Professora esfaqueada

Professora esfaqueada

Professora esfaqueada dentro da sala de aula

Ataque à docente aconteceu no início da tarde desta terça-feira (1º) em Caxias do Sul

Fabrício Carpinejar

Porthus Junior / Agencia RBS
Caso ocorreu na Escola Municipal de Ensino Fundamental João de Zorzi,
no bairro Fátima Baixo.    
Porthus Junior / Agencia RBS

 

Não é mais possível ser tolerante com a indisciplina no sistema de ensino.

Não é mais questão de burburinho, de bagunça, é muito mais grave e irreversível.

Uma professora de inglês foi esfaqueada na tarde de terça-feira (1º), no 7º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) João de Zorzi, no bairro Fátima Baixo, em Caxias do Sul (RS).

Já estamos falando de crime. Já estamos falando de atentado dentro da sala de aula. Já estamos falando de represália de estudantes que se sentiram prejudicados na avaliação. Já estamos falando de uma funcionária alvejada pelas costas, pega de surpresa, golpeada na cabeça e no pescoço. Já estamos falando de exemplos perversos diante de uma turma perplexa que gritava “Mataram a profe!”.

Três adolescentes, de 14, 15 e 13 anos, desligaram as câmeras externas e o monitoramento interno para fazer a emboscada com objeto cortante.

A professora acabou sendo encaminhada para atendimento no Hospital da Unimed, e se encontra fora de perigo.

Como retornar ao ano letivo depois desse trauma? Como reagir em meio a esse clima de animosidade e insegurança? Como garantir proteção aos docentes após sua colega ser brutalmente ferida? O medo é contagioso.

Abril costuma se mostrar o mais cruel dos meses em termos de violência escolar. Recém teve início e já vimos o primeiro episódio.

Foi em abril que aconteceu o Massacre de Realengo (7 de abril de 2011), em que ex-aluno invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, matou 12 crianças e feriu outras 12, antes de cometer suicídio; a chacina em creche de Blumenau, em Santa Catarina (5 de abril de 2023), na qual homem de 25 anos invadiu a creche Cantinho Bom Pastor, matou quatro crianças e feriu outras cinco com machadinha; o ataque na Escola Estadual Doutor Marco Aurélio (11 de abril de 2023), em Santa Tereza de Goiás, caracterizado por facada dada por um aluno de 13 anos em duas colegas; e o ataque na Escola Municipal Isaac de Alcântara (12 de abril de 2023), no Ceará, em que aluno do 9º ano feriu duas meninas.

Se o trio de infratores de Caxias do Sul realiza tal covardia em público, sem nenhuma vergonha, imagina o que não realiza de maus-tratos na surdina.

Não duvido que ainda vão dizer que a série Adolescência, da Netflix, causou a conduta dos jovens, pois envolve arma branca, a mesma faixa etária e ausência de histórico de violência dos autores.

Não dá mais para passar pano. Não dá mais para oferecer desconto e mitigar agressões aos nossos educadores. Tudo começa com a licença ao desaforo, migra para o embate físico e culmina com a vingança da pior espécie.

Sala de aula é lugar de rigor, obediência e silêncio, de máximo respeito a quem devota a sua existência a ensinar.

Os alunos não podem mais confundir o ensino com entretenimento, com show, com espetáculo, com dancinha, com stand-up, com coreografia. A escola não é TikTok.

O aprendizado não tem que ser conquistado a partir de diversão e brincadeiras. Não é necessário prender a atenção do corpo discente com violão, ou canto, ou encenação, ou animação de auditório. Matrículas não são ingressos.

Pedagogia é coisa séria. Extrapolamos a cota de permissividade a ponto de o aluno não admitir notas negativas, restrições, reprimendas, censuras, suspensões.

Se continuar assim, ou o professor aprova a todos, ou ele morre.

 

FONTE:

https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2025/04/professora-esfaqueada-dentro-da-sala-de-aula-cm8z3cmhd001901lj39pvx7g7.html 




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