional, setores das classes médias, mídias, armas, setores populares e intelectualidade, etc., e, de outro, o governo com amplos setores populares organizados, setores mais conscientes das classes médias e intelectuais, mídias, o aparelho repressivo, etc., que sustentam a soberania, ou seja, o direito de construir, de forma autônoma o seu destino. A burguesia interna, articulada com a externa, busca deslegitimar os processos e justificar intervenções (golpes) de fora para dentro, com apoio interno, em nome de uma democracia que, sabemos, de substantiva não tem nada: vide processo brasileiro: golpes, privatizações, aumento da concentração de capitais e aumento da pobreza, desqualificação e flexibilização do trabalho, disseminação do ódio, etc. O conflito, que é terrível, causa dor e morte, não é fundado e nem fundamentado, por parte dos que assumem o papel de guardiões da democracia, no 'bem, na verdade e no belo': justiça social, respeito as individualidades, soberania,... - sociedade do bem viver! O que necessita ser compreendido, é que para a Venezuela não há alternativas: ou se submete ou luta. E, certamente, não é em nome dessa democracia, que elege a barbárie ao invés da civilização, com neoliberalismos e neofacismos, que a Venezuela cederá. E, em nome disso, ressuscitam a já ultrapassada, mas não tanto, guerra fria! Há um projeto em curso para a nossa America Latina! Aonde vamos parar? Vai depender da capacidade de resistência, sustentada em análise da realidade, e não pseudo análises, concretizada na disputa de visões sociais e também pela ação concreta. Nada é impossível até que não aconteça! Na direção das estrelas, e alcançar as estrelas, pode implicar em sofrimento, as vezes profundo, é o que ocorre com o povo Venezuelano. O petróleo é deles e o direito de forjar o seu destino também! Tenho constrangimento, de uma certa esquerda, que em nome disso, que na atualidade a burguesia e seus representantes chamam de democracia, não apóiem a Venezuela nessa disputa, que ela não aprecia e nem queria, mas que lhe foi e está sendo imposta. Todo apoio para a Venezuela!

 

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