Delírio fascista como muleta

A crítica puritana hipócrita, aquela mesma que vive a serviço do “mimimi” seletivo, vai fingir escândalo agora. Vai dizer que “a esquerda está sendo cruel” porque ousa criticar o episódio, ousa rir, ousa expor, ousa apontar o dedo.
Mas aqui vai a verdade nua, sem perfume moralista e sem anestesia: estamos criticando sim. Estamos criticando não um acaso, mas uma organização inteira que se provou criminosa, que joga sujo há décadas, e que desde o lavajatismo criminoso virou escola oficial de sabotagem institucional. O que essa gente chama de “política” é, na prática, o teatro da chantagem, do oportunismo, do cinismo, da mentira repetida até virar paisagem.
E aí querem que a gente pare tudo e incline a cabeça em “apelo humanitário”?
Perdão, mas humanitarismo não é passe livre para a sujeira virar virtude de última hora.
Se existe um mínimo de coerência — coisa que essa fauna desconhece — então talvez possamos tolerar que o “bozosta” seja contemplado com tais reivindicações depois de cumprir algo semelhante ao que fizeram com Lula: 585 dias de contenção, tempo suficiente para aprender o que é limite, o que é consequência, o que é realidade. Tempo suficiente para estudar um pouco e voltar como gente, não como animal raivoso e estúpido em cosplay de Trump tropical, latindo “liberdade” enquanto pede tutela autoritária.
Sim: que provem do próprio veneno.
Porque é isso que fizeram com o país por séculos, com cara limpa e peito estufado.
Quase 480 anos no poder, e o que entregaram?
Favelas, descaso, desmandos, mediocridade estrutural, roubo com verniz e “condecorações” fúteis — o mau gosto como ideologia oficial, o atraso como identidade, a miséria como projeto de controle social. E tudo isso vendido como “ordem”, “família”, “patriotismo”, “Deus”.
E não, não se trata de vingança.
Vingança é coisa de quem se alimenta do ódio como método. A esquerda não nasceu dessa lama.
Mas não sejamos cínicos: ódio existe, e todo ser humano sente naturalmente diante da barbárie tosca. Não somos anjinhos. Não vamos fingir santidade enquanto a organização fascista tacanha posa de “sagrada”, na tentativa patética de nos enquadrar no tribunal moral que ela mesma jamais respeitou.
Então sim: fodam-se, até virarem gente, antes de posar de pseudoconservadores aristocratas de vitrine, debruçados em narrativas medíocres, vomitando moralismo para mascarar uma coisa simples: medo. Medo de enfrentar a própria liberdade. Medo de responder por suas ações. Medo de encarar que “conservadorismo” virou só uma etiqueta para sair incólume depois de fazer estrago.
Acham que apologia criminosa é fetiche da falácia que querem chamar de inocência?
Não é. É projeto.
E antes que a palhaçada fascista tente “lacrar” — como sempre fazem — dizendo que a esquerda quer a morte de alguém: não. Isso é mentira estratégica, covarde e velha. A extrema direita vive disso: inventar o inimigo mortal para justificar sua própria prática de desumanização.
Quem quer morte simbólica e social, quem quer “aniquilação” do outro, quem quer extermínio do dissenso, sempre foi esse campo. Eles desconhecem democracia. Eles não “erram” democracia: eles odeiam democracia. Eles apenas toleram as instituições enquanto podem capturá-las e as usam como arma contra o povo, depois choram perseguição quando o jogo vira contra eles.
E aí vem o “mimimi”… esse “mimimi” não é fragilidade, é ferramenta.
É o burburinho emocional fascista para manter o controle dos repetidores — os adeptos voluntários, acomodados na intimidação, ensaiando cumplicidade para usurpar direitos, para desviar verbas públicas, para chamar de “capital político” o cortejo da vergonha parasitária que aportou no Planalto por voto irresponsável.
E o pior: infestaram o mundo.
Em qualquer esquina brota o mesmo pacote: arrogância congênita, machismo estrutural, escravocrata, pseudoconservador, usando religião por conveniência, reunindo iguais apedeutas idólatras, famintos por vida fácil, sedentos por “privilégios” que nunca chegam, mas mesmo assim continuam mendigando ao mito que os humilha.
A pobreza que carregam não é só material — essa é trágica e real.
A pior é a de espírito: é a pobreza que precisa do delírio fascista como muleta, de plantão para dar o bote, para lacrar a bestialidade, para inverter o sentido das coisas e depois chamar isso de “valores”.
Por isso precisam da burrice.
Porque a burrice é o ambiente ideal onde a mentira respira sem resistência.
E aí eu pergunto, com todo o desprezo consciente que isso merece:
Se é burrice, então parem de reclamar.
Porque quem escolhe viver na ignorância como identidade não tem moral para exigir respeito quando o mundo aponta o dedo e diz: “chega”.
Acorda, Brasil.
FONTE:
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Do Moisés Mendes
Fracassarão todos os que tentarem abordar as consequências do raio na aglomeração em Brasília, se usarem as ferramentas de alguma racionalidade.
Porque nada do que é racional funciona para a extrema direita que tentou contatos com marcianos para aplicar o golpe e cantou o hino para pneus.
Dizem, como crítica mais previsível, que Nikolas Ferreira, se fosse de fato um líder, teria evitado um ajuntamento em meio a uma chuvarada.
Que autoridades da segurança deveriam ter interditado o local e determinado, e não não apenas orientado, que os manifestantes se afastassem dos equipamentos que contribuíram para formação do raio.
Nada disso terá repercussão alguma entre o bolsonarismo. Ninguém da extrema direita irá admitir que o comício deveria ter sido dispersado.
Ninguém irá atribuir responsabilidade alguma a Nikolas e aos organizadores da caminhada.
Também não funcionam entre eles as abordagens de parte das esquerdas, como deboche, de que o raio foi um aviso ao fascismo sem limites.
Eles entenderão que o acontecido foi sim uma mensagem a fiéis dedicados à defesa do líder preso, mas para que perseverem, mesmo com raios e trovoadas.
Não é preciso se esforçar muito para prever que o bolsonarismo dará ao episódio tons de dramaticidade bíblica.
Pouco antes da descarga elétrica, Michelle Bolsonaro havia publicado essa mensagem religiosa nas redes sociais: "É um evento pacífico, ordeiro, conduzido por Deus".
Os bolsonaristas, os que estavam em Brasília e os que acompanhavam de longe, têm certeza de que o significado transcendente do episódio vai favorecê-los sempre.
É possível até que alguns entendam que Nikolas atraiu o raio, para testar a fé dos seus seguidores, que caminharam mais de 200 quilômetros (enquanto ele parava em hotéis) até a provação imposta por Deus.
Deus não foi introduzido por Michelle na caminhada. Ele estava com os caminhantes desde o começo. Deus está sempre com a extrema direita, mas falha em eleições, golpes e romarias em defesa de anistias.
Um raio, nessas situações e com esses personagens como líderes, nem sempre será apenas um raio.
FONTE:
Via Claudia Freitas
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Divinas manifestações
Não sou do tipo de pessoa que mistura religião com política. Aliás, não gosto de misturar religião com nada. Acredito que cada pessoa tenha sua crença (ou descrença), e que o limite disso é algo íntimo, definido por cada um.
Também não desejo o mal “a quase ninguém”, como diria Lulu Santos. Por isso, não costumo explicar tragédias ou crises como “sinais do céu”, “castigo” ou qualquer tipo de intervenção sobrenatural.
Dito isso, eu sei que muita gente pensa diferente. No Brasil, a mistura entre religião e política é frequente, conveniente e visível, a ponto de existir, no Congresso, a chamada “bancada da Bíblia”.
E aqui vai um parêntese: nessa bancada, coincidência ou não, aparecem alguns dos piores tipos de políticos e seres humanos que eu conheço, gente que em nada se parece com o que Cristo pregava como comportamento de um seguidor de suas palavras. Não estou dizendo que todos são assim, mas a quantidade chama atenção.
Voltando ao ponto: as manifestações bolsonaristas.
Em 2022, logo após a derrota do então presidente, muita gente passou a contestar o resultado e foi para a porta de quartéis pelo país, pedindo “intervenção militar”. Em certo momento, em Brasília, uma tempestade forte arrancou barracas, alagou tudo e desanimou quem já estava com o ânimo por um fio. Na época, houve quem enxergasse ali não uma intervenção militar, mas “um recado divino”. Alguns desistiram e voltaram para casa e, no fim das contas, muitos desses acabaram escapando do fatídico 8 de janeiro e das consequências com a Justiça.
Pois bem. Na mesma Brasília, anos depois, um novo movimento prometia chegar à capital com propósitos muito parecidos e era aguardado por manifestantes. E, mais uma vez, o “acaso” tratou de repetir a cena: outra tempestade caiu sobre o grupo e, para completar, um raio atingiu várias pessoas. Dezenas teriam sido levadas ao hospital, vítimas de descarga elétrica.
Eu não vou atribuir fenômeno meteorológico a nenhuma entidade divina. Quem sou eu para isso? Mas é impossível não notar como certas “coincidências” parecem rondar esse tipo de mobilização, que, a meu ver, não caminha na direção do que é justo, democrático e decente."
Eduardo Meneses




