Fraudes no INSS

Vou aqui expor uma engrenagem nojenta que é a cara do Brasil, infelizmente. E nisso, inclusive o papel cínico de quem posa de justiceira enquanto sempre esteve dentro do sistema...O que hoje vem à tona nas denúncias envolvendo fraudes no INSS, bancos privados como o Banco Master e a atuação de igrejas evangélicas como a Batista da Lagoinha não é uma súbita “crise moral” do meio religioso-político brasileiro...Longe disso.
É o método. É como a coisa é, e faz tempo.
Estamos vendo um capítulo do desnudamento de um sistema antigo, reiteradamente denunciado por CPIs, auditorias, reportagens investigativas e órgãos de controle, que opera há décadas na intersecção entre fé, dinheiro público e poder político...Um sistema no qual igrejas funcionam como plataformas de captação de recursos financeiros e humanos, bancos como facilitadores financeiros e parlamentares como escudos institucionais, tudo protegido por um discurso religioso que transforma qualquer investigação em “perseguição à fé”.
As denúncias recentes feitas por Damares Alves contra pastores e igrejas envolvidos em esquemas de fraude no INSS expõem apenas uma fração desse mecanismo. O padrão revelado é conhecido: associações intermediárias, muitas delas ligadas direta ou indiretamente a lideranças religiosas, oferecendo “apoio”, “orientação” ou “serviços” a aposentados e pensionistas, descontos indevidos em benefícios previdenciários, contratos pouco transparentes e o uso da confiança religiosa como instrumento de convencimento. O alvo preferencial são pessoas vulneráveis, idosas, pobres, muitas vezes fiéis dessas mesmas igrejas, que acreditam estar lidando com representantes “de Deus”, não com operadores de esquemas financeiros.
O envolvimento de instituições financeiras em escândalos desse tipo, como no caso do Banco Master, também não pode ser tratado como coincidência. Bancos médios e pequenos já foram historicamente apontados em investigações por funcionarem como engrenagens essenciais em esquemas de intermediação, pulverização e ocultação de recursos, aproveitando brechas regulatórias, relações políticas e o trânsito livre proporcionado por entidades religiosas... Quando igrejas movimentam grandes volumes de dinheiro sob o manto da imunidade tributária e da blindagem simbólica, o sistema financeiro encontra um terreno fértil para operações legalmente e moralmente indefensáveis...
Nesse contexto, a postura de Damares Alves merece escrutínio severo. Sua tentativa de se apresentar como "voz moral contra abusos no meio evangélico" ignora deliberadamente seu próprio histórico político. Damares não é uma "outsider" enfrentando um sistema corrompido tá? Ela é produto e operadora desse sistema. Sua trajetória no governo Bolsonaro foi marcada pelo uso instrumental da religião, pela disseminação de pânico moral, pela legitimação de lideranças religiosas reacionárias e pela constante tentativa de aglutinar política pública com dogma religioso. Durante anos, Damares conviveu, promoveu e fortaleceu o mesmo ecossistema político-evangélico que agora finge combater...
Não se trata, portanto, de conversão ética ou súbito compromisso com a legalidade...Estamos vendo aqui é disputa interna no campo da extrema-direita por poder, controle e narrativa. Ao denunciar determinados pastores ou igrejas, Damares não desmonta a engrenagem; ela escolhe alvos, reposiciona forças e tenta preservar a estrutura maior, apresentando-se como “justa” e “digna” enquanto mantém intactos os fundamentos do projeto político-religioso do qual sempre fez parte...
Sua denúncia serve mais para administrar danos e salvar a credibilidade do campo evangélico institucional do que para proteger as vítimas reais das fraudes.
Cínica. Paladina da moral evangélica?
Mil vezes cínica. Com 2,3 cliques num app de busca se acha um histórico nada bonito sobre essa senhora.
Quem ela acha que engana?
Infelizmente, já tem muita gente que se pensa esperta, aplaudindo essa "nova fase"...
Esse campo é sustentado pela Bancada Evangélica, que sistematicamente atua para garantir imunidades fiscais, enfraquecer mecanismos de fiscalização, barrar investigações e atacar qualquer tentativa de regulação como ataque à fé.
Daí, parlamentares como Nikolas Ferreira cumprem papel complementar: produzem barulho ideológico, inflam guerras culturais e desviam o debate público, enquanto permanecem silenciosos sobre fluxos financeiros, bancos, CPIs e esquemas envolvendo dinheiro público e lavagem de dinheiro por igrejas evangélicas. Já figuras como Silas Malafaia representam a consolidação histórica desse modelo, no qual religião, mídia, política e negócio se fundem num projeto explícito de poder.
Qual o motivo da indignação dele com as denúncias de Damares agora?
Sabemos que tanto um como o outro tem muito a esconder...
E aos dois interessa salvar a própria pele e continuar gerenciando o meio, reduzindo danos, sem perder a pose e o poder...
Nada disso é acidente, falha pontual ou desvio individual. É um modelo de captura do Estado social por meio da fé, no qual o INSS, símbolo de proteção coletiva, virou campo de exploração privada, e a confiança religiosa se transforma em ferramenta de extração de recursos. Quando líderes religiosos e políticos falam em “Deus no controle”, o que se vê, na prática, é dinheiro no controle, poder no controle e o povo novamente sacrificado no altar da hipocrisia...
Damares pode tentar vestir a fantasia de justiceira, mas sua história, suas alianças e sua atuação política a colocam dentro da lama que hoje denuncia. Não como exceção, mas como parte constitutiva. A verdadeira denúncia não é apenas contra pastores e igrejas, ou bancos específicos, mas contra todo um sistema político-evangélico que se alimenta da fé popular enquanto corrói instituições públicas e viola, sem pudor, qualquer noção de ética que diz defender...
Qualquer um com um mínimo de senso crítico tá percebendo o óbvio. E detalhe: tanto Damares Alves como Nikolas Ferreira são de dentro da Lagoinha. Membros ativos. Damares até pastora lá já foi.
Enfim...
É Deus, no controle?
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Gi Stadnicki
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Fontes pra aprofundamento:
Damares é de qual igreja? Fala sobre fraude no INSS incomodou Malafaia https://share.google/EIGPIWFGvam52VaqG
Investidor, pastor e doador de Bolsonaro: quem é o cunhado de Vorcaro | G1 https://share.google/edaUrAkHQ7v4T33t5
https://www.facebook.com/share/p/1A3xVg8f7E/
Deputado denuncia entraves na CPMI do INSS para apurar elo entre igrejas e Master https://share.google/D4ZwUw3P1AP3kzk91
https://www.instagram.com/reel/DTjABRujhUo/?igsh=MXVvMzRwMnFqeXc0NA==
https://www.instagram.com/p/DTghBjulaBJ/?igsh=MXJiZDhxamZsazZleg==
“O crime começou lavar dinheiro nas igrejas”, afirma pesquisador Bruno Paes Manso https://share.google/2UcPr8wq9zMvIKV1J
Imunidade de igrejas é usada para lavagem de dinheiro – Wilhelm https://share.google/feE572wQchzqs9ZtV
FONTE:
https://www.facebook.com/giovanna.stadnicki?locale=pt_BR





