Avaliação na sequência didática

Avaliação na sequência didática

“Ela pode ser aplicada em qualquer etapa de ensino ou disciplina: para explicar gênero textual, um conceito de ciências ou uma dificuldade de matemática”, exemplifica. Ao pensar em uma sequência didática, o professor pode prever algumas atividades-chaves e deixar outras em aberto, a serem desenvolvidas de acordo com as dificuldades dos alunos sobre a temática que surgirem na jornada.

Todas essas atividades permitem ao professor avaliar a aprendizagem da classe. “Uma avaliação na sequencia didática é processual e contínua, ou seja, acontece em diferentes momentos do processo”, explica a formadora de professores e docente de linguística na Universidade Estadual de Londrina (UEL) Juliana Reichert Assunção Tonelli.

Diagnóstico é marcador

A primeira atividade, que será disparadora da sequência didática, deve ter caráter de avaliação diagnóstica. “Ela proporcionará um panorama das dificuldades e conhecimento prévios dos alunos sobre o tema a ser ensinado. Pode se dar por meio de qualquer instrumento: oral, escrito ou mesmo desenho”, assinala Bauer.

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A análise dos resultados nessa primeira atividade pautará as que virão na sequência. Por sua vez, essas ações planejadas no meio do percurso possibilitam ver quanto os alunos caminharam desde a avaliação diagnóstica. Segundo Tonelli, isso oportuniza um momento para os alunos revisitarem tópicos e refazerem exercícios que erraram anteriormente. “Eles podem identificar fragilidades e produzir. Assim como o professor consegue reavaliar práticas e se os objetivos propostos estão sendo atingidos”, ressalta a linguista. As avaliações de meio de percursos podem acontecer por meio de um texto ou de outro produto. “O docente analisa seus resultados e, se desejável, pode atribuir uma nota a eles”, recomenda Bauer.

Flexibilidade na aplicação

Na sequência didática, é possível avaliar tanto questões processuais como conceitos e atitudes dos alunos. “Como ela é pensada para atingir um objetivo específico, a avaliação também deve estar relacionada a ele”, justifica Bauer. Para isso, são necessários critérios claros e o entendimento de que a avaliação é formativa, não seletiva – caso da prova tradicional.

“Ou seja, não é uma prova única e voltada a uma nota numérica. Mudar essa concepção é necessário”, acrescenta a pesquisadora. Também é possível fazer a avaliação na sequencia didática via ensino remoto. “É ainda mais importante nesta conjuntura por focar na aprendizagem, não apenas em números”, diz Bauer.

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Assim, a avaliação na sequência didática pode ser aplicada em qualquer contexto escolar. Porém, dependendo da realidade da rede pública ou da escola, haverá desafios extras ao professor. “Ela exige um acompanhamento próximo dos alunos e tempo para analisar os resultados obtidos, algo mais difícil em classes superlotadas ou quando o professor necessita assumir aulas em diferentes escolas para complementar renda. Ainda assim, é possível: dependerá da articulação do tempo”, contextualiza Bauer. Em casos restritivos, o diagnóstico e o acompanhamento podem ser realizados por amostragem de alunos. “O objetivo é coletar informações que permitam escolher as próximas atividades que facilitarão a compreensão do conteúdo ensinado”, reforça a pesquisadora.

Devolutiva e intervenção

Para Bauer, os benefícios da avaliação na sequência didática estão justamente no caráter contínuo e formativo. “Identifico informações que não conseguiria com um instrumento apenas, caso de uma prova ao final do semestre. Esta não proporciona uma intervenção pedagógica para sanar as dificuldades durante a trajetória”, justifica. “A prova tradicional não tem devolutiva, retirando a chance do aluno de revisitar conteúdos e avaliar o que foi apropriado do conteúdo ensinado”, complementa Tonelli. “Outra vantagem é que, por não precisar necessariamente saber que esta sendo avaliado, o aluno pode ficar menos tenso”, reforça a formadora de professores.


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