Isenção de IR para professores

Isenção de IR para professores

Projeto no Senado propõe isenção de IR para professores com salários de até R$ 10 mil

  •  Leonardo Lima  

 

 

 

 

A valorização dos profissionais da educação voltou a ganhar força no Congresso Nacional. Um projeto de lei em tramitação no Senado Federal propõe a isenção integral do Imposto de Renda para professores que recebem até R$ 10 mil mensais, desde que o rendimento seja proveniente exclusivamente da atividade docente. A iniciativa reacende o debate sobre remuneração, carreira e condições de trabalho no magistério brasileiro, historicamente marcado por defasagens salariais.

A proposta está prevista no Projeto de Lei nº 5.143/2025, de autoria do senador Fabiano Contarato (PT-ES), e altera as regras do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) com foco específico nos profissionais do magistério, tanto da rede pública quanto da iniciativa privada.

O que prevê o projeto de isenção do Imposto de Renda para professores

O texto do PL 5.143/2025 estabelece que professores com rendimento mensal de até R$ 10 mil, vinculado exclusivamente à docência, fiquem totalmente isentos do pagamento do Imposto de Renda.

Quem seria beneficiado pela proposta

A isenção abrangeria:

  • Professores da educação infantil

  • Docentes do ensino fundamental e médio

  • Professores do ensino superior

  • Profissionais de instituições públicas e privadas

O critério central é que o rendimento tenha origem apenas na atividade docente, o que exclui ganhos provenientes de outras ocupações ou fontes de renda paralelas.

Relação com o Plano Nacional de Educação

A proposta dialoga diretamente com a Meta 17 do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a equiparação do rendimento médio dos professores ao de outros profissionais com escolaridade equivalente. O prazo para cumprimento dessa meta terminou em 2024, sem que o objetivo fosse alcançado.

Estudos apontam descumprimento da meta salarial

Levantamentos realizados por entidades como:

  • Todos Pela Educação

  • Campanha Nacional pelo Direito à Educação

  • Fundação Getulio Vargas (FGV)

indicam que nenhum estado brasileiro conseguiu cumprir a meta de equiparação salarial, e, em alguns casos, a diferença aumentou no período pós-pandemia, especialmente nas redes estaduais e municipais.

Isenção como estratégia indireta de valorização

O projeto reconhece que muitos estados e municípios enfrentam limitações fiscais para conceder reajustes salariais significativos. Diante disso, a isenção do Imposto de Renda surge como uma estratégia indireta de valorização, capaz de elevar a renda líquida dos professores sem impactar diretamente a folha de pagamento dos entes federativos.

Ganho imediato sem aumento do salário-base

Na prática, o professor continuaria recebendo o mesmo salário bruto, mas passaria a levar para casa um valor maior, sem descontos de IR. O efeito seria imediato no orçamento mensal da categoria.

Fonte de compensação: tributação das apostas esportivas

Para viabilizar a proposta, o projeto aponta uma fonte específica de compensação fiscal: a arrecadação proveniente das apostas esportivas, conhecidas como bets.

Como funcionaria a compensação

O texto do PL prevê que:

  • A tributação sobre o faturamento das casas de apostas

  • O imposto sobre o prêmio líquido dos apostadores

funcionem como fonte extrafiscal para compensar a perda de arrecadação com a isenção do IR para professores.

Arrecadação bilionária com bets fortalece argumento

Os dados mais recentes da Receita Federal reforçam o argumento do projeto. Em 2025, a arrecadação federal com impostos sobre apostas esportivas alcançou R$ 9,95 bilhões, segundo informações oficiais divulgadas em janeiro.

Atualmente, o setor é tributado por meio de:

  • Alíquota de 12% sobre a receita bruta das casas de apostas

  • PIS e Cofins, que financiam políticas públicas como abono salarial e seguro-desemprego

Precedentes na legislação tributária brasileira

O modelo de tributação compensatória proposto não é inédito. No Brasil, já existem impostos seletivos aplicados a produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como:

  • Tabaco

  • Bebidas alcoólicas

Esse mecanismo também foi incorporado à Reforma Tributária, por meio do chamado imposto seletivo, apelidado de “imposto do pecado”, cuja arrecadação poderá ter até 60% distribuída entre estados e municípios.

Tramitação no Senado e próximos passos

Atualmente, o PL 5.143/2025 aguarda despacho para comissões no Senado Federal. Caso seja aprovado nas comissões temáticas, o texto seguirá para análise da Câmara dos Deputados.

Possíveis impactos para a educação

Especialistas avaliam que, se aprovado, o projeto pode:

  • Aumentar a atratividade da carreira docente

  • Contribuir para a permanência de profissionais qualificados na educação

  • Reduzir a evasão de professores para outras áreas

Ainda que não resolva integralmente o problema da defasagem salarial, a isenção do IR é vista como uma medida de curto prazo com impacto direto na renda líquida da categoria.

Um debate que vai além do imposto

A proposta amplia o debate sobre financiamento da educação, justiça fiscal e valorização profissional. Para defensores do projeto, investir em professores é investir diretamente na qualidade da educação básica e superior.

Enquanto o projeto avança no Legislativo, a discussão sobre salários, carreira e condições de trabalho no magistério segue no centro da agenda educacional brasileira, pressionando o poder público por soluções estruturais e sustentáveis.

FONTE:

https://conectaprofessores.com/2026/01/24/projeto-no-senado-propoe-isencao-de-ir-para-professores-com-salarios-de-ate-r-10-mil/




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