Orçamento vira arma política
EMENDAS, MEDO E RESSENTIMENTO: QUANDO O ORÇAMENTO VIRA ARMA POLÍTICA

Tem um jeito de fazer política que não depende de convencer com ideias.
Depende de *segurar as pessoas pelo medo* e *alimentar o ressentimento*.
E, nos últimos anos, isso passou a aparecer com força no uso das *emendas parlamentares* — principalmente depois da consolidação do *orçamento impositivo* e do que ficou conhecido como *“orçamento secreto”*.
1) *O QUE É “POLÍTICA DO MEDO E DO RESSENTIMENTO”?*
É quando a política deixa de oferecer *um projeto de futuro* e passa a administrar *expectativas negativas*.
Isso acontece, em geral, quando:
• a desigualdade vira regra do jogo (todo mundo vê, todo mundo sente)
• o Estado falha em garantir direitos universais
• o debate público vira disputa de inimigos, culpas e punições
*O medo* nasce da insegurança concreta:
• falta de renda
• serviço público ruim
• risco de exclusão
• humilhação cotidiana para conseguir o básico
*O ressentimento* é a raiva canalizada para “alvos” difusos:
• “o Estado”
• “Brasília”
• “a política”
• “o PT”, “o Lula”
• “gente que recebe benefício”
• “servidor privilegiado”
• “movimento social”
E aí a democracia deixa de ser *direito e regra*…
e vira *troca particularista*: eu te ajudo se você me apoiar.
2) *COMO AS EMENDAS ENTRAM NISSO?*
Em tese, emendas são um instrumento do orçamento.
Na prática, do jeito que operam hoje, foram capturadas por Milícias Parlamentares e viraram:
• substitutas informais de políticas universais
• “solução” para a escassez nos programas e ações universais, escassez criada pela milícias parlamentares quando retiram orçamento de programas federais para inflar os 61 bilhões das emendas parlamentares (em vez de superação universal da desigualdade)
• moeda de troca eleitoral e institucional
Em vez de:
“direitos garantidos por políticas públicas estáveis”
passa a ser:
“recursos condicionados à fidelidade política e ao alinhamento eleitoral”
Isso não gera cidadania.
Gera *dependência*.
3) *DO DIREITO AO FAVOR: A PORTA DE ENTRADA DO MEDO*
O medo se instala quando prefeitos, lideranças comunitárias e população percebem que:
• hospital
• carretas de saúde
• ambulância
• estrada vicinal
• creche
• equipamento de saúde
não chegam como *direito* — chegam como *favor*.
A mensagem que fica, mesmo sem ninguém dizer em voz alta, é simples:
“Se você romper politicamente com a Milícia Parlamentar, o recurso pode não voltar.”
Não é “ameaça retórica”.
É *medo institucionalizado*.
E isso fica ainda mais pesado em cidades muito dependentes do Fundo de Participação dos Municípios - FPM,
onde uma emenda federal pode representar o fechamento no azul das contas do município.
O orçamento deixa de ser planejamento.
Vira *arma disciplinadora e ameacadora*.
4) *COMO O RESSENTIMENTO É FABRICADO EM SEUS 3 NÍVEIS*
A) *Ressentimento contra o Estado*
A narrativa vira:
• “o Estado não funciona”
• “Brasília não liga pra gente”
• “o PT e o Lula abandonaram o povo”
_Só que há um truque:_
a mesma força política que *controla o orçamento via emendas* aparece como “salvadora individual”.
B) *_Ressentimento contra política programática_*
Planos nacionais e políticas estruturantes são tratados como “ideologia”.
O que “funciona”, dizem, é:
“o deputado que trouxe recurso”
mesmo que isso aconteça *às custas de programas nacionais*.
C) *_Ressentimento contra determinados grupos _*
O ressentimento é redirecionado para:
• pobres “que recebem demais”
• servidores “privilegiados”
• movimentos sociais “que atrapalham”
Aqui, os Milicianos do Centrão e Extrema Direita, frequentemente se encontram:
produzem injustiça social, econômica e territorial,
mas se apresentam como “defensores do povo”.
5) *O CICLO PERVERSO: EMENDAS + DESIGUALDADE = PODER*
_O mecanismo se repete assim:_
1) Desmonte de políticas universais (saúde, educação, assistência)
2) Escassez artificial de recursos públicos
3) Emendas viram “saída emergencial”
4) Acesso ao Estado se personaliza (depende de padrinho)
5) Medo de perder o favor
6) Ressentimento cresce contra a democracia
7) *Poder da Milícia do Centrão e da Extrema Direita se fortalecem*
_Resultado político-eleitoral:_
• o eleitor para de escolher projetos
• passa a escolher “Milicianos protetores locais”
• o voto deixa de ser esperança e vira defesa
_Isso ajuda a explicar:_
• por que essas “Milícias Parlamentares” resistem eleitoralmente mesmo com baixíssima produção legislativa.
Não é porque *LACRAM* é porque *COMPRAM*
• por que “bons argumentos” sozinhos, não bastam.
• por que o imaginário popular de futuro vai enfraquecendo.
6) *EM PORTUGUÊS BEM CLARO*
As emendas, do jeito que operam hoje, não são neutras. Elas:
• transformam desigualdade em instrumento de poder
• convertem medo em governabilidade
• organizam ressentimento contra a própria democracia
*_Então, vamos chamar pelo nome:_*
não é crise fiscal — é escolha MILICIANA .
não é proximidade com o povo — é captura do Estado por um CONGRESSO INIMIGO DO POVO.
não é ajuda — é a criação artificial dependência organizada.
O avanço constante das Milícias Parlamentares já é possível prever com o Monopólio e a Substituição do Poder Público local por um eterno toma lá dá cá entre serviços públicos cedidos pelos Milicianos e os votos a eles dado pela população desassistida pelas Instituições.
7) *E TEM RESPOSTA PRA ISSO?*
Sim.
_Existem respostas que podem e devem ser implementadas contra as Milícias Parlamentares._
Richard Widmarck Matheus Tinoco
Jornalista DRT: 18.335
Do Núcleo de Base Cidadania Plena
FONTE:





