Mentiras na sabatina da Globo

Depois de tudo combinadinho com a emissora (que os bolsonaristas dizem ser de esquerda
) e desfrutando de total liberdade, o sujeito deu show no quesito MENTIRA. Nisso ele realmente se garante!
Campanha de Lula considera ‘estranho’ almoço de Flávio Bolsonaro com direção da TV Globo antes de sabatina | Brasil de Fato https://share.google/ymVjna9lnb8JTch45
Abaixo uma lista de verificações que mostram o nível das falas de Flávio Bolsonaro na sabatina da Globo, realizada ontem, sexta-feira, 16 de outubro de 2026.
Essas verificações foram extraídas das agências de checagem de fatos UOL Confere e Agência Lupa, além de análises de outras publicações. Há declarações classificadas como falsas, informações enganosas, números exagerados e afirmações que omitem partes importantes dos fatos.
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A Polícia Federal teria confirmado uma propina de R$ 30 milhões para um documentário sobre Lula
Veredito: FALSO.
Flávio afirmou que a Polícia Federal havia confirmado que Daniel Vorcaro teria repassado R$ 30 milhões, por fora, para o documentário sobre Lula.
O problema é que a própria PF informou que Vorcaro não prestou depoimento com esse conteúdo nem entregou à instituição documentos ou informações que confirmassem o relato.
A Procuradoria-Geral da República e a defesa do ex-banqueiro também negaram que ele tivesse prestado depoimento sobre esse assunto.
A produtora do filme Dark Horse já teria prestado todas as contas
Veredito: FALSO.
Flávio afirmou que a produtora brasileira responsável pela cinebiografia de seu pai, Jair Bolsonaro, havia prestado contas de tudo.
Entretanto, segundo as apurações publicadas pelo UOL e pela Lupa, não havia prestação de contas integral tornada pública que comprovasse a afirmação.
Uma perícia particular foi apresentada em defesa da produtora, mas não esclareceu completamente a origem dos recursos utilizados na produção.
O caso envolve, entre outros pontos, repasses relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e investigações sobre possíveis irregularidades no financiamento do filme.
A existência de uma perícia particular não equivale à comprovação pública de todas as receitas, despesas e origens dos recursos.
O governo Bolsonaro teria apresentado a exploração da Margem Equatorial em seu programa de governo de 2022
Veredito: FALSO.
Flávio afirmou que a exploração da Margem Equatorial e os royalties do petróleo já estavam previstos na proposta de governo de Jair Bolsonaro em 2022.
A Agência Lupa verificou os programas de governo de Bolsonaro apresentados em 2018 e 2022 e não encontrou essa proposta neles.
Há outro detalhe importante: as iniciativas para obter autorização para explorar petróleo na região remontam a 2013, antes de Bolsonaro chegar à Presidência.
Isso não significa que o governo Bolsonaro nunca tenha defendido publicamente a exploração da região.
Significa que defender uma ideia em declarações públicas é diferente de incluí-la formalmente no programa de governo.
Lula não teria conseguido iniciar a exploração de petróleo na Margem Equatorial
Veredito: FALTA CONTEXTO.
A afirmação precisa distinguir duas etapas diferentes: a perfuração de poços exploratórios e o início da produção comercial de petróleo.
Em outubro de 2025, o Ibama autorizou a Petrobras a iniciar a perfuração de um poço exploratório na região.
Essa autorização não significava que a produção comercial já havia começado. A produção depende de outras etapas, incluindo estudos, avaliação das reservas e licenças necessárias.
Assim, é incorreto tratar o início da produção comercial como se fosse a única medida possível de avanço do projeto.
Flávio Dino teria entrado no Complexo da Maré sem policiais ou segurança
Veredito: FALSO.
Flávio voltou a divulgar uma alegação antiga sobre a visita do então ministro da Justiça, Flávio Dino, ao Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.
A visita ocorreu em março de 2023, a convite de organizações e coletivos da comunidade.
Segundo informações fornecidas pelo Ministério da Justiça à Agência Lupa, diferentes forças de segurança foram comunicadas e ofereceram suporte à realização do evento.
A narrativa de que Dino teria entrado na comunidade sem segurança, sugerindo uma suposta ligação com organizações criminosas, já havia sido alvo de checagens anteriormente.
A visita a uma comunidade não constitui prova de ligação com facções criminosas.
O presidente Bolsonaro teria extinguido mais de 20 mil cargos comissionados, enquanto Lula teria criado mais de 22.500
Veredito: FALSO.
O UOL Confere confrontou a afirmação com dados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.
Segundo a apuração, o número de cargos comissionados passou de aproximadamente 31,8 mil para 46,2 mil durante o governo Bolsonaro.
Nos três primeiros anos do governo Lula, foram criados cerca de 4.400 cargos comissionados, e o total chegou a aproximadamente 50,7 mil em novembro de 2025.
Portanto, a afirmação de que Bolsonaro extinguiu mais de 20 mil cargos não corresponde aos dados apresentados na checagem.
É importante observar que números absolutos de cargos também precisam ser analisados considerando mudanças administrativas e a natureza das funções.
A taxa de juros deveria estar em 7%, mas estaria em 14% por responsabilidade do governo Lula
Veredito: ENGANOSO.
Flávio recorreu às projeções do Boletim Focus de outubro de 2022 para comparar a expectativa de juros com a taxa atual.
A checagem do UOL identificou dois problemas:
Os boletins citados não traziam a previsão para 2026 da maneira como Flávio afirmou.
A taxa Selic estava em 13,75% em outubro de 2022, durante o governo Bolsonaro.
Além disso, as projeções do Boletim Focus representam expectativas do mercado financeiro, não metas estabelecidas pelo governo.
A comparação, portanto, omitiu informações importantes sobre o período anterior e apresentou uma previsão como se fosse uma referência direta para avaliar a responsabilidade de um governo.
O Brasil seria recordista em empresas falidas e em indústrias que estariam deixando o país rumo ao Paraguai
Veredito: FALSO.
O UOL Confere identificou dois problemas nessa declaração.
Primeiro: o Brasil não apresentava recorde de empresas falidas nos termos afirmados. O que havia eram números elevados de empresas inadimplentes e em recuperação judicial.
Recuperação judicial não é sinônimo de falência: trata-se de um mecanismo para tentar renegociar dívidas e evitar o encerramento das atividades.
Segundo: a alegação de que mais de 232 empresas estariam abandonando o Brasil em massa para se instalar no Paraguai distorcia os dados.
O número mencionado se referia a empresas que expandiram suas operações para o país vizinho entre 2007 e 2026, mas continuavam operando no Brasil.
Portanto, expandir operações no exterior não significa necessariamente fechar as instalações brasileiras.
As estatais teriam acumulado R$ 36 bilhões de prejuízo no governo Lula, contra R$ 18 bilhões de superávit ou lucro no governo Bolsonaro
Veredito: EXAGERADO.
O UOL confrontou os números com os resultados fiscais divulgados pelo Banco Central.
Considerando os anos completos de 2023, 2024 e 2025 e o primeiro semestre de 2026, a soma dos déficits primários das estatais federais citados na apuração chegou a aproximadamente R$ 23,81 bilhões, abaixo dos R$ 36 bilhões mencionados por Flávio.
Para o governo Bolsonaro, os superávits primários registrados entre 2019 e 2022 somaram aproximadamente R$ 24,43 bilhões, acima dos R$ 18 bilhões citados.
Há ainda uma questão conceitual: resultado primário e lucro contábil são indicadores diferentes. Um déficit primário não significa automaticamente que uma empresa teve prejuízo contábil, muito menos que houve corrupção.
Bolsonaro teria triplicado o Bolsa Família, elevando o valor médio de R$ 190 para R$ 600
Veredito: EXAGERADO.
O governo Bolsonaro substituiu o Bolsa Família pelo Auxílio Brasil em 2021.
O valor mínimo inicialmente estabelecido para o novo programa foi de R$ 400. Em 2022, o benefício foi elevado para R$ 600 por meio de uma mudança aprovada naquele ano.
O detalhe omitido é que o aumento para R$ 600 tinha validade prevista até dezembro de 2022. A proposta orçamentária enviada pelo próprio governo Bolsonaro para 2023 previa o retorno do auxílio a R$ 400.
Além disso, comparar o valor médio de um programa com o valor estabelecido como pagamento mínimo de outro não é uma comparação rigorosamente equivalente.
O aumento para R$ 600 aconteceu durante o governo Bolsonaro, mas a apresentação de Flávio omitiu informações essenciais sobre a duração do reajuste e a proposta orçamentária para o ano seguinte.
A redução de homicídios em 2019 provaria que colocar mais armas nas mãos da população diminui a violência
Veredito: FALSO, segundo a checagem da Lupa.
Flávio citou a queda de aproximadamente 17,7% nos homicídios registrada em 2019 e a relacionou à ampliação do acesso a armas.
A queda dos homicídios naquele ano é real. O problema é apresentar essa coincidência como prova de que o aumento da circulação de armas foi responsável pela redução.
A Agência Lupa apontou que o Atlas da Violência de 2021 discutiu outros fatores para explicar a queda, incluindo mudanças na dinâmica entre facções, políticas públicas locais e alterações nos registros de mortes violentas.
A checagem também reuniu estudos que identificaram associações entre maior circulação de armas e riscos maiores de violência letal.
Uma queda na violência em determinado período, isoladamente, não comprova que uma política específica foi a responsável pelo resultado.
A legítima defesa estaria expressamente prevista na Constituição nos termos apresentados por Flávio
Veredito: FALSO, conforme a checagem da Lupa.
Flávio afirmou que a legítima defesa era um direito previsto na Constituição.
A Constituição protege direitos fundamentais relacionados à vida, à integridade física e à ampla defesa.
Entretanto, a definição jurídica de legítima defesa está no artigo 25 do Código Penal.
Esse artigo estabelece condições para que uma reação a uma agressão injusta, atual ou iminente seja considerada legítima defesa.
A distinção é importante porque a legítima defesa não é uma autorização irrestrita para usar violência: existem requisitos legais para seu reconhecimento.
Bolsonaro teria sido condenado em uma farsa
Veredito: FALSO, segundo o UOL Confere.
Flávio classificou como farsa a condenação de seu pai, Jair Bolsonaro.
O UOL destacou que Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, após um processo judicial documentado.
A checagem também menciona as investigações sobre tentativas de descredibilizar o sistema eleitoral e os depoimentos dos ex-comandantes do Exército e da Aeronáutica sobre reuniões relacionadas à trama golpista.
Chamar uma condenação de farsa é uma avaliação política. Para sustentar juridicamente essa acusação, seria necessário apresentar evidências concretas de irregularidades capazes de comprometer o processo, e não apenas rejeitar o resultado.
Os condenados pelos atos de 8 de janeiro seriam apenas uma senhorinha com Bíblia e vendedores de pão e algodão-doce
Veredito: FALSO, segundo o UOL Confere.
A declaração de Flávio reduziu os acontecimentos a imagens de pessoas comuns que, segundo sua narrativa, não poderiam estar envolvidas em uma tentativa de golpe.
O UOL destacou que centenas de pessoas foram condenadas por envolvimento nos atos antidemocráticos e que as investigações apresentaram evidências de organização e participação na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes.
A checagem também esclareceu que os vendedores citados nessa narrativa não estavam simplesmente trabalhando durante os ataques, como a declaração sugeria.
É necessário distinguir pessoas que eventualmente participaram de manifestações sem cometer crimes de pessoas condenadas por condutas comprovadas nos processos.
A aparência, a idade ou o fato de alguém portar uma Bíblia não determinam, por si sós, sua responsabilidade criminal.
O que mais chamou atenção nas checagens?
Além das afirmações acima, a Agência Lupa identificou problemas em declarações sobre as trocas de superintendentes da Polícia Federal.
Flávio criticou o governo Lula por substituir os comandos regionais da PF, mas a checagem lembrou que Jair Bolsonaro também realizou mudanças na corporação durante seu mandato, incluindo substituições de diretor-geral.
A Lupa classificou como falsa a afirmação de Flávio de que Bolsonaro teria feito apenas uma troca enquanto Lula teria trocado os 27 comandos regionais sem ser questionado. A apuração, porém, considerou verdadeira a afirmação de que o governo Lula substituiu pelo menos 26 das 27 superintendências regionais.
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Checamos a entrevista de Flávio Bolsonaro à TV Globo | Aos Fatos https://share.google/d7qoCAJOfTeHyuDam
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Gi Stadnicki
FONTE:







