Polêmica do Hino do RS

Polêmica do Hino do RS

O HINO DO RS E SUA POLÊMICA

(uma opinião)

A letra do Hino do RS tem gerado muita polêmica por causa de uma frase emblemática: “(...) povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. Um grupo de negros teria se recusado a cantar esta parte do hino por entenderem que a frase lhes ofendia o passado histórico em que seus antepassados foram escravizados.

Há quem, através de uma troca de palavras, numa espécie de paráfrase, atribui a “falta de virtude” a quem “quer mudar o hino”. Com o devido respeito a quem pensa desse modo, mas talvez a virtude tenha faltado àqueles a quem cultuam como heróis.

Não sou negro, mas conheço o suficiente para saber o que, para eles, pode significar essa frase. Recomendo a leitura do livro “Escravidão – vol. I” de Laurentino Gomes aos que pensam que, nesse caso, os afro descendentes estão errados.

Sempre é bom lembrar que o Hino do RS foi criado durante a Revolução Farroupilha. A respeito desta, o conselho é ler o livro “História Regional da Infâmia” de Juremir Machado da Silva Segundo o autor “a verdadeira história da Revolução Farroupilha não é contada pelos livros de história, pois ela não é tão bonita como a história que conhecemos, muito pelo contrário, a história real não tem nada de bonito, pois não foi promovida para beneficiar a população do estado e sim os estancieiros que estavam descontentes com o Império, e os negros que lutaram em troca da liberdade ao final da guerra, ganharam em troca traição e morte”.

Além do que foi dito por este iminente escritor rio-grandense, contemporâneo, nunca é demais lembrar também que sem deixarmos de ser gaúchos, foi graças à derrota dos farroupilhas que podemos nos orgulhar de sermos brasileiros.

Me orgulho de ser gaúcho tanto quanto me orgulho de ser brasileiro, porém se orgulhar da terra em que se nasceu não significa se orgulhar daqueles a quem, na História, o senso comum tem como sendo “heróis” ou mesmo grandes líderes. De minha parte, vejo com um olhar, se não crítico, ao menos muito desconfiado o culto aos nossos “heróis”, sejam eles alguns dos gaúchos, sejam eles alguns dos brasileiros.

É sob essa visão que a nível nacional, através da leitura fui aprendendo a ter o meu conceito sobre, por exemplo, um D. Pedro I, um Mal. Deodoro da Fonseca, um Gen. Castelo Branco, um FHC, um Bolsonaro e outros tidos como grandes líderes nacionais. Particularmente no caso do RS, essa mesma visão se refere a um Bento Gonçalves, um David Canabarro (não nos esqueçamos da “Batalha de Porongos”) e outros mais.

Para mim, os verdadeiros heróis são aqueles que verdadeiramente se dedicaram em favor do povo, sobretudo do povo oprimido. Assim, para mim, seria mais apropriado substituir o 7 de Setembro, de D. Pedro, pelo 21 de Abril, de Tiradentes.

Particularmente, aqui no RS, para mim, seria mais apropriado substituir os que temos por líderes farrapos por um Sepé Tiaraju (aquele que em 1750 proferiu a célebre frase “Esta terra tem dono”. Ou mesmo por um Leonel Brizola que em 1961 levantou o Rio Grande contra a iminência de um golpe militar (que teria antecipado o desfechado em 1964). A propósito desse episódio, foi nele que surgiu o “Hino da Legalidade”, legalidade esta que, ao contrário do ocorrido em 1835, não visava separar o RS do Brasil, mas sim uni-lo, como de fato o uniu.

Isso tudo sem falar dos verdadeiros grandes heróis ou líderes latino-americanos de outros países irmãos.

J.P.F.

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