Ataque à identidade dos estudantes
A ‘lapidação’ militar e o ataque à identidade dos estudantes
Obrigar meninas a manter os cabelos presos e meninos a exibirem cortes ‘discretos’ e curtos não é um ato de organização escolar, e sim de padronização violenta
POR HAMILTON HARLEY - 04.02.2026
As imagens que chegam das primeiras escolas estaduais paulistas sob o modelo cívico-militar são perturbadoramente familiares: filas rigidamente alinhadas, revistas matinais e regras que ditam até a cor e o estilo do cabelo dos estudantes. Matérias recentes da imprensa escancaram um projeto que vai muito além de uma simples mudança administrativa. Trata-se da implementação de uma lógica de controle que mina os pilares da educação democrática e ataca a formação da identidade de nossas crianças e adolescentes.
Como cidadãos e cidadãs, não podemos observar essas regras como meros “combinados de convivência”. Elas são a ponta do iceberg de uma visão autoritária que enxerga o estudante não como um sujeito de direitos em em formação, mas como um objeto a ser “lapidado” — para usar o termo empregado pelos próprios monitores militares. Essa lapidação começa pelo corpo, território primeiro da identidade e da autonomia pessoal.
Obrigar meninas a manter os cabelos presos e meninos a exibirem cortes “discretos” e curtos não é um ato de organização escolar. É um ato de padronização violenta. Quem define, afinal, o que é um “corte discreto” ou “muito chamativo”? Quais os parâmetros estéticos e, sobretudo, culturais que sustentam essa definição?...







