Professor, estratégia de campanha

Como professor, eu gostaria de ter a atenção de vocês acerca do que irei escrever.
O que mais tenho escutado desde o debate da Bandeirantes, em 18 de outubro, é que Flávio Bolsonaro usa o nível "quinta série" para montar sua estratégia de campanha.
Não está totalmente errada a afirmativa sobre o nível intelectual de Flávio Bolsonaro, mas eu gostaria de fazer um apontamento: nas salas de quinta série, hoje sextos anos, os preconceitos são combatidos de maneira rígida.
Nós, professores, sabemos muito bem que qualquer preconceito deve ser objeto de diálogo com a turma. Pelo menos onde trabalho, supervisão, orientação e direção nunca permitiram que preconceito e infantilidade fossem vistos da mesma forma.
Ao ver Flávio Bolsonaro fazer piada com os "9 dedos de Lula", ontem, o que se sobressai é que Flávio continua sendo aquele playboy, protegido por um pai abusado que defende como "liberdade de expressão", todo o preconceito que o filho borrifa.
Fazer uma "brincadeira" com a deficiência física de alguém é impensável na quinta série - pelo menos nas que eu conheço na vivência da escola pública.
O nível "quinta série", e é bom que se diga, é um pejorativo para definir o nível intelectual de um adulto que consegue achar graça neste tipo de coisa, da mesma forma que acha graça em piadas racistas, homofobicas e xenófobas, como em expressões de duplo sentido.
Eu frequentei a rede pública por toda a minha vida. Nunca, em hipótese alguma, meus pais me viram fazer este tipo de "piadinha". Meu pai dialogava muito, e se isto não resolvesse, minha mãe resolvia, do jeito dela.
Mas mais grave do que isto, é o preconceito e o ódio que Flávio Bolsonaro carrega consigo. Flávio ri de um trabalhador mutilado, o expõe a seus seguidores de nível "quinta série", porque simplesmente não tem empatia alguma.
Para ele, que ganhava a vida como funcionário fantasma enquanto assessor do Congresso, gente como nós não passa de Massa de carne, sem dor e sem dignidade. Ser mutilado é mero detalhe.
É preciso, enfim, pedir: não confundam infantilidade com maldade. Agora, ignorância e maldade juntas, acabam em crueldade. E crueldade é o sintoma principal do bolsonarismo.
Fabiano da Costa.
Fonte:
https://www.facebook.com/fabiano.dacosta.7
Flávio e a sombra dos milicianos
Dia 25 de outubro é domingo, mas em 23 de setembro, O Estado de São Paulo, um dos jornais mais respeitados do país, publicou um editorial que deveria ser lido em escolas, praças, hospitais e mercados. O título era sucinto: "Flávio e a sombra dos milicianos".
Segundo o texto, a eleição de Flávio Bolsonaro poderia representar a ascensão das milícias ao Planalto. Afinal, elas estariam instaladas no centro do poder.
As ligações de Flávio Bolsonaro são claras. Aliás, nunca vi nenhum bolsonarista nega-las. Nunca, em hipótese alguma, o bolsonarista nega - seja porque simpatiza com o crime organizado e o aceita para combater a Esquerda, ou seja porque não tem argumento cabível.
Mas note-se: não há bolsonarista que negue a relação de Flávio com as milícias.
Todos os dias, as notícias novas ou antigas, trazidas de volta ao público, mostram algo perturbador: Há 20 anos, Flávio era um deputado estadual que discursava em defesa das milícias do Rio. Seu pai, já fazia isto na Câmara dos deputados em Brasília, e seu irmão, Eduardo, o faria no mesmo lugar.
Ou seja: Flávio, assim como a família, parece ser um projeto político das milícias.
Mais perturbador ainda, é perceber que os maiores institutos de pesquisa (como Datafolha e Quaest) continuam dando a vantagem dele sobre Lula no segundo turno.
É uma corrida contra o tempo, que desafia a nossa lógica: se ninguém nega que Flávio tem laços profundos com as milícias, como aponta um dos jornais mais respeitados do país, como explicar que milhões de brasileiros que afirmam que a violência é sua maior preocupação, votem num desqualificado destes?
Em 1984, Darcy Ribeiro disse que a crise da Educação pública não era acidente, e sim, projeto. Hoje, ninguém nega isto, sobretudo com 60 de milhões de analfabetos funcionais e políticos indo às urnas.
Em 1994, Florestan Fernandes disse que as privatizações eram entregar ativos preciosos do país e estar subordinado aos interesses estrangeiros. Brumadinho foi a prova disto, em 2019.
Caso Flávio Bolsonaro seja eleito, quanto tempo demorará até que alguém perceba que as milícias se instalaram em Brasília? Trinta anos?
Bom que seja rápido, pois dia 25 é no domingo.
Fabiano da Costa
FONTE:






