Dislexia e os desafios da escola

Dislexia e os desafios da escola

O que é a dislexia e quais os desafios da escola na hora da inclusão? 

Transtorno pode causar atraso no desenvolvimento da fala, dispersão e pouco interesse por textos

Douglas Glier Schütz / Publicado em 5 de agosto de 2022

 

A Lei Nº 14.254/2021 dispõe sobre o acompanhamento integral para educandos com dislexia ou Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outro transtorno de aprendizagem

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Conhecido como dislexia, o transtorno específico da aprendizagem com comprometimento na leitura, é um dos Transtornos Específicos da Aprendizagem (TEAp). É um distúrbio de aprendizagem caracterizado por uma lesão na área do cérebro responsável pelo processamento e compreensão da leitura e escrita, de acordo com a doutoranda em Educação e professora de Pedagogia do Centro Universitário Estácio, Fernanda Arantes.

Segundo o Perfil do Transtorno Específico da Aprendizagem no Brasil, elaborado pelo Instituto ABCD, cerca de 10 milhões de pessoas têm dislexia, discalculia e disortografia no país. O assunto, que será tema de debate do Conversa de Professor, da Fundação Ecarta, no próximo dia 24, tem se tornado pauta frequente nas instituições de ensino.

Fernanda Arantes explica que existem graus de dislexia (leve, moderado e severo) e que, dependendo do grau, as manifestações da dislexia podem variar “de desorganização com material escolar à inversão de letras e dificuldade para leitura e interpretação de textos longos”.

A criança diagnosticada com dislexia pode apresentar desde dispersão na hora de realizar alguma atividade, até atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem; dificuldade em aprender rimas e aliterações; baixo desenvolvimento da coordenação motora e pouco interesse por textos.

O papel da escola

Fernanda alerta que a escola tradicional não está preparada para acolher e direcionar corretamente os alunos disléxicos. “Por isso a necessidade cada vez maior de professores especializados em Educação Especial e Inclusiva”, afirma. Para ela, a inclusão consiste na escola não negar a matrícula desses estudantes.

Além disso, é necessário que as instituições proporcionem a capacitação dos professores, para que estes saibam como atuar junto ao aluno com dislexia, explica Fernanda.

A Lei Nº 14.254/2021, determina que os “educandos com dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou outro transtorno de aprendizagem […] devem ter assegurado o acompanhamento específico direcionado à sua dificuldade, da forma mais precoce possível, pelos seus educadores no âmbito da escola na qual estão matriculados e podem contar com apoio e orientação da área de saúde, de assistência social e de outras políticas públicas existentes no território”.

Para Fernanda, apesar das dificuldades dos professores e escolas de entender que cada aluno com dislexia é único e necessita de atenção e cuidados diferenciados, existem soluções. “A especialização dos docentes, capacitação de todos os envolvidos na escola, adaptação de aulas, materiais didáticos e avaliações são algumas destas possibilidades”, exemplifica. Ela conclui afirmando que é essencial não rotular, estigmatizar ou discriminar pessoas com dislexia.

Conversa de Professor

Com o intuito de promover o debate sobre a dislexia, a Fundação Ecarta apresenta o debate “Dislexia: transtorno ou dificuldade de aprendizagem?”. O evento faz parte do projeto Conversa de Professor e acontece na quarta-feira, 24 de agosto, às 19h, no canal da fundação no YouTube. As inscrições são gratuitas, podem ser feitas aqui.

O debate terá como palestrante a doutoranda em Educação, mestre em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi, coordenadora das Licenciaturas no Centro Universitário Estácio e professora no curso de graduação em Pedagogia, Fernanda Arantes.

Douglas Glier Schütz é estagiário de jornalismo. Matéria elaborada com supervisão de Gilson Camargo, editor.

 

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