Terrivelmente pixuleco

Terrivelmente pixuleco

 

 

TERRIVELMENTE PIXULECO

Texto autoral, Thomas de Toledo  -  imagem por IA

Ontem foi a sessão do STF em que o ministro "terrivelmente evangélico" e seus amiguinhos bolsonaristas acreditavam que jogariam Xandão na fogueira. Se não desse certo, pelo menos provocariam o caos e depois dariam argumentos para melar as eleições. O que aconteceu foi exatamente o contrário.

Em primeiro lugar, ficou nítida a pequenez dos ministros bolsonaristas. Kassio com "K" saiu de fininho, fingindo que ninguém tinha visto as mensagens indicando que Vorcaro teria pago R$ 10 mil pra uma puta tomar um cafezinho com ele. Mas, como um bom pai de "família tradicional brasileira", ao mesmo tempo em que jantava o presente do Epstein brasileiro, aparecia ainda nas revelações combinando uma viagem para Viena com a esposa e os filhos.

André Mendonça entrou pequeno e saiu minúsculo. Ele, que foi o pivô de toda a crise, acabou sendo desmascarado ao vivo, na frente do país todo. Gilmar Mendes expôs aquilo que classificou como movimentos de inequívoco viés político-eleitoral na atuação de Mendonça. As datas escolhidas, as ações coordenadas com o calendário eleitoral, suas infames pregações de crente paspalho para ser chamado de "ungido" pela dona Michelle: tudo jogado no ventilador ao vivo, para todo mundo ver.

Os neobolsonaristas Luiz Fux, Edson Fachin e Dias Toffoli foram engolidos pela tempestade. Fux, com sua peruca colada na cabeça, teve que reaprender noções básicas de direito com Flávio Dino. Não poderia falar muita coisa porque o brilhante filho de Fux costumava "estender o tapete vermelho" para Vorcaro e aparece agora associado a camarote no Carnaval do Rio e outras benesses do banqueiro mafioso, enquanto o simples jovem advogado se transformava num empreendedor milionário.

Toffoli, depois das revelações sobre seus negócios ligados ao universo de Vorcaro, declarou-se impedido de julgar, mas disse que vai assistir a tudo e falar o que for necessário. outro que saiu de fininho.

Fachin teve que aceitar que ter sido um molenga expôs o STF a essa fogueira da opinião pública. Seus movimentos para beneficiar Mendonça foram desmascarados por Flávio Dino, que batia com luva de pelica e elogiava para bater mais um pouquinho, com elegância. Como um sujeito medíocre como Fachin pode presidir uma corte suprema?

Aliás, para ser membro do STF, é preciso "notável saber jurídico". O que vimos foi exatamente uma aula de direito ministrada por Xandão, Gilmar e Dino. Ao contrário dos bolsonaristas, que foram colocados lá só pra formar uma "bancada", goste-se ou não deles, são extremamente qualificados na profissão.

Xandão não tem nada de santo. Mas, como o teatro foi montado para sua execração, jogou titica de galinha no ventilador. Mostrou que Mendoncinha tinha muito mais envolvimento com Vorcaro do que queria admitir. Disse, perante as câmeras de todo o Brasil, que tinha delegados, advogados e policiais federais como testemunhas de que foram coagidos a ser seletivos com as investigações. Ou seja, era uma Lava Jato 2.0 que foi desmascarada.

Sim, Xandão salvou a República de um golpe. Mas também deitou no berço esplêndido de Vorcaro e vai ter que ser investigado. O Brasil quer isso e precisa disso. Mas, como ele de bobo não tem nada, amarrou a perna de Mendonça e o trouxe pra inquisição sob a acusação de agir eleitoralmente em benefício do grupo político que tentou dar um golpe em 8/1/23.

Dos 10 atuais ministros do STF, só 3 não tiveram seus nomes arrastados para as revelações envolvendo Vorcaro: Dino, Zanin e Cármen Lúcia. A pobre coitada, no meio dessa homarada, mostrou ponderação e equidade ao propor julgar separadamente Moraes e também Mendonça. Dino, sem dúvida, foi a estrela da sessão. Brilhou e colocou cada um dos oportunistas em seus devidos lugares.

Moral da história: o "terrivelmente crente", que há poucos dias soltou um vídeo ao "povo de deus" para pedir orações, foi desmascarado. Suas atitudes eleitoreiras não funcionaram e ele acabou na mesma fogueira que armou pra seu colega. Foi chamado de "Pixuleco" depois que teve seu boneco inflável na Avenida Paulista exposto no meio das hipocrisias de quem se apresenta como representante do deus da bíblia, mas que, no fundo, nunca passou de um minúsculo bolsonarista.

Dino acabou com a festa pedindo vista, o que pode empurrar os julgamentos pra depois das eleições. Agiu como um adulto na sala, enquanto a bancada bolsonarista no STF foi exposta por sua pequenez, mediocridade e seletividade.

Agora que essa paspalhice foi desfechada, será que podemos começar a discutir projetos para o Brasil em vez de quem rouba mais? Chega! Que o diabo carregue essa crentelhada, que Lula se reeleja e que aprenda a indicar ministros certos pro STF. Já pensou se tivessem dois crentes ontem no tribunal? Que a Deusa Atena nos livre dessa desgraça.

FONTE:

Thomas de Toledo




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