Diário da pandemia

Diário da pandemia

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Diário da pandemia:

Dia 513 do isolamento e 423 da flexibilização da realidade.

A publicação de ontem sobre a pobreza rendeu, hein? Teve gente expondo até quantas cabeças de gado tem, para provar sua riqueza; chegou uma hora que simplesmente parei de ler os comentários.

Tem gente tão pobre, mas tão pobre que precisa provar que é rica.

É engraçado que o brasileiro vê a palavra pobre como ofensa, enquanto a palavra rico, como o maior dos elogios.

Vejam, segundo o dicionário, o significado de pobre:

substantivo masculino e feminino

Pessoa que tem carência do necessário à sobrevivência.

[Pejorativo] Quem vive pedindo esmolas; pedinte.

adjetivo Sem dinheiro nem posses: pessoa pobre.

Que expressa pobreza; que aparenta falta do que é necessário à sobrevivência: população pobre.

Que não demanda esforço, criatividade nem elaboração: pobre de espírito.

De difícil produção ou desenvolvimento; improdutivo: solo pobre.

Que incita piedade, comiseração, compaixão: pobre professor, ficou viúvo.

Etimologia (origem da palavra pobre). A palavra pobre deriva do latim “pauper,eris”, que significa desprovido do necessário; com poucas posses.

Nem no seu sentido mais pejorativo a palavra pobre é realmente uma ofensa! É mais uma constatação de fato: uma pessoa que não tem alguma coisa ‒ na maioria dos casos: dinheiro.

Existem palavras muito piores na língua portuguesa, como por exemplo, corrupto ‒ o que muitas pessoas escolhem ser para ficar ainda mais rico.

Se você é adulto e não tem casa própria, carro próprio (se está pagando financiamento, ele ainda não é seu 😉), vive do seu salário (que é calculado levando em conta o salário mínimo), o mínimo que você pode fazer por você e sua família é estar atento à política ‒ a política influencia tudo.

“Mas na época do PT... blá-blá-blá...”

Olha, na época do PT essa página não existia e, se existisse, eu também seria uma crítica.

Eu não acho que política e religião devam se misturar, e somente na religião eu me dou ao direito de não questionar, de levar a sério a questão da fé; é o único ambiente em que é possível um sentimento de total crença em algo ou alguém ‒ ainda que não haja nenhum tipo de evidência que comprove a veracidade da proposição em causa.

Meu Deus, eu não sou louca a ponto de ter fé, acreditar assim em um presidente, qualquer que seja ele, de esquerda ou de direita, aliás, esse nem é o papel do cidadão no ambiente político. O papel do cidadão, na política, é o de engajar-se na luta por melhorias coletivas, na cobrança para a evolução, no cuidado aos seus direitos, no cumprimento dos seus deveres.

Me digam de onde vocês tiraram a ideia de que criticar um político é algo que não devemos fazer?

De onde tiraram que porque os governos anteriores foram ruins, criticar o atual é hipocrisia?

Não é justamente para ter mudanças que existem as eleições, que tentamos escolher melhor; qual o sentido de usar argumentos como : “O Lula roubava”? Quer dizer, então, que se outros faziam, se o Lula roubava, todos podem? Juro que não entendo o argumento.

Nós temos direito à vida, liberdade, igualdade; o direito à educação, ao trabalho justo, e à saúde. E também devemos ajudar a desenvolver a sociedade.

Vejam o caos que está este país.

Olhem em volta, caiam na real! O Brasil tem 14 milhões de pessoas passando fome, contingente que equivale a 50% da população total da Venezuela. Só em 2021, 30 mil brasileiros entraram ilegalmente nos EUA, através da fronteira com o México, procurando melhores condições de vida.

Mais uma vez houve aumento na gasolina, que chega a SETE reais; dólar a R$ 5,25; gás a R$ 100,00; preço da carne subiu mais de 30% em um ano; alta no preço da comida (vão ao mercado e verão que não dá mais para comprar nada); inflação a 9%; 14,8 milhões de desempregados; índice de miséria com patamar recorde no país; Brasil começando 2021 com mais miseráveis que há uma década. Enquanto isso, os políticos eleitos fazem o quê?

Têm a coragem de propor um fundo eleitoral de R$ 6 bi, orçamento secreto para comprar o Centrão, desmonte do Estado, recorde de queimadas, entrega do patrimônio público, fim da Cinemateca e do cinema, desmonte da Cultura, calote da dívida dos precatórios, fim da transparência nos gastos, sigilos de 100 anos para tudo, gastos escondidos nos cartões corporativos, piora no ranking da liberdade de imprensa, prisões arbitrárias, 3.000 declarações falsas (mentiras) desde o início do mandato, corte de direitos sociais, aumento da intolerância contra as minorias, aparelhamento das instituições para proteger os próprios filhos, incompetência na gestão da pandemia, 565 mil mortos por Covid, fraudes e corrupção, gastos bilionários com militares, MP da grilagem, fim da demarcação das terras e genocídio dos povos indígenas, rachadinhas, peculato, gastos milionários com motociatas e campanha antecipada, exclusão dos principais círculos decisórios na geopolítica mundial...

Você expõe tudo isso, e os fiéis do governo (que se assemelham mais a uma seita religiosa) contra-atacam com: “Mas e o PT, hein? E o Lula e a Dilma?”

Ahahahaha!, vocês não elegeram esse novo governo para ter mudanças?

“Os lucros…”

Você é banqueiro por acaso ou assalariado?

Sim, o governo anterior também cometeu muitos erros; isso por acaso dá carta branca para o atual fazer também?

A gente não esqueceu os erros do passado, mas não é porque eles erraram mais ou menos que devemos perdoar os erros do governo atual, que, aliás, tem errado no sentido de não demonstrar HUMANIDADE ‒ custava o senhor presidente ser humano com as famílias que perderam alguém, mostrar solidariedade?

Os defensores do atual governo adoram jogar com: ele pegou um país falido, por isso…

Olha, para demonstrar empatia, falar sem ódio, sem gritar, com cuidado, não precisa de dinheiro; para tratar as pessoas com respeito, não precisa de dinheiro; respeitar o trabalho dos jornalistas que estão fazendo o seu trabalho (sim, o jornalista não deve ficar puxando o saco de um governante, seu papel é muito mais o do “chato” que fica sempre apontando os erros do que o de baba-ovo). Sabem em que tipo de regime político a mídia não pode falar mal do governo?

No regime não democrático!

Ter consciência de classe, cobrar o seu presidente, o governo e o Estado para que façam bem o seu trabalho, é o mínimo que se espera de uma sociedade consciente.

12/08/2021

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