Nomes certos aos bois

O que mais falta acontecer ou ser revelado pra que as pessoas acordem de devaneios místicos politicamente arquitetados?Será que tem jeito?Vejam que Donald Trump foi eleito muito por conta disso.Em muitas frentes, a manipulação ideológica religiosa, QUE É A BASE DE TUDO NOS EUA, projetou um bilionário ped*filo como o messias escolhido por Deus, pra defender os americanos de forças satânicas ocultas que justamente traficam e ab*sam de mulheres e crianças...
"Forças satânicas ocultas"...
"Demônios"...
Humhum...vão me avisando...
Vamos dar os nomes certos aos bois?
O pânico moral contemporâneo sobre “satanistas”, “inimigos ocultos” e supostas conspirações demoníacas que sequestrariam crianças é pura armadilha retórico ideológica. Fora que é uma ferramenta histórica de manipulação social, enquanto discursos religiosos e conspiratórios direcionam o medo coletivo para inimigos fantasmagóricos, a violência sex*al real contra crianças e mulheres permanece onde sempre esteve: profundamente enraizada nas estruturas patriarcais que organizam a sociedade.
O caso Jeffrey Epstein expôs aquilo que o feminismo denuncia há décadas: redes de exploração sexual/p*d*f*l*a não são obra de forças sobrenaturais ou de sociedades secretas imaginárias...
Tudo é sobre um sistema social, político, econômico, cultural que privilegia homens brancos, ricos, héteros e cristãos.
Ô meu povo, bora alertar pra isso aqui:
Essas redes operam dentro de estruturas concretas de poder masculino, com muito dinheiro, influência política e impunidade institucional envolvidas. É ou não é?
A exploração sex*al de vulneráveis não é uma anomalia do sistema, entendam, por favor: é um sintoma estrutural dele.
O patriarcado sempre produziu uma cultura de objetificação dos corpos femininos e infantis.
Não tem chance nenhuma de minimizar esse fato.
Essa objetificação se manifesta na normalização da desigualdade de gênero, na erotização precoce de meninas, na cultura do estupro e na naturalização da violência doméstica. Ao mesmo tempo, o patriarcado cria narrativas religiosas e morais que desviam a atenção da violência estrutural pra supostos inimigos simbólicos: hereges, bruxas, comunistas, “degenerados”, minorias sexuais ou, mais recentemente, fantasias conspiratórias sobre "cultos satânicos"...
Pra quê?
Ora, pra gerar impunidade.
Esse mecanismo abusivo do sistema patriarcal não é novidade. Durante séculos, a caça às bruxas funcionou como uma forma de controle social e disciplinamento feminino. Hoje, o pânico moral assume novas roupagens, mas cumpre a mesma função política: produzir medo, gerar coesão social conservadora e legitimar projetos autoritários de poder...
Sintetizando, a conta é simples: a ignorância sobre como de fato o mundo é produz fragilidade e essa fragilidade é aterrorizada por narrativas sobre monstros malignos, batalhas espirituais, seres das trevas, culminando numa profunda necessidade por salvadores...
E que tipo de salvador pode ser oferecido por um sistema tão perverso quanto o patriarcado, senão um compatível com ele em perversidade?
Muitos já ocuparam esse trono. E certamente muitos outros ainda o ocuparão.
No contexto contemporâneo, o evangelicalismo político norte-americano desempenhou papel central na disseminação desse tipo de narrativa conspiratória. Movimentos religiosos ultraconservadores ajudaram a popularizar teorias que afirmam que elites liberais, artistas aleatórios ou setores progressistas estariam envolvidos em redes ocultas de abuso infantil. Esse tipo de discurso não apenas mobiliza eleitores por meio do medo moral, como também constrói uma falsa guerra espiritual que transforma disputas políticas em cruzadas religiosas.
A ascensão de Donald Trump ocorreu em meio a esse cenário de radicalização moral. Setores do evangelicalismo estadunidense e da extrema-direita iludiam o povo com estórias mirabolantes enquanto ignoravam ou relativizavam denúncias reais envolvendo figuras poderosas do próprio establishment econômico e político.
Esse fenômeno revela um padrão: o pânico moral serve para proteger estruturas de poder, não para combatê-las. Ele desloca a indignação popular para alvos simbólicos e impede que a sociedade encare as raízes materiais da violência sex*al, que envolvem desigualdade econômica, cultura patriarcal, exploração capitalista e impunidade das elites.
O capitalismo, por sua vez, não apenas convive com o patriarcado: ele se alimenta dele. A exploração dos corpos femininos e infantis é parte de uma lógica que transforma tudo em mercadoria. A pornografia industrial, o turismo sexual, o tráfico humano e a erotização comercializada da infância são expressões extremas dessa fusão entre mercado e dominação patriarcal.
Além disso, a extrema-direita frequentemente utiliza a retórica de “proteção das crianças” para justificar políticas autoritárias, atacar direitos reprodutivos, perseguir minorias e reforçar papéis tradicionais de gênero. Trata-se de uma instrumentalização cínica da infância: crianças são transformadas em símbolo moral enquanto políticas públicas que realmente poderiam protegê-las, como educação sexual nas escolas, combate à desigualdade social e fortalecimento de redes de proteção, são sabotadas pelos mesmos grupos que dizem defendê-las.
A perversidade do patriarcado está justamente nessa capacidade de produzir violência e, ao mesmo tempo, fabricar narrativas que escondem seus próprios crimes. Ele cria monstros imaginários para ocultar monstros reais que operam dentro das instituições, das famílias, das igrejas, das empresas e dos centros de poder político.
Encarar essa realidade exige romper com o conforto das explicações sobrenaturais e conspiratórias. Exige reconhecer que a violência sexual é um problema estrutural, sustentado por relações históricas de poder masculino, desigualdade econômica e fundamentalismo moral. Exige também compreender que o avanço da extrema-direita depende da manutenção desses sistemas de dominação, pois eles garantem hierarquias sociais, controle dos corpos e mobilização política pelo medo.
O enfrentamento real da exploração sexual de crianças e mulheres passa necessariamente pelo combate ao patriarcado, pela defesa da igualdade de gênero, pela responsabilização de elites econômicas e políticas e pela desmontagem das narrativas religiosas e conspiratórias que funcionam como cortina de fumaça para crimes concretos.
Enquanto a sociedade continuar procurando demônios imaginários, continuará falhando em responsabilizar os malfeitores e o sistema que os cria, alimenta e protege.
Até porque Diabo* nem existe, mas quando o tombamos do altar, mais mitos caem junto...
Coisa grande...
Daí, haja coragem.
Haja coragem!
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Gi Stadnicki
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*Como o Cristianismo moldou a figura de Satanás para combater outras religiões - BBC News Brasil https://share.google/94q6qqSO9DyELI3BF
FONTE:




