Assédio em escolas cívico-militares
Denúncias de assédio em escolas cívico-militares do Paraná são reveladas pela BBC
Reportagem da BBC News Brasil aponta casos de abusos sexuais e verbais contra alunas, além de falhas na transparência dos processos envolvendo monitores militares desligados desde 2021
Por Redação Plural
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Criadas em 2021 com o objetivo de garantir mais segurança aos estudantes e reforçar a disciplina, as escolas cívico-militares do Paraná vêm sendo alvo de críticas e, mais recentemente, de denúncias de assédio e violações sexuais contra alunas.
Segundo reportagem publicada pela BBC News Brasil, ao menos quatro casos de abusos foram registrados em instituições do Estado, resultando em investigações policiais, atualmente sob sigilo, e em demissões de monitores militares.
Em paralelo, dados da Secretaria de Educação do Paraná (Seed-PR) e publicados pela BBC, apontam que, desde 2022, já foram instaurados cerca de 400 procedimentos administrativos em escolas tradicionais para apurar supostos casos de assédio sexual cometidos por funcionários civis. Nesses casos, a própria Secretaria conduz as apurações, e os processos são divulgados no Portal da Transparência.
No modelo cívico-militar, porém, a responsabilidade recai sobre a Secretaria da Segurança Pública e as polícias. Questionada pela BBC, a Ouvidoria da Polícia do Paraná negou fornecer informações sobre o número de processos instaurados contra militares, alegando falta de “justificativa plausível” para o pedido. A negativa contraria a Lei de Acesso à Informação (LAI), que proíbe órgãos públicos de exigir a motivação da solicitação.
Um levantamento da BBC News Brasil identificou ainda que mais de 300 monitores militares foram desligados desde a criação do programa, em 2021. Os motivos, no entanto, não são informados publicamente. As regras permitem desligamentos por problemas de saúde, transgressões graves ou a pedido do próprio militar, mas o Portal da Transparência não detalha os casos.
Entre os episódios revelados, está um processo judicial em sigilo em Cornélio Procópio, que reúne relatos de nove alunas. O inquérito aponta que um monitor teria tocado partes do corpo das estudantes ao “chamar a atenção ou conversar”. A investigação foi instaurada em 2023, mas o militar só foi desligado em 2025. Após as denúncias, ele foi afastado do contato direto com os alunos e mantido em funções administrativas.
Além dos casos de assédio físico, há também relatos de assédio verbal. Uma ex-estudante da escola cívico-militar Júlio Mesquita, em Curitiba, afirmou ter ouvido de um monitor militar, em 2024, a frase: “Se vierem com essa roupa de novo, vou levar vocês para a esquina.”
Confira a matéria completa da BBC News Brasil (aqui).
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