Magistério já sofre em 2026
Magistério já sofre em 2026
Decisões dificultam a vida de professores no começo deste ano
Por Juremir Machado da Silva
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Mal começou o ano e o magistério já sofre em níveis municipal, estadual e federal. Cada esfera tratou de entrar de sola nos professores nos primeiros dias de janeiro de 2026. Um tranco de cada patrão.
O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, sem conversar com a comunidade escolar, o que parece não lhe dar prazer, cortou horas de línguas estrangeiras no currículo do ensino municipal e eliminou o francês.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que se prepara certamente para outros voos em ano eleitoral, marcou o início das férias de docentes e funcionários de escolas para 2 de janeiro, sexta-feira, fazendo, na verdade, o período de descanso começar em um fim de semana.
O governo federal não deixou por menos e concedeu aumento no piso salarial da educação básica de 18 reais. Como diz um amigo diante de sovinices e outras atitudes inexplicáveis: não vai te fazer falta?
Assim, o que era para ser um começo de ano tranquilo, sob o calor escaldante do verão, virou confronto. Deve ser o efeito Donald Trump invadindo a Venezuela. Vereadores de Porto Alegre, como Jonas Reis (PT), que é professor, e Grazi Oliveira (PSOL), contestaram a medida monocrática de Sebastião Melo, ainda mais que Porto Alegre tem muitos alunos haitianos.
A Secretaria Municipal da Educação respondeu que “não existe, até o presente momento, decisão administrativa formal, ato normativo ou deliberação institucional da Smed que preveja o encerramento das aulas de Língua Francesa”. Entre o que Smed diz e o que as escolas ouvem parece haver um telefone sem conexão. Só pode ser uma questão de sinal ruim.
Já a medida de Eduardo Leite obrigou o CPERS a recorrer à justiça para restabelecer a regra do jogo: “O início das férias deve ocorrer em dia útil que possibilite o gozo pleno do período, não sendo permitido que comece em sexta-feira, pois isso reduz, na prática, o período de descanso, ao incluir dias que já seriam de repouso regular, como sábados e domingos”, informa o site do sindicato dos professores do Estado do RS. Não dá para se distrair com festas de fim de ano que já vem um trem atropelando tudo.
O governo federal aumentou o piso da educação básica em 0,37%, o que dá 18 reais, alegando ter aplicado a regra em vigor. Diante das reclamações dos sindicatos da categoria, o ministro Camilo Santana avisou que haverá correção de rumo, com a definição de novo aumento acima da inflação.
O ministro tratou de proteger a retaguarda: “Nós não podemos admitir que a regra atual, com esse cálculo, vai dar apenas 0,37% (de reposição) para os professores. Isso é inadmissível. O professor precisa ser reconhecido, precisa ser valorizado”. É exatamente isso que cada um pensa.
Ao que consta, o presidente Lula ficou arrepiado com o número anunciado. Afinal, em ano eleitoral, não dá para descontentar tanto uma vasta comunidade que costuma apoiar e esperar mais da esquerda. Depois dos trancos inesperados será preciso botar a pelota no chão e calmar o jogo.
A bola está com quem começou o ano chutando de bico.
Jornalista, escritor e professor de Comunicação Social na PUCRS, publica semanalmente a Newsletter do Juremir, exclusiva para assinantes dos planos Completo e Comunidade. Contato: juremir@matinal.org
FONTE:
https://www.matinal.org/opiniao/magisterio-ja-sofre-em-2026/




