Assédio moral por índice de reprovação
Assédio moral por trás da queda no índice de reprovação na educação do RS
Raquel Teixeira, secretária da educação do governo Leite, em entrevista ao jornal Zero Hora comemorou a queda de 12,5% para 7,7% nos índices de reprovação dos alunos das escolas estaduais. O que ela não revela é como esses índices baixaram. Assim, faz parecer que houve investimento em educação, em qualificação e melhores condições de trabalho para os educadores. O que houve, na verdade, foi assédio moral para cima de professores que reprovaram alunos. Eduardo Leite e Raquel Teixeira querem fazer uma mágica, ou melhor, um truque de ilusionismo: melhorar os índices sem investir em educação, custe o que custar, inclusive a produção de toda uma geração que passa pela escola sem aprender.
Redação Rio Grande do Sul sexta-feira 13 de fevereiro
As salas de aula seguem super lotadas, as professoras sobrecarregadas e com pouca hora atividade, em alguns casos atendendo mais de 650 alunos. Sem falar das escolas que tem problemas estruturais, Raquel Teixeira fala de um suposto avanço pedagógico. A formação pedagógica oferecida online apresentou diversos problemas de acesso, e quem pode acessar assistiu um delírio muito fora da realidade do chão da escola. Na formação se falou que as escolas são comunidades de aprendizagem, porém o governo atacou a gestão democrática das escolas e não perdeu de vista ainda o plano de privatizar o administrativo de 99 escolas. Que condições reais temos para efetivamente sermos comunidades de aprendizagem?
O trabalho precário avança entre a juventude. Jovens aprendizes explorados em hipermercados como na rede Zaffari, outros jovens trabalhadores sendo ultra explorados por aplicativos ou em trabalhos informais para ajudar a sustentar suas casas, acabam abandonando a escola. Aí, Raquel Teixeira omite a evasão escolar e fala em diminuição da natalidade e que por isso que as matrículas vem diminuindo. Como escreveu José Faleiro "Mas em que mundo tu vive ein?" De fato são dois mundos: um é o mundo do gabinete de Raquel Teixeira; outro é o mundo do cotidiano escolar, dos desafios do chão da escola. Nesse segundo, existem problemas sociais, familiares, violência, fome, tudo levado para dentro das escolas de alguma forma e acolhido pelas equipes de professoras e professores, funcionárias, monitoras sem apoio algum do estado. Este ano, no entanto, a procuta aumentou, existem 26 mil novas matrículas para o primeiro ano do Ensino Médio. Será um setor da juventude que sofreu com a brutal crise social pós enchentes voltando a tentar concluir o Ensino Médio?
A sensação é de abandono, tudo isso sem falar no salário, que no caso dos funcionários está congelado há mais de 11 anos e os professores com reposições ridículas nesse período. Raquel Teixeira conta com o silêncio das ruas, por isso pode dar uma entrevista como essa sem se sentir mal. O silêncio das ruas, por sua vez, em grande medida é parte do silêncio das direções sindicais, que no caso do CPERS (dirigido pelo PT/PCdoB/Psol), não constrói uma campanha séria de greve desde 2019-20. Momento em que Leite patrolou nossos direitos.
O governo Leite gasta vertiginosamente mais em presídios e polícia do que em educação. A educação dá medo, imagina se ela dá certo? Imagina se os jovens estudantes começam a aprender de fato e a questionar? Imagina se começam a se organizar e a perceber tudo o que lhes é roubado? Não é à toa que a educação é atacada, é porque ela é perigosa. O truque de marketing de Leite e Raquel Teixeira no entanto, é atacar parecendo que estão investindo e que está tudo lindo e maravilhoso.
Precisamos nos organizar em reuniões democráticas pela base em cada escola, e debater tudo o que nos ataca. Somente uma organização desde baixo pode pressionar por uma grande campanha de mobilização que lute para recuperar todos os nossos direitos perdidos, como o plano de carreira e a bonificação de difícil acesso. Por um plano de lutas que retome a batalha pela revogação do Novo Ensino Médio, que batalhe pela verdadeira educação de qualidade, que só é possível se os profissionais da educação forem devidamente valorizados.
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