Prisão ou perdão

Prisão ou perdão

 

 

 

 

Tem algo profundamente errado quando o Brasil discute anistia para políticos enquanto aplica o peso máximo da lei sobre quem mal consegue sobreviver. Anistia, nesse caso, significa perdão jurídico para gente poderosa, com mandato, estrutura e defesa cara, acusada de atos graves contra o próprio Estado. O debate acontece dentro do Congresso Nacional, entre gente que nunca tem medo de cadeia, porque sempre esteve longe dela.

Ao mesmo tempo, os jornais já mostraram casos reais e documentados de idosas presas por não pagar pensão alimentícia. Avós pobres, vivendo com um salário mínimo, algumas doentes, que acabaram responsáveis legais pelos netos quando o pai sumiu. O devedor desaparece, não é encontrado, não paga. Quem fica com a dívida é quem ficou com a criança. E quando não consegue pagar, a resposta do Estado é prisão.

Teve idosa detida ao ir até uma delegacia resolver outro assunto. Teve avó de mais de 70 anos presa em Goiás por dívida de pensão dos netos. Teve caso na Bahia em que uma senhora só saiu da cadeia porque vizinhos fizeram vaquinha. Não são exceções inventadas. São fatos noticiados, repetidos, esquecidos rápido demais.

A lei é dura, rápida e inflexível quando o alvo é fraco. Não existe anistia para a pobreza, não existe perdão para quem vive no limite. Para essas pessoas, o sistema não pergunta intenção, contexto ou capacidade. Cobra. Se não paga, prende. Simples assim.

Quando se coloca isso lado a lado, a mensagem fica clara demais para fingir que não existe: para políticos, discute-se perdão. Para uma idosa pobre, aplica-se a cela. Isso não é debate ideológico, não é direita nem esquerda. É uma justiça que sobe macia para quem está no topo e desce esmagando quem está embaixo.Kelly Maria FerreiraFONTE:

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