A besta está solta

A besta está solta

A BESTA ESTÁ SOLTA

 

 

 

A besta do bolsonarismo está solta, embora alguns de seus pais e filhotes estejam presos.

Não é sobre esquerda e direita. Nunca foi. É sobre limite, respeito e o que se aceita ser.

​O que espanta não é o desastre daquele governo, é o orgulho. O peito estufado e a satisfação ao dizer: “sou bolsonarista”.

​Orgulho de quê?

​Escolheram como mito um deputado do baixo clero. Trinta anos de Congresso. Tempo pago com dinheiro público para aprender. Sem nada produzir. Trocou de partido como quem troca de camisa, não apresentou projetos relevantes, votou contra o trabalhador e fez carreira exaltando o machismo, a homofobia e a tortura.

​Isso é força? Ou vazio?

​Não há virtude em normalizar a morte, coragem em rir da dor, nem caráter em fazer da crueldade identidade. Não é opinião política — é escolha. E escolha repetida vira caráter. Escolha por não se importar. Por desumanizar. Por chamar brutalidade de valor.

​Família, moral e costumes viraram slogans — úteis para policiar o vizinho, irrelevantes para o espelho. Diz-se católico de IBGE, mas usa o neopentecostalismo como base de aluguel. A fé é figurino: veste quando convém, descarta quando a ética atrapalha, desde que renda palanque e poder.

​Não faltou informação. Os dados, as mortes e a ciência estavam lá. Persistir foi decisão. Defender ainda hoje é posição.

​Não aceito o enquadramento confortável da "divergência". Divergência pressupõe respeito. Aqui houve desprezo, escárnio e gozo com o sofrimento alheio.

​Isso não é direita. Não é conservadorismo. É autoritarismo moral travestido de virtude.

​Quem se orgulha disso pode gritar. Não me intimida. Limpar o terreno é dizer: daqui não passam. Há limites que não se negociam.

​Porque onde a barbárie vira orgulho, a omissão vira cúmplice.

Tatiana Calmon

31.12.25

FONTE:

Zonacurva 




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