Lavagem cerebral bolsonarista

Lavagem cerebral bolsonarista

A LAVAGEM CEREBRAL DA DOUTRINAÇÃO IDEOLÓGICA BOLSONARISTA

Thomas de Toledo  -  06/2/2026

 

 

O bolsonarismo não é apenas uma posição política conservadora ou um alinhamento eleitoral circunstancial. Ele opera como um sistema de doutrinação emocional que substitui análise da realidade por pertencimento, crítica por fidelidade e política por guerra cultural permanente. Sua força não está em ideias consistentes, mas na repetição obsessiva de slogans simples, no medo fabricado e na criação de inimigos imaginários. Essa é a pedagogia do ressentimento, aplicada dia após dia, até que o pensamento crítico seja tratado como traição.

No centro desse processo está o chamado gabinete do ódio, uma engrenagem de comunicação baseada em choque, desinformação, assédio e pânico moral. Não se trata de convencer pelo argumento, mas de saturar o espaço público com ruído, desumanizar o adversário e transformar qualquer fato inconveniente em conspiração. A lógica é simples. Se tudo é mentira, nada precisa ser provado. Se todo crítico é inimigo, nenhum debate é necessário. A realidade passa a ser aquilo que confirma a identidade do grupo. O pânico moral dá o sentido de urgência.

O chamado olavismo está por traz dessa doutrinação ideológica. O ex-astrólogo que morreu de COVID sendo um negacionista do vírus foi quem deu a orientação intelectual. Seu pensamento costuma ser vendido como filosofia, mas isso é um rótulo vazio. Filosofia exige método, debate, coerência interna, diálogo com a tradição e abertura à crítica.

O olavismo não cumpre nenhum desses requisitos. Ele funciona como catecismo fechado, baseado em revelações pessoais, ataques ad hominem e um anti-intelectualismo agressivo. Como se os ignorantes fossem certos e os estudiosos, errados.

O filósofo busca compreender o mundo. O olavista busca vencer o inimigo imaginário. Um pensa. O outro reage.

Outro traço central dessa doutrinação é o falso patriotismo. O bolsonarismo se apresenta como defensor da pátria enquanto idolatra países estrangeiros, líderes externos e interesses imperialistas que historicamente exploraram países periféricos como o Brasil. É um nacionalismo de fachada, que bate continência para bandeiras dos Estados Unidos e reza para que Israel cometa seus genocídios enquanto despreza a soberania econômica, a indústria nacional, a ciência e o serviço público. O discurso é verde e amarelo. A prática é a submissão, alimentada pelo complexo de viralatas é ódio à cultura e à identidade do povo brasileiro.

Essa contradição se expressa de forma quase trágica na figura do pobre de direita. Pessoas que dependem de políticas públicas, serviços estatais e proteção social passam a defender agendas que retiram seus próprios direitos em nome de uma defesa cega do neoliberalismo sob a promessa abstrata de ordem, moral ou prosperidade futura.

Isso nada mais é do que a internalização da ideologia do opressor. O trabalhador passa a culpar o professor, o artista, o servidor ou o vizinho pelo seu sofrimento, enquanto a estrutura econômica que o explora permanece intocada. Pior que isso, passam a acreditar que se trabalharem cedo vão se tornar bilionários, o que jamais acontece.

O bolsonarismo também se alimenta do fanatismo religioso, não da fé como experiência espiritual, mas da religião como instrumento de controle político e social. Textos religiosos são usados fora de contexto, pastores e até alguns padres se transformam em cabos eleitorais e a moral vira arma seletiva. Tudo é permitido contra o inimigo, inclusive a mentira, a violência e o crime, desde que seja em nome de um suposto bem maior. A ética deixa de ser princípio e vira ferramenta.

O resultado psicológico desse ambiente é a dissonância cognitiva permanente. Quando a realidade entra em choque com a crença, a crença vence. Não importa o número de provas, dados ou fatos. Sempre haverá uma explicação conspiratória pronta, um inimigo oculto ou um vídeo editado para manter a narrativa de pé. Admitir o erro significaria romper com o grupo, perder identidade, enfrentar o vazio deixado pela propaganda. Para muitos, isso é insuportável.

No fim, a lavagem cerebral bolsonarista não cria cidadãos mais conscientes ou politizados. Ela produz militantes exaustos, agressivos, desconfiados de tudo e de todos, incapazes de diálogo e dependentes de líderes messiânicos. Essa política se baseia no medo, na ignorância cultivada e na obediência emocional.

Combater isso não exige censura ou gritaria. Exige educação crítica, reconstrução do senso de realidade e coragem para dizer o óbvio. Doutrinação não é opinião e fanatismo não é política. Isso tudo é uma engrenagem muito bem montada para que o povo seja iludido, enganado e usado como massa de manobra a serviço do crime organizado, especialmente o de colarinho branco que distrai as pessoas com o discurso ideológico enquanto continua fazendo o que sempre fez.

Em suma, tudo o que acusam os supostos comunistas de fazer, é na verdade o que a ideologia bolsonarista promove: a ignorância, o fanatismo e a tirania.

FONTE:

Thomas de Toledo 




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