Flávio mentiu

Trouxe aqui um compilado básico COM FONTES das checagens publicadas neste sábado, 24 de outubro, sobre o debate entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, realizado ontem, sexta-feira (23), na TV Globo.
Estão aqui algumas das principais declarações de Flávio classificadas como FALSAS, ENGANOSAS ou FORA DE CONTEXTO por serviços de checagem. Também houve provocações pessoais e acusações cuja sustentação precisa ser examinada separadamente.
MENTIRA: Lula teria dito que "ladrões roubam celulares pra tomar cervejinha"...
O que Flávio afirmou: que Lula defende criminosos que roubam celulares para tomar uma cerveja.
O que a checagem revelou: o UOL Confere classificou a declaração como FALSA.
A fala original de Lula sobre cerveja se referia a torcedores de futebol de times rivais que, apesar da rivalidade, podem conviver pacificamente depois dos jogos.
Flávio reproduziu uma desinformação antiga que distorce o contexto da declaração presidencial.
Fonte: Checagem do UOL Confere/
BOL
MENTIRA: o governo Lula teria causado a redução das embalagens dos produtos
O que Flávio afirmou: que ovos, sabão em pó, chocolate e papel higiênico passaram a vir em quantidades menores por causa do governo Lula.
O que a checagem revelou: o UOL Confere classificou a afirmação como FALSA.
A redução das embalagens, conhecida como reduflação, já era registrada durante o governo Jair Bolsonaro.
Isso não significa que a inflação e o custo de vida atuais não devam ser discutidos. Significa que Flávio atribuiu exclusivamente ao governo Lula uma prática comercial que já existia antes dele assumir a Presidência.
Fonte: UOL Confere — checagem do debate/
BOL
O que Flávio afirmou: que o vídeo do pai imitando uma pessoa com falta de ar estaria fora de contexto e que Bolsonaro não estava debochando das vítimas da Covid-19.
O que a checagem revelou: o UOL Confere e o Fato ou Fake contestaram a versão apresentada por Flávio.
Na transmissão original, realizada em março de 2021, Jair Bolsonaro ironizou orientações médicas relacionadas à Covid-19, imitou uma pessoa com dificuldade para respirar e mencionou a falta de ar.
A verificação da íntegra não sustenta a explicação apresentada por Flávio pra negar o episódio. O Fato ou Fake classificou como falsa a versão segundo a qual Bolsonaro apenas criticava a orientação de esperar o
agravamento dos sintomas.
Fontes: UOL Confere e Fato ou Fake/
Portal 96FM +1
DADO DESATUALIZADO: mais de 11.500 obras paralisadas no governo Lula
O que Flávio afirmou: que o Tribunal de Contas da União havia acabado de divulgar a existência de mais de 11.500 obras paralisadas no atual governo.
O que a checagem revelou: o UOL Confere classificou a declaração como FALSA.
Segundo o painel do TCU consultado na checagem, em julho de 2026 havia 4.215 obras paralisadas.
O número superior a 11.500 citado por Flávio correspondia a um levantamento divulgado em 2025, e não ao dado mais recente apresentado como se fosse atual.
É importante distinguir o número de obras paralisadas em determinado momento do total de obras que já estiveram nessa situação. São informações diferentes.
Fonte: UOL Confere — obras paralisadas/
BOL
O que Flávio afirmou: que Bolsonaro garantiu o benefício mínimo de R$ 600.
O que a checagem revelou: o Fato ou Fake classificou a declaração como não é bem assim, enquanto o UOL considerou a apresentação do histórico enganosa.
O governo Bolsonaro transformou o Bolsa Família no Auxílio Brasil e elevou o benefício mínimo para R$ 400 em 2021.
O valor chegou a R$ 600 em agosto de 2022, após a aprovação de um aumento de R$ 200 pelo Congresso Nacional. Esse valor adicional tinha validade prevista até dezembro daquele ano.
Além disso, a proposta orçamentária enviada pelo próprio governo Bolsonaro para 2023 não previa a manutenção dos R$ 600.
Portanto, apresentar o benefício como uma conquista permanente e exclusivamente pessoal de Bolsonaro omite informações importantes.
Fontes: Fato ou Fake e UOL Confere/
Portal 96FM +1
DISTORÇÃO: Lula seria o responsável pelos cassinos on-line e pelo jogo do Tigrinho
O que Flávio afirmou: que Lula seria o responsável pela liberação das apostas on-line no Brasil.
O que a checagem revelou: o UOL classificou a afirmação como ENGANOSA.
A legislação que autorizou as apostas esportivas de quota fixa foi aprovada em 2018, durante o governo Michel Temer.
O governo Bolsonaro deixou expirar o prazo para regulamentação sem concluir o processo.
Já no governo Lula, houve uma proposta de regulamentação, e o Congresso incluiu os cassinos on-line no projeto legislativo que acabou sancionado.
Portanto, atribuir toda a origem dos jogos on-line ao governo Lula apaga etapas anteriores e o papel do Congresso Nacional.
Fonte: UOL Confere - apostas on-line/
BOL
ACUSAÇÃO SEM COMPROVAÇÃO: Lula teria recebido R$ 30 milhões em propina para um filme
O que Flávio afirmou: que Lula deveria explicar o destino de R$ 30 milhões supostamente relacionados a um documentário sobre o presidente.
O que a checagem revelou: o UOL classificou a alegação apresentada por Flávio como INSUSTENTÁVEL.
Segundo a reportagem, o áudio mencionado pelo senador não constava das mensagens do celular apreendido de Daniel Vorcaro nem das três propostas de delação premiada obtidas pelo jornal.
A Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e a defesa de Vorcaro negaram que ele tivesse prestado depoimento sobre a suposta propina para um documentário sobre Lula.
A existência de uma gravação atribuída a Vorcaro não basta, por si só, para provar a acusação.
Fonte: UOL Confere - o áudio dos R$ 30 milhões/
BOL
ALEGAÇÃO FALSA: a Polícia Federal teria inocentado Flávio no caso do filme Dark Horse
O que Flávio afirmou: que a Polícia Federal teria produzido um relatório comprovando que não houve dinheiro público irregular no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
O que a checagem revelou: o UOL classificou a declaração como FALSA.
Segundo a reportagem, não havia relatório da Polícia Federal com as conclusões descritas por Flávio.
O jornal informou que o senador era investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A reportagem também descreveu investigações sobre a possível origem de recursos e o uso de dinheiro público. Essas suspeitas precisam ser distinguidas de uma condenação: investigação não significa culpa comprovada.
Fonte: UOL Confere - caso Dark Horse/
BOL
INFORMAÇÃO ENGANOSA: Bolsonaro teria concluído sozinho a transposição do Rio São Francisco
O que Flávio afirmou: que Lula prometeu concluir a transposição até 2009 e que Bolsonaro foi quem finalmente levou água ao Nordeste.
O que a checagem revelou: o Fato ou Fake classificou a declaração como não é bem assim.
O cronograma original previa a conclusão do eixo Leste em 2010 e do eixo Norte em 2012, não de toda a obra em 2009.
O empreendimento atravessou diferentes governos. A água chegou à Paraíba em 2017, durante o governo Michel Temer, e Bolsonaro deu continuidade aos trabalhos, com a chegada da água ao Rio Grande do Norte em 2022.
Ramais complementares continuaram em construção nos anos seguintes.
Atribuir a conclusão integral a um único presidente simplifica uma obra executada ao longo de várias administrações.
Fonte: Fato ou Fake - transposição do São Francisco/
Portal 96FM
DISTORÇÃO: o PT teria votado contra a Constituição e, portanto, contra o SUS
O que Flávio afirmou: que Lula votou contra a Constituição de 1988, que criou o Sistema Único de Saúde.
O que a checagem revelou: o UOL classificou a afirmação como ENGANOSA.
Os deputados constituintes do PT votaram contra o texto final da Constituição. Entretanto, todos os 16 parlamentares da bancada, incluindo Lula, assinaram a Carta Magna durante sua promulgação.
A bancada justificou o voto contrário apontando divergências com o conteúdo final do texto.
É correto informar como ocorreu a votação, mas usar esse episódio para afirmar simplesmente que Lula foi contra a existência do SUS não representa toda a história.
Fonte: UOL Confere - Constituição de 1988 e SUS/
BOL
AFIRMAÇÃO ENGANOSA: Lula teria abandonado o Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024
O que Flávio afirmou: que Lula foi ao estado, tirou fotos, prometeu ajuda e não entregou nem 30% do que havia prometido.
O que a checagem revelou: o UOL classificou a declaração como FALSA.
Segundo os dados apresentados na reportagem, o governo federal autorizou R$ 42,7 bilhões para a recuperação do estado, implementou um auxílio financeiro de R$ 5.100 para vítimas e destinou R$ 3,5 bilhões em créditos extraordinários para ações habitacionais de reconstrução.
Também houve financiamento federal de R$ 502 milhões para obras de contenção de cheias na região metropolitana de Porto Alegre.
Esses números não significam que todos os problemas tenham sido resolvidos ou que toda verba autorizada já tenha sido executada. Mas contradizem a afirmação de que o governo simplesmente abandonou o estado.
Fonte: UOL Confere - enchentes no Rio Grande do Sul/
BOL
E AINDA TEVE UM SHOW INADMISSÍVEL DE DESRESPEITO!
A provocação dos “nove dedos”
Durante o debate, Flávio usou de forma debochada a expressão “nove dedos” pra atacar Lula, fazendo referência à perda de um dedo da mão esquerda do presidente em um acidente de trabalho.
O episódio foi registrado na cobertura do confronto pela imprensa.
É inadmissível principalmente por ser uma provocação pessoal, direta, relacionada a uma característica física do adversário, ao invés de uma crítica a uma proposta, decisão administrativa ou política pública.
A discussão sobre impostos e custo de vida poderia ter sido conduzida com dados e argumentos sem recorrer a essa referência física.
E o caso Ana Clara merece toda atenção nesse post - Flávio foi confrontado com a morte de uma criança de cinco anos, cuja mãe estava na plateia, e respondeu defendendo o policial acusado de efetuar o disparo que matou a menina. Além disso, chamou a mãe pelo nome da própria filha! O episódio foi noticiado pelo UOL, pela Folha e pelo Poder360.
Este episódio merece atenção especial óbvia:
A menina Ana Clara Gomes Machado tinha apenas cinco anos quando foi morta por um disparo de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, enquanto brincava em frente de casa, em Niterói, no Rio de Janeiro.
O policial militar Bruno Dias Delaroli foi acusado pelo Ministério Público de efetuar os disparos que mataram a menina. Flávio Bolsonaro integrou a defesa do policial e assinou, em 2024, um recurso ao Superior Tribunal de
Justiça contra a decisão que o submeteu a júri popular. O julgamento ainda não ocorreu, e o acusado tem direito à presunção de inocência.
No debate da Globo, Lula questionou Flávio sobre sua atuação nesse caso. A mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, estava na plateia.
E como Flávio respondeu?
Disse acreditar que o policial não foi o autor do disparo e atribuiu a tragédia ao domínio de territórios por criminosos. Ao se dirigir à mãe, cometeu um erro que tornou a cena ainda mais dolorosa: chamou Cristiane pelo nome da filha morta.
Em vez de chamá-la pelo próprio nome, disse: “Ana Clara, eu quero falar pra senhora”, dirigindo-se à mãe que estava diante dele.
Cristiane reagiu. Depois, contestou a versão apresentada pelo senador e afirmou que não havia traficantes no local e que ela própria presenciou a morte da filha.
Que tipo de resposta infame foi esse que um candidato à Presidência oferece quando é confrontado com a morte de uma criança e com a dor de sua mãe?
Flávio não mostrou nenhuma preocupação de demonstrar cuidado ao falar com uma mãe que perdeu a filha de cinco anos!
Errar o nome dela, naquele contexto, foi um episódio profundamente constrangedor. Foi perverso! E responder reafirmando sua confiança no policial acusado, sem esclarecer de maneira convincente as circunstâncias questionadas, foi de extremo deboche e dissimulação
Pra quem pretende governar o Brasil, respeito às vítimas e às famílias não pode ser apenas discurso de campanha!
Uma criança morreu. Uma mãe perdeu a filha. E essa mãe merecia ser tratada com respeito, pelo próprio nome e com a humanidade que a situação exigia!
Mas esperar isso, algum tipo de humanidade, dos Bolsonaros é no mínimo muita ilusão.
E ilusão demais arrasta um país pro buraco facilmente.
Pensa meu povo!
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Gi Stadnicki
FONTE:





