Modelo finlandês, não chileno

Modelo finlandês, não chileno

Modelo finlandês, não chileno

Sistema público pode funcionar muito bem

Jared Diamond é best-seller. Já ganhou o prêmio Pulitzer. Virou celebridade mundial com “Armas, germes e aço”. Em “Reviravolta” (Record), compara nações com indivíduos em crise. A ideia é fazer do colapso uma oportunidade de mudar. Para isso é preciso flexibilidade. Um dos casos estudados por ele é a Finlândia, pequeno país escandinavo colado na Rússia, que enfrentou a União Soviética em dois conflitos desiguais durante a Segunda Guerra Mundial. Uma página do livro merece consideração atenta. Tomarei a liberdade de reproduzir um pedaço:

      “A fim de fazer uso produtivo de toda a população, o sistema escolar finlandês tem por objetivo educar bem todos os cidadãos, ao contrário do sistema americano, que hoje educa bem algumas pessoas, mas não a maioria. A Finlândia possui escolas públicas igualitárias de alta qualidade e poucas escolas particulares. De modo assombroso para os americanos ricos, mesmo as poucas escolas particulares recebem o mesmo nível de financiamento governamental que as públicas e não têm permissão para aumentar seus fundos cobrando pela educação, coletando taxas de matrícula ou recebendo doações”. Uau! E aí, Paulo Guedes? 

      Mérito e recompensa: “Enquanto os professores americanos de ensino médio possuem baixo status social e são recrutados predominantemente entre alunos universitários de baixo desempenho, os professores finlandeses passam por um processo seletivo muito competente, são recrutados entre os melhores alunos dos ensinos médio e superior, gozam de alto status (ainda mais que os professores universitários!), são bem pagos, possuem diplomas de pós-graduação e recebem muita autonomia quanto ao modo de ensinar”. E aí, Weintraub?

      Segurança: “O país consegue o melhor também de sua polícia: novamente para assombro dos americanos, um policial finlandês precisa ter diploma universitário, é considerado confiável por 96% da população e quase nunca usa sua arma. No ano passado, os policiais em serviço atiraram apenas seis vezes, e cinco delas foram tiros de advertência: isso é menos que a média semanal de minha cidade: Los Angeles”. Tudo isso tem um nome compreensível: igualdade social. Um dos doze itens que usa para medir a possibilidade de sair bem de uma crise é “a honesta autoavaliação”. Vale para indivíduos e nações. Quem faz o correto diagnóstico tem mais chances de dar a volta por cima.

      Diamond reflete sobre pessoas: “Em uma crise de meia-idade, por exemplo, você pode sentir que os melhores anos já se passaram, e ter de lutar para identificar objetivos satisfatórios para o restante da sua vida”. Fingir que a idade não afeta a existência é uma boa maneira de se ferrar. Flexibilidade conta muito. A “força do ego” também. Não há apenas uma maneira de fazer as coisas. Tampouco é importante mudar todo o tempo. O Brasil não se autoavalia honestamente. Mente para si sobre aspectos fundamentais. Não aproveita suas crises, que são muitas. Fala muito de educação e faz pouco ou quase tudo errado. A gelada Finlândia pode dar algumas pistas para o gigante tropical.

 




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