E a corrupção?

Kelly Maria Ferreira
11/01/2026
É impressionante como, quando bolsonaristas falam em “desvio de verbas do PT”, a história sempre vem pela metade. A outra metade eles não falam.
E não falam porque essa parte não ajuda.
Envolve a direita, o centrão e aliados diretos de Jair Bolsonaro. Envolve investigação, confissão, esquema, condenação. Coisas que atrapalham a história que eles gostam de vender.
Corrupção no Brasil não tem lado.
Tem método. E tem repetição.
O PL, partido de Bolsonaro, é comandado por Valdemar Costa Neto, condenado no Mensalão por corrupção e lavagem de dinheiro. Foi preso, cumpriu pena, recebeu perdão e voltou ao comando do partido que se vende como símbolo do combate à corrupção. Isso não é versão. É decisão judicial.
O PP, base forte da direita, foi apontado pela Procuradoria-Geral da República como responsável por centenas de milhões desviados da Petrobras. O partido controlava diretorias estratégicas da estatal. Não estava de fora olhando. Estava no centro do jogo.
No governo Bolsonaro, Onyx Lorenzoni admitiu ter recebido caixa dois da JBS. Ele mesmo falou. Mesmo assim virou ministro e seguiu normalmente. Não foi absolvição por inocência. Foi acordo.
Arthur Lira, hoje presidente da Câmara, também do PP, respondeu a processo por corrupção na Lava Jato. O caso foi arquivado por questões técnicas. Arquivamento não é atestado de honestidade. É só um processo que não chegou ao fim.
O caso das rachadinhas envolveu Flávio Bolsonaro. A investigação apontou desvio de salários e lavagem de dinheiro com imóveis. O processo foi encerrado depois de disputas jurídicas sobre foro e provas. Não houve julgamento do mérito.
E então veio o orçamento secreto, já no governo Bolsonaro. Bilhões distribuídos sem transparência, concentrados em partidos do centrão — PL, PP, Republicanos — com obras superfaturadas e uso eleitoral. TCU, CGU e Polícia Federal abriram investigações. Isso é fato.
A Codevasf virou símbolo desse esquema: obra direcionada, dinheiro público usado como moeda política. Tudo isso enquanto o discurso era de moralidade e combate à corrupção.
Antes disso, Michel Temer chegou a ser preso, acusado de chefiar organização criminosa ligada a propinas em obras públicas. Não foi condenado, mas também nunca foi declarado inocente.
Nada disso apaga os escândalos do PT. Eles existiram e precisam ser lembrados.
Mas fingir que corrupção é exclusividade da esquerda é fechar os olhos de propósito.
No Brasil, o problema não é só quem governa.
É o sistema que continua igual, com discurso de direita ou de esquerda.
Quem fala só de um lado e esconde o outro não está combatendo corrupção.
Está só escolhendo quem pode desviar dinheiro público sem ser questionado.
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