Nesta quinta-feira (20), o Painel RBS Segurança nas escolas: caminhos para a prevenção da violência reuniu especialistas para debater o assunto. Mediado por Cristina Ranzolin, evento é uma parceria do Grupo RBS com o Hospital Moinhos de Vento.

Os painelistas focaram suas falas na necessidade de debater a função da escola na sociedade e na relação dos pais com seus filhos, a fim se evitar situações extremas.

— Uma série de razões fazem com que cheguemos à situação hedionda de alguém entrar em uma escola e cometer um crime contra crianças, mas pode ser uma oportunidade de olharmos para o que acontece dentro desses espaços — pontuou Cris Vieira, doutora em Educação pela PUCRS e criadora da escola de Inteligência Emocional, a Code Inteligência, que foi uma das painelistas.

Segundo Pedro Lima, médico psiquiatra do Hospital Moinhos de Vento, a relação de crianças, adolescentes e mesmo de adultos com as redes sociais contribui com uma transformação social.

— O nosso cérebro não nasce com o entendimento pronto sobre o que é aceitável para a sociedade: esses circuitos que definem o comportamento dependem de transformações sociais. As redes sociais potencializam um olhar para quem pensa parecido conosco, o que é terreno fértil para o radicalismo — alerta o psiquiatra.

Dagoberto da Costa, tenente-coronel da Brigada Militar com 30 anos de atuação no Policiamento da Capital e sociólogo especializado em Segurança Pública, recomenda que os pais monitorem as redes dos filhos.

— Temos pessoas capacitadas na polícia para monitorar as redes sociais, mas o ideal é que esse monitoramento seja feito pelos pais. As crianças e adolescentes se trancam no quarto para jogar e, enquanto isso, falam com pessoas — observa o tenente-coronel. 

Claudia Rodrigues, doutora em Educação e especializada em Psicologia da Saúde, chama a atenção para necessidade de fomentar o sentimento de pertencimento nos alunos.

— Como diria Bauman, se sentir pertencente a uma comunidade é importante, porque, quando tu te sente pertencente, faz tudo por ela. E hoje a escola é um lugar de violências veladas ou escrachadas, não só do aluno com o professor, mas do professor com o aluno, dos pais com o professor e vice-versa. Isso fala de um adoecimento das famílias e da sociedade em geral — analisa a doutora em Educação.

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