Castração quimica

Castração quimica

 

 

CASTRAÇÃO QUÍMICA NÃO ACABA COM OS ESTUPROS: ENTENDA O PORQUÊ!

Amigas, precisamos conversar sobre essa questão que é muito séria. Nós não podemos aceitar que uma proposta MENTIROSA apresentada como solução pra violência sexual seja confundida com uma política comprovadamente capaz de proteger nossas vidas. Pois não é!

A nossa indignação é legítima. Queremos justiça, responsabilização e, acima de tudo, que nenhuma mulher ou criança passe por esse tipo de violência. É justamente por isso que precisamos entender o que realmente funciona para combater esse crime, em vez de acreditar em soluções aparentemente simples pra um problema tão complexo.

A castração química costuma ser apresentada como uma resposta definitiva aos estupradores. A promessa parece convincente né, apenas administrar medicamentos pra reduzir a testosterona e o desejo sexual do agressor, impedindo que ele volte a cometer o crime...

Só que existe um problema fundamental nessa suposta "solução"- estupro não é sinônimo de desejo sexual descontrolado. E reduzir o desejo sexual de alguém não significa eliminar sua capacidade ou sua disposição pra praticar violência.

Vamos entender melhor isso ok?

🟥 O QUE É, DE FATO, A CASTRAÇÃO QUÍMICA?

Apesar do nome, castração química não consiste na retirada dos órgãos sexuais. Ela envolve a administração de medicamentos que podem reduzir a produção ou a ação de hormônios sexuais, especialmente a testosterona, diminuindo a libido e determinadas fantasias ou impulsos sexuais.

Esses medicamentos existem e podem ter utilidade clínica em situações específicas, sob acompanhamento médico.

O problema começa quando se transforma um possível recurso terapêutico pra determinados indivíduos em uma suposta solução geral pra crimes de estupro...

Uma coisa é reduzir o desejo sexual de uma pessoa. Outra, completamente diferente, é impedir que ela agrida, ameace, subjugue ou viole outra pessoa.

São coisas distintas!

🟥 ESTUPRO NÃO É SIMPLESMENTE EXCESSO DE DESEJO SEXUAL

Este é um dos pontos mais importantes de toda essa discussão.

O estupro pode envolver desejo sexual, mas também pode estar relacionado à busca por poder, controle, dominação, humilhação e à convicção de que o agressor tem o direito de impor sua vontade sobre outra pessoa.

O consentimento é o elemento central. Uma relação sexual sem consentimento não deixa de ser violência nem quando a vítima era sua companheira e ele afirma que "perdeu o controle".

Imagine um homem que acredita que sua esposa é obrigada a manter relações sexuais com ele, mesmo quando ela diz não. O problema aí não é a quantidade de testosterona desse homem. O problema é que ele desrespeita a autonomia e o direito da mulher de decidir sobre o próprio corpo.

Agora imagine um agressor que utiliza ameaças, força física ou intimidação pra subjugar uma vítima.

Se um medicamento reduzir sua libido, isso não significa que ele passará a respeitar a vontade das mulheres. Tampouco significa que perderá a capacidade de ameaçar, agredir ou utilizar outros meios para violentá-las como mãos, dedos, objetos.

O medicamento pode reduzir determinados impulsos sexuais, mas não instala automaticamente no indivíduo consciência, empatia, respeito ou compreensão do que é consentimento.

É por isso que não podemos confundir controle hormonal com prevenção da violência sexual. Estupro é muito menos sobre sexo e muito mais sobre imposição de poder.

🟥 MESMO QUE O DESEJO SEXUAL DIMINUA, O RISCO DE VIOLÊNCIA NÃO DESAPARECE AUTOMATICAMENTE

➡️A violência sexual não depende de uma única causa. Ela envolve diferentes fatores individuais, relacionais, sociais e culturais.

➡️A Organização Mundial da Saúde reconhece, entre os fatores associados à violência sexual, a desigualdade de gênero, as atitudes que normalizam a violência, a sensação masculina de ter direitos sobre mulheres/meninas e as relações marcadas pelo controle e pela desigualdade de poder.

➡️Isso significa que o problema não pode ser explicado exclusivamente pela biologia.

➡️Um homem pode ter a libido reduzida e continuar apresentando comportamentos violentos, possessivos, coercitivos ou misóginos.

➡️A violência também pode ser praticada por meio de ameaças, intimidação e exploração de situações de vulnerabilidade. Em crimes de exploração sexual e tráfico de pessoas, por exemplo, interesses econômicos e relações de poder podem ter papel central.

Portanto, não basta diminuir um hormônio e imaginar que o problema foi resolvido.

Se a disposição para dominar e violentar continua existindo, reduzir a libido não garante que a violência deixará de acontecer.

Isso não significa que todos os estupros tenham a mesma motivação, nem que medicamentos sejam absolutamente inúteis em todos os casos. Significa que não podemos tratar uma realidade tão diversa como se tivesse uma única explicação hormonal. Ainda mais quando estamos falando sobre política pública!

🟥 MAS SERÁ QUE A CASTRAÇÃO QUÍMICA NÃO DIMINUI A REINCIDÊNCIA?

É importante responder isso com toda honestidade.

Medicamentos que reduzem a libido podem ajudar ~determinados~ pacientes, especialmente quando existe uma ~indicação clínica~ relacionada a impulsos sexuais problemáticos. Alguns estudos também sugerem benefícios em situações específicas.

Entretanto, isso não autoriza afirmar que a castração química seja uma solução comprovada pra acabar com os estupros EM GERAL ou que funcione igualmente para todos os agressores.

➡️Uma revisão da Cochrane, organização internacional que avalia evidências científicas em saúde, examinou estudos sobre medicamentos utilizados em pessoas que cometeram crimes sexuais ou apresentavam risco de cometê-los. A revisão identificou limitações importantes na qualidade das evidências, incluindo problemas metodológicos e abandono dos tratamentos.

Pra demonstrar que uma política reduz a violência sexual, não basta mostrar que um medicamento diminui a testosterona ou o desejo sexual. É necessário investigar se ele realmente reduz novos crimes, em quais grupos, por quanto tempo e em comparação com outras intervenções.

Também é preciso considerar a adesão ao tratamento, o acompanhamento médico, os efeitos adversos e o que acontece quando a medicação é interrompida.

➡️A conclusão científica responsável não é que esses medicamentos funcionam. É que não existe base suficiente para tratá-los como uma solução universal, infalível ou capaz de eliminar os estupros.

E há um risco enorme entre admitir uma possibilidade terapêutica e vender uma promessa de segurança que as evidências não garantem!

🟥 O ESTUPRO É UM PROBLEMA DE PODER, DE DESIGUALDADE E DE RESPONSABILIDADE

Precisamos enfrentar uma ideia MUITO PROBLEMÁTICA enraizada no senso comum: a de que os homens seriam dominados por seus instintos sexuais e, por isso, a violência seria quase inevitável quando esses instintos não fossem controlados.

Não. Homens não são animais incapazes de compreender limites, e a violência sexual não é uma consequência inevitável da testosterona.

Homens são responsáveis por suas ações.

A educação, a socialização, as relações de poder, a maneira como a sociedade trata as mulheres e a responsabilização dos agressores também importam.

Quando um menino aprende que insistir depois de ouvir um não é prova de masculinidade, que ciúme é demonstração de amor, que a mulher deve obediência ao homem e que a sexualidade masculina precisa ser satisfeita a qualquer custo, estamos diante de padrões culturais que precisam ser questionados.

Quando a sociedade culpa a roupa da vítima, investiga seu comportamento sexual ou pergunta por que ela não reagiu, enquanto procura desculpas pra limpar a barra do agressor, ela contribui pra manutenção de uma cultura que dificulta o enfrentamento da violência.

Isso significa reconhecer que prevenir a violência exige muito mais do que intervir nos hormônios de quem já cometeu um crime.

Não é a mulher que precisa aprender a evitar provocar a violência masculina. É o homem que precisa aprender a respeitar o consentimento, e é a sociedade que precisa deixar de tolerar a violência!

🟥 ENTÃO, O QUE REALMENTE PRECISAMOS FAZER PRA COMBATER OS ESTUPROS?

➡️Precisamos de políticas públicas que atuem em diferentes frentes, antes e depois da violência.

➡️Precisamos de educação pra entender e respeitar o consentimento e pra promover e respeitar a igualdade de gênero, desde a infância, ensinando que ninguém tem direito sobre o corpo de outra pessoa.

➡️Precisamos enfrentar a cultura do estupro, o machismo e a ideia de que mulheres devem submissão sexual aos homens.

➡️Precisamos de delegacias preparadas pra acolher vítimas sem humilhação, investigações eficientes, perícias realizadas adequadamente e processos que responsabilizem os autores, respeitando as garantias legais.

➡️Precisamos de atendimento psicológico, médico e social para as vítimas, além de proteção contra ameaças e represálias.

➡️Precisamos investigar os casos, combater a impunidade e aperfeiçoar os mecanismos de proteção de crianças e adolescentes, que estão entre as vítimas mais vulneráveis.

➡️Precisamos também de acompanhamento e intervenções específicas pra agressores, conforme a avaliação de cada caso, incluindo tratamento psicológico ou psiquiátrico quando indicado.

Em situações selecionadas, medicamentos até podem integrar esse acompanhamento. Mas devem ser entendidos como uma ferramenta possível, e não como substitutos da prevenção, da investigação, da responsabilização e da proteção das vítimas!

⚠️Nenhuma dessas medidas, isoladamente, garante o fim da violência. O enfrentamento exige ações articuladas, avaliação dos resultados e compromisso contínuo do poder público.

🟥 MULHERES, DESCONFIEM DE SOLUÇÕES MILAGROSAS PRA PROBLEMAS QUE EXIGEM POLÍTICAS PÚBLICAS SÉRIAS

Quando um político promete resolver o estupro com uma medida punitiva de grande apelo popular, precisamos perguntar: e qual é a evidência de que essa medida reduz os crimes? Em quais condições ela funciona? Quais são seus limites? Que outras políticas serão adotadas?

Uma proposta pode parecer dura e transmitir uma sensação imediata de justiça sem necessariamente oferecer a proteção prometida!

Punir é importante. Impedir que novos crimes aconteçam também é.

Mas uma coisa não substitui automaticamente a outra.

A indignação da população não pode ser utilizada como autorização pra apresentar uma medida de eficácia incerta como se fosse a solução definitiva pra um problema que destrói vidas.

O estupro é cometido por pessoas que violam o direito de outras pessoas. Se concentrarmos toda a discussão em hormônios, corremos o risco de tratar o agressor como alguém que simplesmente não consegue controlar o próprio corpo, um "doente", quando precisamos investigar sua conduta, suas escolhas e as circunstâncias que permitiram a violência. Tratar estuprador como "doente" favorece bastante a IMPUNIDADE e dificulta a autocrítica.

A proteção das mulheres não pode depender de slogans eleitorais, promessas de vingança ou soluções apresentadas sem evidências suficientes.

Precisamos de ciência, educação, prevenção, investigação, justiça e políticas públicas que enfrentem as causas e as condições que favorecem a violência sexual.

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Flávio Bolsonaro MENTE, em seu histórico político não consta atuação favorável aos direitos das mulheres, PELO CONTRÁRIO.

Não nos deixemos enganar! Pesquisemos, nos informemos de fato.

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Gi Stadnicki

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FONTE:

https://www.facebook.com/giovanna.stadnicki?locale=pt_BRV 




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