Projeto ideológico do evento de fé
Chamar o The Send de “evento de fé” já não se sustenta diante dos fatos...

O que se viu ali foi a exposição nua e crua de um projeto ideológico altamente prejudicial, perigoso, que usa a religião como linguagem e a juventude como alvo. No sábado (31/01), Silas Malafaia subiu ao palco e fez um ataque direto, deliberado e violento contra a educação pública e contra professores, afirmando, sem qualquer prova ou cabimento, que jovens estão sendo “enganados na escola”, “enganados por professores”!!https://revistaforum.com.br/.../malafaia-faz-ataque.../...
Não foi um excesso retórico: foi um discurso de caso pensado, pra promover a incitação à desconfiança institucional, à ruptura com a educação formal e à rebelião simbólica contra escolas e universidades, reproduzindo exatamente a estratégia histórica de movimentos autoritários...
Uma fala dessas não é só irresponsável, repito, é perigosa. Ao transformar professores em inimigos morais e a educação em terreno de suspeição, Malafaia opera uma pedagogia do ódio ideológico. E faz isso a partir de um lugar obscenamente contraditório: o de um homem milionário, escolarizado, com pleno acesso a capital cultural, político e financeiro...
O mesmo vale para André Valadão, que em outras ocasiões já atacou universidades, ciência e pensamento crítico sob o mesmo espantalho do “marxismo cultural”, podre de rico, envolvido com mil e uma falcatruas, até fintech gospel a igreja da família, a qual ele é o presidente, tem...
Ô meu povo...
Interessante é que nenhum desses caras abriu mão da educação né? Nenhum deles criou seus filhos longe de escolas, universidades, idiomas, intercâmbios e redes de prestígio e privilégios...
Esse "alerta", essa "admoestação", essa "preocupação" só é exigida dos filhos dos outros né?
É só pra adolescentes e jovens crentes pobres?
O que esses caras tão querendo?
Sim, pergunto porque esse ataque à educação não é por zelo espiritual. Jamais! Mas os fiéis vão crer que sim e estão sendo enganados!
Isso é ódio ideológico de classe. A escola e a universidade são, para a maioria da juventude brasileira, o único caminho possível de autonomia material, de emancipação intelectual e ruptura com a precariedade. E é exatamente isso que esses líderes querem bloquear. Essa gente imunda precisa de precariedade pra acumular capital de afetos gerados pelo desespero e a desesperança, sem contar que um jovem que estuda pode aprender a identificar manipulação, questionar autoridades abusivas, compreender desigualdade estrutural e não aceitar explicações mágicas ou polarizadas pra pobreza, pras desigualdades...
Um jovem que é levado a pensar, a raciocinar, a questionar, deixa de ser massa dócil...
E influencia outros.
Entendem o motivo desse escândalo do Malafaia em forma de "ato profético"?
Vejam o tipo de (DES)orientação que um movimento desse vem trazer pros jovens do nosso país!
Esse é o plano dos EUA pro Brasil: sujeição, precarização. Sempre foi, e de todas as formas ele tem avançado.
Por isso a estratégia é tão clara: destruir a confiança na educação, fabricar um inimigo difuso (“professores”, “universidades”, “esquerda”), oferecer uma identidade pronta e uma “missão” que não liberta, mas disciplina pra gerar submissão. A fé perde o lugar de experiência ética e espiritual e passa a funcionar como instrumento de controle político. O jovem deixa de ser sujeito de sua própria história e é feito elemento de um exército de zumbis ignorantes...
Pode haver algo mais perverso que isso?
E me desculpem os crentes mas nada disso é avivamento. Avivamento, dentro do contexto religioso deveria expandir a consciência; isso a restringe! A encolhe, a torna obsoleta!
O que está em curso é formação de mentalidade em linha de produção, é adestramento ideológico com linguagem religiosa, é colonização da subjetividade. O pacote se completa com a famigerada Teologia da Prosperidade: se prosperou, Deus aprovou, se não, a culpa é sua. Assim, a fé é usada para proteger bilionários, naturalizar desigualdade e blindar projetos reacionários.
Ô gente, precisamos enxergar as coisas como de fato são!
Quando um pastor ataca professores em um estádio lotado, num evento americanizado, dizendo que jovens estão sendo enganados por professores, ele não está defendendo o evangelho...
Pelo menos não o evangelho do amor e da justiça que muita gente acredita!
Está disputando poder sobre consciências. Está dizendo, na prática: não confiem em quem ensina vocês a pensar, confiem apenas em mim. Isso é sequestro da fé.
É nojento!
E criminoso!
A religião que precisa da ignorância para se manter não passa de dominação.
Fé que proíbe pensar, não liberta. E líderes que atacam a educação enquanto acumulam riqueza e influência não estão preocupados com a juventude, mas SOMENTE com a manutenção de seu próprio poder.
A pergunta não é se existe “marxismo cultural” tá certo? A pergunta real é: quem ganha quando jovens deixam de estudar, deixam de questionar e passam apenas a obedecer?
Quem?
E nós? Vamos assistir tudo isso de braços cruzados e bocas caladas?
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Gi StadnickiFONTE:
https://www.facebook.com/giovanna.stadnicki?locale=pt_BR

O plano de poder político-evangélico avança sem trégua cada dia mais, e em ano eleitoral então, nem se fala!Portanto, encarar o movimento The Send como um mero “evento espiritual” ou “avivamento juvenil” é aceitar a narrativa que ele próprio constrói para se blindar da crítica...
O The Send não é apenas religioso, é a face espetacularizada de um projeto transnacional de poder que instrumentaliza a fé cristã para fins políticos, ideológicos e geopolíticos muito bem definidos. O que está em jogo ali não é salvação nem louvor a deus, fica esperto: é domínio POLÍTICO pela via religiosa.
SOBRE O QUE ESTOU FALANDO: Festival gospel The Send reúne 300 mil evangélicos em cinco capitais brasileiras | G1 https://share.google/qrzyEgaqu2u8ZAbpR
O movimento se apresenta como um chamado missionário, convocando jovens a “transformar nações”, “ocupar espaços” e “retomar territórios para Deus”. Essa linguagem é cria direta do vocabulário do dominionismo cristão (TEOLOGIA DO DOMÍNIO), da Teologia do "Reino Agora" ( Kingdom Now) e da doutrina dos Sete Montes, correntes que defendem abertamente que o cristianismo deve governar todas as esferas da vida social: cultura, política, educação, mídia, economia e Estado. O The Send é a tradução de massa dessa teologia autoritária, convertida em espetáculo emocional e mobilização afetiva...
Entrevista: Teologia do domínio é ameaça à democracia https://share.google/Agg9mEuFca2JrKcNN
Mandato dos Sete Montes – Wikipédia, a enciclopédia livre https://share.google/nj4OwXLxKvgMa17XN
Estou falando de um projeto que nasce nos Estados Unidos, dentro do ecossistema da direita cristã norte-americana, e que se articula com o nacionalismo cristão, com um anticomunismo paranóico e com o sionismo cristão. Diante disso, claro que não se trata de uma espiritualidade voltada à ética, à justiça social ou ao cuidado com o outro...
Jamais!
A real é que se trata de uma fé convertida em ideologia de guerra cultural, que enxerga a democracia liberal como frágil, os direitos humanos como ameaça, o feminismo como inimigo espiritual, a laicidade como obstáculo e o pluralismo como pecado...
VAMOS ENTENDER ISSO MAIS A FUNDO: Cuidado! Eles estão chegando - Brasil de Fato https://share.google/x1xNzifOYN2hxF32U
As lideranças ligadas ao The Send deixam isso claro quando falam tanto no palco como fora dele, entre pares, em ambientes internacionais ou em materiais formativos. Defendem explicitamente a submissão do Estado à moral religiosa, relativizam processos democráticos quando os resultados não lhes são favoráveis e sustentam um alinhamento automático à política externa dos Estados Unidos e de Israel. Israel, nesse discurso, não é um Estado passível de crítica, mas um projeto teológico intocável, blindado contra qualquer responsabilização por apartheid, limpeza étnica ou crimes de guerra. A Bíblia é instrumentalizada para legitimar a geopolítica, e a morte de palestinos é naturalizada como resultado profético...
Entendamos que este alinhamento, no caso de um país como o Brasil, significa exclusivamente colocar o povo crente, o povo iludido pela fé, como exército a postos - "povo de Deus" disposto a tudo a fim de validar as supostas profecias de domínio político dos EUA, de Israel, sobre tudo e todos...
É absolutamente perverso.
É formação de massa de manobra mesmo.
O The Send traz esse pacote ideológico inteiro pro Brasil deslocando a realidade social brasileira, realidade essa marcada por desigualdade extrema, racismo estrutural e violência, pra servir a interesses externos. Em vez de enfrentar as contradições concretas do país, com honestidade e em busca de justiça social, não, oferece guerras simbólicas. Em vez de formar consciência crítica, produz pertencimento/dependência emocional. Em vez de cidadania, produz obediência cega.
E É BEM PIOR DO QUE PARECE: Saiba o que é o The Send, movimento ultraconservador dos EUA que Damares trouxe ao Brasil - Revista Fórum https://share.google/S8CwftsXvMY93krOy
A juventude é o alvo central desse projeto, e isso não é à toa. Sabemos que jovens buscam por sentido, estão emocionalmente mobilizáveis e geralmente a maioria tem baixa formação política crítica. Daí, são transformados em matéria-prima de um processo de adestramento simbólico...
Não há formação política real, apenas repetição de slogans e clichês, tudo relacionado a demonização de inimigos difusos: “o sistema”, “o mundo”, “a esquerda”, “o globalismo”...
É a construção de um nós contra eles permanente...
Através da estratégia de grandes eventos, música emocionante, iluminação de show, linguagem de batalha espiritual e supressão sistemática do pensamento crítico produzem soldados ideológicos, não cidadãos.
The Send e o plano de evangelização em massa no Brasil https://share.google/alnhodzVkiQCAW4FT
Nada no vocabulário do The Send é espiritual. Nada promove o bem ou pretende formar pessoas conscientes de algo que preste...
O "enviar” significa formar quadros militantes de extrema-direita. O “ocupar” significa infiltrar-se ideologicamente nas instituições. O“retomar territórios” significa atacar a laicidade do Estado...
“Transformar nações” significa apenas submeter políticas públicas à moral religiosa e “batalha espiritual” funciona como autorização simbólica para violência política.
Afinal...
Não é coincidência que esse discurso seja tão compatível com o bolsonarismo, o trumpismo, a rejeição do resultado de eleições que não os favoreça, os ataques sistemáticos a professores, jornalistas, artistas, universidades, livros e pesquisadores. Isso tudo é arquitetura ideológica.
O aspecto mais perverso de um movimento como o The Send é fazer com que a fé popular seja esvaziada de sua dimensão ética, desconectada da justiça social, arrancada da realidade concreta e redirecionada para conflitos imaginários. Enquanto a emoção é mobilizada nos estádios, a desigualdade permanece intocada, a violência cresce mesmo com tanta influência evangélica nos lugares de poder como vemos há tempos... Políticas públicas são desmontadas e direitos básicos do povo são atacados, justamente por esses políticos representantes do universo cristão...
Resumindo...
Movimentos como o The Send não estão nem aí pra salvar almas. Querem formar uma base ideológica disciplinada, normalizar o autoritarismo religioso, enfraquecer o Estado laico, alinhar o Brasil ao eixo político-religioso EUA–Israel e transformar a fé em instrumento permanente de guerra cultural. É um projeto de poder, não um movimento espiritual.
Ele representa a radicalização do evangelicalismo, a instrumentalização da juventude, a captura da fé pelo autoritarismo e a colonização simbólica do Brasil. E criticar isso não é perseguição religiosa, pelo contrário, até porque pessoas como eu, que fazem tais críticas somos absolutamente MINORIA.
Não temos robustez suficiente pra "perseguir" algo que é imenso, estrutural. Fazemos o famoso trabalho de formiguinha, vamos acordar! Não existe perseguição a cristãos no Brasil, quem diz isso é no mínimo um canalha.
Essa denúncia que faço é em defesa do que nos resta de democracia, de laicidade e de dignidade humana. O básico né? Ao menos deveria ser!
E sim, mexer nisso é cutucar um vespeiro, mas muito dos horrores que presenciaremos esse ano na política de extrema-direita/bolsonarismo terá sido fortalecido nesse evento. Não dá pra simplesmente ignorar.





