Todo mundo na escola esta doente
Não é normal todo mundo na escola estar doente.
E eu não estou falando só de professor.
Estou falando da merendeira com dor na coluna, ombro e joelho.
Da auxiliar sobrecarregada.
Da monitora que segura sala sem estrutura.
Do pessoal da limpeza exposto a produto, peso e esforço repetitivo.
Do administrativo engolindo pressão, cobrança e acúmulo de função.
E, claro, do professor com ansiedade, depressão, rouquidão, crise de pânico, insônia, dor crônica e exaustão.
A escola deveria ser ambiente de formação.
Mas, em muitos municípios, virou ambiente de adoecimento.
Falta servidor.
Falta estrutura.
Falta auxiliar.
Falta material.
Falta respeito à jornada.
Falta segurança.
Falta acolhimento real.
Falta política séria de saúde do trabalhador.
E quando o servidor adoece, o sistema tenta transformar tudo em problema individual:
“é emocional”
“é idade”
“é falta de preparo”
“é normal da profissão”
“sempre foi assim”
Não. Não é normal.
Não é normal uma merendeira trabalhar por duas ou três.
Não é normal professor enfrentar sala superlotada sem apoio.
Não é normal servidor tomar remédio para conseguir entrar no trabalho.
Não é normal perder a voz, a coluna, o sono e a saúde para manter a escola funcionando.
O servidor da educação precisa parar de tratar adoecimento como fraqueza.
Adoeceu?
Documente.
Guarde laudos.
Peça prontuários.
Registre a evolução.
Guarde atestados.
Relate sua rotina ao médico.
Mostre a sobrecarga.
Mostre o ambiente.
Mostre o nexo com o trabalho.
Porque doença sem prova vira “problema seu”.
Doença documentada pode virar direito.
Pode gerar readaptação.
Pode gerar restrição de função.
Pode gerar indenização.
Pode gerar responsabilização do município, conforme o caso concreto.
A escola não pode continuar funcionando às custas do corpo de quem trabalha nela.
Na sua escola, os servidores estão saudáveis ou todo mundo já normalizou trabalhar doente?
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