Filme O Agente Secreto

Filme O Agente Secreto

O Agente Secreto é um filme que não se oferece ao olhar: exige escuta

A direção de Kleber Mendonça Filho opera como quem sabe que o essencial não grita — sussurra

Wagner Moura com a prêmio de Melhor Ator em filme de drama do Globo de Ouro
Wagner Moura com o prêmio de Melhor Ator em filme de drama do Globo de Ouro|
Crédito: Etienne Laurent / AFP
 

Há filmes que não se oferecem ao olhar: exigem escuta. O Agente Secreto, premiado no Globo de Ouro de 2026 como Melhor Filme em Língua Não Inglesa, é desses. A direção de Kleber Mendonça Filho opera como quem sabe que o essencial não grita — sussurra. Cada plano parece conter uma pergunta ética, cada silêncio carrega o peso de vidas que aprenderam a existir à margem. O título não se refere apenas à espionagem ou à intriga política: o “agente secreto” é aquele que age no invisível, que protege sem ser visto, que resiste sem assinatura.

Wagner Moura, vencedor do prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama no Globo de Ouro, no último domingo (11), encarna esse estado de tensão permanente, um corpo que se move sob vigilância, um homem atravessado pela consciência do risco. Mas é em Tânia Maria que o filme encontra um núcleo inesperado de humanidade. Com menos de seis anos de atuação, sua presença desarma qualquer cálculo técnico. Ela atua como quem acolhe — e acolher, aqui, é um gesto radical.

Sua personagem abre espaços onde o mundo fechou portas. Acolhe refugiados, perseguidos, corpos exaustos de fugir. Não há heroísmo exibido: há cuidado. O talento de Tânia Maria está na delicadeza firme com que transforma o abrigo em linguagem. Seu olhar não pergunta de onde vêm, mas se ainda conseguem ficar.

Nesse filme, o segredo não é a informação escondida, mas o gesto silencioso de proteger o outro. E o reconhecimento do talento surge assim: quando, diante do inesperado, alguém consegue transformar medo em abrigo e o cinema em território de humanidade.

*Mauro Gaglietti é professor universitário e escritor da Academia Passo-Fundense de Letras.

** Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato. 

Editado por: Vivian Virissimo

FONTE:

https://www.brasildefato.com.br/2026/01/12/o-agente-secreto-e-um-filme-que-nao-se-oferece-ao-olhar-exige-escuta/ 

 

 

 

Quem já ganhou o Globo de Ouro pelo Brasil? País chega a quatro estatuetas com premiação de Wagner Moura e O Agente Secreto

A conquista de dois prêmios na mesma cerimônia é um feito inédito para uma produção nacional

12/01/2026

 

Cena do filme "O Agente Secreto"
Cena do filme “O Agente Secreto”| Crédito: Divulgação / CinemaScópio
 

O cinema brasileiro viveu mais uma noite histórica no Globo de Ouro, na madrugada desta segunda-feira (11), com a premiação de Wagner Moura como melhor ator em filme de drama e a consagração de O Agente Secreto como melhor filme em língua não inglesa.

A conquista de duas estatuetas em uma mesma cerimônia é um feito inédito para uma produção nacional. Com esses troféus, o país chega agora a quatro prêmios na história do Globo de Ouro:

  • “Central do Brasil” (1999) – Dirigido por Walter Salles, o longa venceu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, marcando a primeira vitória de um filme brasileiro no Globo de Ouro.
  • Wagner Moura (2026) – Vitória inédita na categoria Melhor Ator em Filme de Drama
  • O Agente Secreto (2026) – Vencedor na categoria Melhor Filme em Língua Não Inglesa para o longa

Festa brasileira em Los Angeles 

Ao receber a estatueta de melhor filme em língua não inglesa, o diretor Kleber Mendonça Filho celebrou a parceria com Wagner Moura e dedicou a vitória à nova geração de cineastas. 

“Obrigado, Wagner Moura. As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo. Eu dedico esse filme aos jovens cineastas. Esse é um grande momento”, afirmou o diretor.

Moura se tornou o primeiro brasileiro a ganhar prêmio na categoria de atuação dramática, reconhecimento que chegou em 2025 para uma mulher, com a premiação de Fernanda Torres na categoria principal, pela atuação da atriz em Ainda Estou Aqui. 

Em seu discurso, o ator ressaltou o valor da memória, elemento central na trama dirigida por Mendonça Filho.

“É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Eu acho que se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis”, disse. 

Ainda no palco, em português, o ator festejou a cultura brasileira. 

“E para todo mundo no Brasil que está assistindo isso agora, viva o Brasil e a cultura brasileira”, completou em português.




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